Desafios da Representatividade Feminina na Gestão Esportiva no Brasil
Por Paola de Nazaré do Nascimento Ferreira (Autor), Bruna Oliveira (Autor), Marcela Furtado Henriques (Autor), Diérfano Barbosa (Autor), Carla Isabel Paula da Rocha de Araújo (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
Segundo o Fórum Econômico Mundial serão necessários 131 anos para que a desigualdade de gênero seja eliminada. Efetivamente, as mulheres enfrentam diversos desafios, pois não é fácil conciliar maternidade, carreira, família e liderança. Especialmente no Brasil, onde a gestão ainda é escrita no masculino. A sociedade costuma ver os homens como líderes natos e as mulheres como seres subjugados, o que dificulta a ascensão destas a cargos de gestão, em especial no esporte. Sheryl Sandberg1, em seu livro "Faça Acontecer", ressalta que a participação feminina no mercado de trabalho, e em posições de liderança, ainda é recente. As mulheres enfrentam barreiras como a desigualdade salarial, conciliação entre trabalho e maternidade, e lidar com o patriarcado. As mulheres continuam sub-representadas em cargos de liderança, no Brasil, estas ocupam somente 25% dos cargos de diretoria, e 17% dos cargos de CEO, em 2023. No mundo esportivo não é muito diferente. Seja como atletas ou como gestoras, as mulheres são menos incentivadas a participarem em ambientes de tomada de decisões e de liderança, uma vez que são consideradas o “sexo frágil”. Tal se deve à concepção de que as mulheres tomam decisões mais baseadas na emoção do que na razão. Basta analisarmos os comitês olímpicos nacionais e internacionais, as confederações e federações esportivas para que possamos constatar que estas são ocupadas quase maioritariamente por homens, não chegando a 30% a participação feminina (Women on Board, 2016). A questão que se levanta é se as mulheres têm a mesma capacidade (ou até mais) para estarem nos lugares de de liderança ocupado por homens. Dentro das instituições que gerem maior esporte nacional, o futebol, apenas encontramos uma mulher (eleita) para liderar uma federação estadual. No entanto, em 2022, a Federação Paraense de Futebol (FPF) teve uma mulher, formada em educação física (EF), como presidente interina. Para entendermos melhor a importância para o Pará de termos uma mulher a gerir a maior federação do estado, resolvemos conduzir uma pesquisa sobre esta professora, de forma a entendermos o seu percurso. Nesse sentido, este trabalho é composto por uma estrutura que visa a condução de um estudo de caso sobre a ascensão da Professora Graciete Mauês, bem como pretende determinar de que forma sua visibilidade poderá contribuir para a promoção e empoderamento feminino. Efetivamente, não basta SER-SE, se faz necessário capacitar as mulheres na área da Gestão Esportiva e promover o domínio em áreas que norteiam seu local de atuação, para além de se ter uma postura confiante sobre o ‘saber,’ ter uma boa bagagem cultural e um vasto conhecimento sobre determinado assunto. Isto sem se esquecer de ajudar outras a se promoverem.