Resumo

Este estudo teve como objetivo analisar os fatores motivacionais que influenciam a atuação como atletas-guias em corridas com pessoas com deficiência visual, compreendendo os aspectos intrínsecos e extrínsecos envolvidos nessa prática. Fundamentado na Teoria da Autodeterminação, que discute a motivação no esporte e no paradesporto, buscou-se aprofundar o entendimento sobre as razões que levam indivíduos a atuarem voluntariamente como atletas-guias. A pesquisa teve abordagem qualitativa e contou com a participação de três atletas-guias com diferentes níveis de experiência, todos com vínculo à área da Educação Física. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, das quais os dados foram examinados com base nos procedimentos da análise temática proposta por Braun e Clarke (2006). A partir da análise, emergiram duas categorias principais: “Ser Atleta-Guia” e “Motivação e Sentimentos em Ser Atleta-Guia”. Os achados evidenciaram que a atuação dos atletas-guias é permeada por valores como altruísmo, prazer pessoal, senso de responsabilidade, empatia, conexão afetiva e reconhecimento simbólico. Esses fatores motivacionais, embora diversos, tendem a se combinar, sustentando o envolvimento dos participantes de forma relevante. O estudo destaca que a atuação como atleta-guia ultrapassa a dimensão técnica, constituindo-se como uma prática socialmente engajada, afetivamente significativa e promotora de inclusão. Conclui-se que compreender as motivações dos atletas-guias contribui para fortalecer estratégias de incentivo ao esporte adaptado, bem como para reconhecer a importância do voluntariado no campo paradesportivo.

Acessar