Resumo

Este trabalho parte da inquietude docente de escutar aquilo que, muitas vezes, não encontra lugar na escola: o corpo. O que as corporeidades infantis nos dizem acerca das violências que nelas se encarnam? Mais do que objetos de pesquisa, os corpos infantis aqui tratados são sujeitos que experimentam, sentem e narram o mundo por meio de suas corporeidades. Corpos que, enquanto brincam, percebem a realidade dura e cruel vivida em cotidianos marginalizados. Essa pesquisa realizada em uma escola pública periférica no município de São Gonçalo, compreende os desenhos produzidos no cotidiano das aulas de Educação Física como narrativas desses ‘corpos/sujeitos’. Esse estudo propõe um “mergulho com todos os sentidos” (Alves, 2001) para pensar com essas crianças as marcas produzidas e inscritas nos seus corpos a partir de suas vivências em um contexto marcado por violências. A partir do diálogo tecido entre docente e discentes com o objetivo de problematizar o brincar no ‘espaço-tempo’ no qual estão inseridos, os desenhos surgiram como mais do que representações simbólicas de situações de violências nessa comunidade. Eles expressaram experiências vívidas que, por serem incorporadas com tanta familiaridade ao cotidiano dessas crianças, apresentaram-se banalizadas. Nesse sentido, dialogamos com Arendt (2006), que nos convida a refletir sobre os perigos de conviver com violências que, pela frequência e naturalização, deixam de causar estranhamentos.

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