Desenvolvimento Psicológico de Atletas, Treinadores/as e Árbitros/as no Futebol e Futsal: Revisão Integrativa
Por André Vinicius Soares Locce da Silva (Autor), Manoella Fiochi-Marques (Autor), Paula Teixeira Fernandes (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A preparação no futebol e futsal tem se tornado cada vez mais interdisciplinar, no entanto, a compreensão da Psicologia do Esporte entre profissionais dessas modalidades ainda é limitada. Esse desafio não se limita aos atletas, mas também se estende a outros agentes envolvidos no fenômeno esportivo, como treinadores/as e árbitros/as, cujas condições psicológicas podem influenciar seu desempenho e, consequentemente, os resultados das partidas. Isso dificulta o atendimento adequado às demandas dos clubes e limita a influência positiva sobre o desempenho e o bem-estar desses agentes. Objetivo: abordar os principais temas da Psicologia do Esporte no Futebol e no Futsal, identificando respostas e possíveis lacunas na literatura que contribuam para avanço da área. Métodos: realizamos a revisão integrativa nas bases de dados Scielo, PubMed e SportDiscus, avaliando artigos publicados nos últimos 5 anos, em português e inglês, com os descritores futebol, futsal, Psicologia do Esporte e Psicologia. Resultados: selecionamos 58 estudos científicos, categorizados em artigos de revisão, intervenção e avaliação. Observamos a predominância de estudos sobre ansiedade, fadiga mental e coesão de grupo, abrangendo um total de 30 aspectos psicológicos. Destaca-se a carência de estudos exclusivos do sexo feminino e da modalidade Futsal. Além disso, outros agentes relevantes no contexto esportivo, como treinadores/as e árbitros/as também carecem de estudos mais aprofundados, evidenciando uma lacuna na literatura que poderia ser melhor explorada. O Brasil destacou-se como o país com maior número de publicações na área, com 17 trabalhos acadêmicos, sendo 12 com foco em futebol, 4 em futsal e 1 abrangendo ambos os esportes. Conclusão: embora as temáticas estudadas sejam relevantes, outros aspectos psicológicos que afetam o desempenho e o bem-estar de atletas, treinadores/as e árbitros/as precisam ser mais explorados. A Psicologia do Esporte tem o potencial de influenciar positivamente não apenas o desempenho, mas também o cuidado com a saúde mental e a longevidade das carreiras esportivas. A integração de intervenções psicológicas com treinamentos físicos, técnicos e táticos é essencial para o desenvolvimento integral de atletas. Além disso, os clubes brasileiros de futebol e futsal carecem de planejamento psicológico estruturado, limitando seu impacto no esporte. Esse distanciamento entre a prática profissional e o conhecimento científico resulta na subutilização das habilidades envolvidas na Psicologia do Esporte, limitando seu impacto no cenário esportivo nacional. Futuras pesquisas devem ter como foco as habilidades psicológicas menos exploradas, fortalecendo-as como pilares de desenvolvimento integral, objetivando sucesso esportivo no Brasil.