Resumo

Esta pesquisa contribui para o debate teórico sobre gênero, esporte e maternidade em contextos pouco explorados como o da corrida de aventura (CA). Investiga os desafios enfrentados por mães-atletas, buscando compreender como conciliam a maternidade com a carreira esportiva e quais significados atribuem a essa experiência. Fundamentado nas teorizações Foucaultianas, o estudo examina como “regimes de verdade” generificados moldam expectativas e naturalizam papéis, tanto no esporte, quanto na vida familiar. A abordagem é qualitativa, e os dados foram produzidos por meio da técnica de entrevista narrativa com mães-atletas de CA experientes no esporte, as quais foram instigadas a revelar os desafios, negociações e estratégias para manter o desempenho esportivo enquanto vivenciavam a maternidade. A leitura dos dados da pesquisa se baseou na perspectiva da Análise de Discurso de linha francesa. Os resultados mostram que, embora a CA seja publicamente associada à resistência, à superação e à liberdade, as vivências dessas atletas são marcadas por negociações constantes entre demandas familiares e exigências competitivas, com persistentes assimetrias de gênero na divisão do cuidado e do trabalho doméstico. Apesar disso, a maternidade também se apresenta como um espaço de reinvenção de si e de “práticas de liberdade”, possibilitando novas formas de identidade atlética, mesmo sob restrições estruturais.

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