Corra, Mas Não Morra: Discursos Sobre a Corrida de Rua Como Prática de Saúde na Imprensa Carioca (1970-1985)

Por: Glauber Queiroz Tabosa Tiburtino.

2020

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Resumo

Data: 11/02/2020 - 3a. feira | Horário: 14h

Este trabalho tem como objetivo central traçar uma história cultural da corrida de rua no Brasil, refletindo acerca das disputas e variações discursivas expressas pela imprensa carioca no início de sua trajetória. 

Descrita como um fenômeno sociocultural contemporâneo, a corrida de rua emerge no país a partir da segunda metade do século XX como prática de saúde, a partir de desdobramentos da adoção do método de Cooper. Disseminado no país a partir de 1970, especialmente por conta do sucesso da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo do México daquele ano, o programa de testes e metodologia de exercícios físicos desenvolvido pelo médico cardiologista norte-americano no treinamento de astronautas da NASA e posteriormente adaptado por Cláudio Coutinho na preparação da equipe brasileira tricampeã mundial de futebol ganhou projeção no Brasil, tornando-se um hábito social, conforme registram a literatura científica e veículos de imprensa da época. 

A atividade evoluiu gradativamente na sociedade brasileira com base nos discursos da prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e da promoção da saúde, que enfatizam o autocuidado e os hábitos comportamentais vigiados como aspectos moralizantes em relação ao cuidado – ou ao negligenciamento – com o corpo perante as normatizações sociais, classificando os indivíduos em ativos e sedentários (normais ou anormais), conforme tais narrativas. 

Fortemente calcada nas estatísticas epidemiológicas e nos fatores de risco, a estratégia de promoção da saúde adota a prescrição de atividades físicas como prática antecipatória a agravos e incentivou a corrida até o surgimento dos conflitos e controvérsias em relação a seus reais efeitos ao organismo. Essas variações e disputas discursivas, bem como as formas de subjetivação envolvidas, popularizaram a adoção da corrida de rua enquanto prática terapêutica, ainda que esse entendimento não fosse um consenso. 

Utilizamos a pesquisa documental como metodologia dessa análise investigativa e, portanto, selecionamos a imprensa como um dos atores sociais imbricados na produção discursiva que auxiliou na consolidação da prática no Brasil, para refletirmos acerca de como essa concepção foi culturalmente configurada em nosso tecido social. Trabalhamos com a imprensa enquanto fonte, objeto e agente histórico desse percurso. 

Buscamos entender, portanto, como o brasileiro, em especial o carioca, passou a lidar com a emergência da corrida de rua e como essa prática se solidificou como hábito de saúde no Brasil contemporâneo, bem como quais foram as variações discursivas em relação às controvérsias entre benefício e perigo à saúde e de noções de cuidado com o corpo e boa forma ao longo dessa construção social.

Endereço: https://www.icict.fiocruz.br/content/programa-de-p%C3%B3s-gradua%C3%A7%C3%A3o-do-icict-divulga-calend%C3%A1rio-de-defesas-em-fevereiro

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