Desafios e Oportunidades na Formação de Mulheres para o Esporte: Um Estudo de Caso no Ensino de Lutas
Por Ramelly Sophia Santos Carneiro (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A participação feminina em modalidades de luta é historicamente marcada por desigualdades estruturais e simbólicas, que influenciam o acesso, a permanência e a formação profissional de mulheres na Educação Física. A Teoria Sociocognitiva da Carreira (SCCT), fundamentada na Teoria Social Cognitiva de Albert Bandura, contribui para compreender como crenças de autoeficácia, modelagem social e agência impactam a atuação profissional. Nesse contexto, investigar a experiência de monitoras em um projeto de lutas permite compreender como a vivência pedagógica influencia a percepção de competência e pertencimento.Objetivo:Analisar como a presença e atuação de monitoras em um projeto de lutas influenciam a dinâmica pedagógica e a construção da autoeficácia profissional de mulheres em formação em Educação Física. Metodologia:Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter interpretativo, baseada na Observação Participante com registros em Diário de Campo. O diário foi estruturado a partir de indicadores previamente definidos: Gênero (GEND), Postura e liderança (POST), Autoeficácia (AUTO) e Linguagem e interação (LANG). A análise foi realizada por meio da Análise Temática Reflexiva, conforme Braun e Clarke (2006), envolvendo familiarização com os dados, codificação inicial e construção e revisão de temas, com interpretação em nível latente articulada à SCCT. Resultados:A análise evidenciou dinâmicas implícitas de poder, distribuição de protagonismo e processos de construção da autoeficácia feminina no contexto esportivo, revelando cinco temas centrais: Invisibilização inicial do protagonismo feminino;Presença feminina como elemento organizador; Liderança mediadora e gestão de conflitos;Estrutura de gênero e distribuição de poder;Construção da auto eficácia profissional .considerações finais:O projeto de lutas configura-se como espaço de reprodução e transformação. Apesar de persistirem desigualdades no protagonismo, a atuação feminina demonstrou impacto na organização pedagógica, mediação de conflitos e engajamento discente. A vivência prática mostrou-se fundamental para a construção da autoeficácia profissional, atendendo ao objetivo proposto.