Corpo, cuidado e resistência na docência: uma leitura ecofeminista e autoetnográfica
Por Tatiane Viana Figueiró (Autor), Eliane Regina Crestani Tortola (Autor).
Resumo
Este texto, recorte de dissertação construída por meio de uma narrativa autoetnográfica, revisita experiências pessoais e profissionais marcadas por violências simbólicas e explícitas, sobrecarga emocional, silenciamentos institucionais e práticas de resistência no contexto da docência. O objetivo é compreender como corpo, cuidado o lazer são dimensões negligenciadas na trajetória docente, revelando tensões entre o cotidiano escolar e os condicionantes sociais que atravessam a vida das mulheres. Como material e método, utilizou-se a autoetnografia como ferramenta de análise crítica, articulando vivência e reflexão. Os resultados apontam que a docência é atravessada por estruturas patriarcais, capitalistas e coloniais que naturalizam a abnegação feminina, invisibilizam o sofrimento e desvalorizam o cuidado como prática pedagógica. A reconstrução subjetiva, a partir do enfrentamento da violência doméstica, revela que a educação pode ser espaço de transformação, desde que sustentada por práticas afetivas, críticas e libertadoras. Conclui-se que a escrita autoetnográfica é uma ferramenta para compreender a docência como prática situada, política e sensível.