Resumo

No contexto das práticas esportivas desenvolvidas nas aulas de Educação Física escolar, ainda predomina, em muitos casos, uma compreensão centrada no desenvolvimento de habilidades técnicas. Entretanto, essas aulas não se restringem à dimensão técnico-motora, constituindo-se também como espaços de produção de relações sociais. No jogo, emergem disputas simbólicas por reconhecimento, liderança e protagonismo, que contribuem para a construção de hierarquias entre os estudantes e podem desencadear processos de exclusão ou de participação marginalizada. OBJETIVO: A pesquisa teve como objetivo analisar como relações de poder, hierarquias e processos de exclusão se manifestam nas práticas de esportes coletivos de invasão nas aulas de Educação Física escolar. METODOLOGIA: Trata-se de uma Pesquisa de intervenção educacional de abordagem qualitativa, realizada com estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal de Marília (SP), Brasil. Fundamentou-se na antropologia interpretativa e no conceito de descrição densa de Clifford Geertz, incluindo a observação participante, registros em diário de campo e grupos focais. RESULTADOS: Os resultados evidenciaram a presença de hierarquias simbólicas no interior das equipes, frequentemente associadas ao domínio técnico e ao protagonismo nas ações de jogo. Observou-se a frequência de comportamentos individualistas e a centralização das decisões por parte de determinados alunos característica relacionada, à figura do estudante denominado "fominha". Essas dinâmicas produziram desequilíbrios de participação, nos quais alguns estudantes assumiam posições de liderança, enquanto outros permaneciam em papéis marginalizados, envolvendo-se menos nas ações do jogo. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados indicam que o jogo esportivo escolar é atravessado por disputas simbólicas que condicionam as formas de participação dos estudantes. A leitura interpretativa dessas interações reforça a necessidade de intervenções pedagógicas capazes de problematizar as hierarquias presentes no jogo, ampliar as oportunidades de participação e favorecer experiências mais democráticas no ensino do esporte.

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