Resumo

A construção dos documentos curriculares brasileiros — dos PCNs à BNCC —, historicamente, é atravessada por uma série de interesses, disputas e conflitos que, em grande medida, não valorizam de forma contundente o chão da escola, os saberes dos professores e os contextos dos estudantes (LIBÂNEO, 2012; SACRISTÁN, 2000; MOREIRA; CANDAU, 2007). No entanto, em contraponto a essa lógica verticalizada, o Documento Curricular Referencial de Fortaleza (DCRFor) apresenta uma proposta plural, regional, crítica e aberta às vozes que habitam os territórios escolares. No meio dessa disputa, a Educação Física ainda carrega práticas arraigadas de esportivização, mas também carrega potência. Quando o corpo é compreendido para além da performance — como linguagem, memória e cultura — nasce aí a possibilidade de outros saberes, outras leituras, interpretações e assim, diversas são as formas de reescrita. O DCRFor provoca uma ruptura importante ao propor princípios como a Educação Integral, a Diversidade e as Práticas Socialmente Referenciadas. Mais do que diretrizes, esses princípios operam como lentes. Um convite a olhar o estudante como sujeito ativo da cultura; a romper com práticas que excluem ou silenciam (SILVA, 2000); a valorizar os saberes que nascem da rua, da comunidade, da resistência (FREIRE, 1996). A diversidade exige ruptura com o que exclui; e as Práticas Socialmente Referenciadas nos chamam a ensinar a partir do lugar em que os alunos vivem, dançam, jogam, lutam e resistem.

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