(Des)construção de identidades negras na escola: percepções vivenciadas em escolas públicas na região centro-oeste do Brasil
Por Érica da Silva Pinto (Autor), Raimundo Nonato Assunção Viana (Autor), Willian Costa Rosa (Autor).
Resumo
A escola é um espaço fundamental na construção da identidade dos estudantes, pois é nela que ocorrem interações sociais significativas e que são transmitidos conhecimentos que moldam a percepção de si e do outro. Neste sentido, compreendemos que a escola é um espaço onde estamos propensos a aprender para além dos conteúdos formais, compartilhando hábitos, crenças, bem como preconceitos. Partindo destas afirmações compreendemos que a escola, mesmo sendo um espaço de diversidades, ainda é um ambiente onde a identidade negra é enfraquecida, desvalorizada e colocada à margem. Esta inquietação, pessoal e acadêmica, perpassa por vários cenários; das experiências enquanto aluna e professora na Educação Básica, onde já me questionava: Onde estavam os meus pares na escola? Onde estão/estavam meus colegas e professores negros? Onde estavam os cabelos iguais ou parecidos com os meus? Porque eu alisei o cabelo? A partir das inquietações supracitadas, debruço-me neste momento sobre a Lei nº 10.639/2003, esta que, estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afrobrasileira nas escolas (Brasil, 2003), buscando valorizar a identidade negra e combater o racismo estrutural. No entanto, a implementação dessa lei ainda enfrenta dificuldades. Estando no chão da escola, percebemos que poucos professores se movimentam no intuito de abordar essa temática em suas aulas, projetos e atividades docentes. Assim, pouco se vê sobre história e cultura africana e afro-brasileira ao longo do ano letivo.