Resumo

A expansão das plataformas de apostas esportivas no Brasil tem sido analisada a partir de impactos econômicos, regulatórios e psicossociais. Este artigo propõe deslocamento desse debate ao investigar o papel do futebol na naturalização da prática. Parte-se da hipótese de que a consolidação das bets não pode ser explicada apenas pela intensificação da publicidade ou expansão tecnológica das plataformas, mas pela articulação entre futebol, midiatização e plataformização. O objetivo é compreender como a experiência de consumo cria condições favoráveis para a incorporação das apostas ao cotidiano. A partir de pesquisa teórica ancorada na Economia Política da Comunicação (EPC) e em estudos de midiatização e plataformização, argumenta-se que o fenômeno advém de um aprofundamento de transformações anteriores que já haviam reconfigurado o futebol como prática social e cultural. A plataformização reorganiza a experiência por meio de infraestruturas digitais que articulam participação contínua, coleta de dados e transações em tempo real. Assim, as apostas deixam de ocupar posição periférica em relação ao jogo e passam a integrar a experiência de torcer. Conclui-se que o futebol opera como infraestrutura cultural das bets, fornecendo vínculos afetivos, legitimidade simbólica e formas de engajamento que favorecem a naturalização da aposta como extensão do consumo esportivo contemporâneo. 

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