De São Bichas Mas São Nossas à Diversidade da Alegria: Uma História da Torcida Coligay

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388 páginas. 2018 24/08/2018

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Resumo

A Coligay é uma torcida do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense que esteve em atividade entre 1977 e os primeiros anos de 1980. Como o nome indica, essa torcida era formada predominantemente por homens identificados como gays, o que já parece ser motivo de surpresa e curiosidade no contexto futebolístico brasileiro, no qual a heterossexualidade, mais do que tomada como norma, é enfatizada como valor. Mas esse agrupamento fez-se notório não (apenas) porque explicitava a homossexualidade de seus integrantes em sua retórica, mas, sobretudo, porque fazia de tal identidade sexual o norteador da performance estética do grupo nas arquibancadas. Uma vez extinta, a torcida caiu em esquecimento, ausente em grande parte dos registros da história do Grêmio e da memória de muitxs torcedorxs. Recentemente, a Coligay tem retornado à visibilidade com destaque à produção de um livro, um documentário e reportagens, além da presença da torcida em um painel no Museu do Grêmio. Tendo esse cenário em vista, esta tese tem como objetivo descrever e analisar a trajetória e memória da torcida Coligay, dando destaque às tensões referentes a gênero e sexualidade que emergem a partir da presença de um coletivo afirmadamente gay no universo futebolístico. Para tal, me embaso na fundamentação teoria dos Estudos Queer. Utilizo como como fontes entrevistas realizadas na perspectiva teórico-metodológica da História Oral junto a integrantes da Coligay, outrxs torcedorxs do Grêmio, jornalistas, assim como ex-jogadores, dirigentes e funcionários do clube. Às fontes orais, acrescento fontes documentais, sendo elas: registros de periódicos, o acervo documental e iconográfico do Museu do Grêmio, livros que tratam da história do clube e artefatos culturais sobre a Coligay e o Grêmio, tais como notícias de sítios eletrônicos, publicações do Facebook e um documentário Identifiquei que houve, naquele período, um cenário de permissividade à formação da Coligay, assim como de outras “torcidas gays”, acompanhando movimentos potencialmente subversivos no campo da cultura. Ainda assim, a existência da Coligay foi possível diante de certas características e estratégias que contribuíram para sua aceitação. Evidenciei que a torcida possui inegável importância entre as torcidas gremistas, não apenas por refutar o suposto caráter universalmente cisheterossexual e viril do futebol, mas também pelo pioneirismo em diversas iniciativas de organização torcedora e performance nas arquibancadas. A Coligay serviu, também, como um espaço de sociabilidade de LGBTs que, através dela, se aproximaram e apropriaram do futebol. Apesar de sua performance torcedora, em muitos aspectos, ser similar àquela de outras torcidas, é recorrente que suas manifestações sejam marcadas pelo que as diferencia: a afeminação que atravessa suas gestualidades. Há constantes deslizamento entre o que entendem como masculinidades e feminilidades, ainda que dentro de limites que xs próprios integrantes se impõem, os quais necessariamente estão articulados à norma e às consequências concretas que sua ultrapassagem representaria. Por fim, lanço a hipótese de um deslocamento em curso sobre o significado da torcida - de “São bichas, mas são nossas” para a “Diversidade da alegria” – inserido em um projeto de afirmação de uma tradição de pluralidade no Grêmio

Endereço: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/184514

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