Resumo

Atletas de esportes de combate enfrentam riscos elevados de concussões, cujos efeitos ultrapassam sintomas imediatos e comprometem funções físicas e motivacionais. Esta tese propôs construir e avaliar as propriedades de medidas de uma escala de concussão, aliada a um protocolo adaptado às demandas dos esportes de combate. A pesquisa metodológica, aplicada e interdisciplinar, com abordagem qualitativa e quantitativa, foi dividida em três etapas: construção e análise das propriedades de medias da escala, avaliação neuropsicológica e aplicação prática do protocolo, envolvendo 52 atletas de duas equipes líderes de MMA, distribuídos em grupos Controle e Sparring. As avaliações foram realizadas por profissional qualificado no ambiente de treinamento. As análises estatísticas incluíram estatística descritiva, testes qui-quadrado, t de Student, Mann-Whitney, ANCOVA, post-hoc de Bonferroni, e efeito de Cohen, d, com uso do software SPSS v.25 e nível de significância de p ≤ 0,05. A escala originou-se de 103 itens, após revisão sistemática e entrevistas com atletas, sendo reduzida para 23 itens distribuídos em dois fatores: Sintomas Físicos (11 itens) e Motivacionais (12 itens), com alta consistência interna (α = 0,92) e validade de conteúdo (índice de validade de conteúdo [IVC] = 0,90). A estrutura bifatorial foi confirmada por análise fatorial confirmatória (AFC), com cargas robustas (λ > 0,5) e índices de ajuste satisfatórios. Revelou declínio cognitivo no grupo com histórico de concussão, em velocidade de processamento, memória e controle inibitório, enquanto o grupo controle manteve desempenho estável. Aumento em Neuroticismo (p = 0,002) e redução em Abertura à Experiências (p = 0,036). A aplicação sequencial da escala evidenciou sintomas em 24h e até 7 dias, com declínio médio diário de 2,02% (p = 0,001), estabilizando após 60 dias. A terceira etapa consolidou um protocolo longitudinal de triagem e acompanhamento, integrando medidas basais, respostas agudas e avaliações crônicas, com potencial clínico para decisões sobre retorno ao treino, reabilitação e prevenção de riscos. A validação da escala inaugura um marco na neuropsicologia esportiva ao oferecer uma ferramenta específica, robusta e acessível para rastreio e acompanhamento longitudinal de sintomas físicos e motivacionais. Os resultados confirmam efeitos neurocognitivos persistentes, mesmo em impactos subconcussivos, e destacam alterações seletivas em funções executivas e traços de personalidade. A pesquisa propõe um modelo inovador de avaliação biopsicossocial, contribuindo para práticas clínicas mais seguras, equitativas e baseadas em evidências.

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