Docência na iniciação esportiva futebolística: entre a cruz e a espada das racionalidades técnica e prática na pedagogia do esporte
Por Luís Felipe Nogueira Silva (Autor), Alcides José Scaglia (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
O presente resumo analisa, à luz da Pedagogia do Esporte e da Filosofia da Ciência, as configurações de racionalidades que orientam a atuação de professores/as de futebol na Iniciação Esportiva. Método: Participaram 5 docentes brasileiros que atuam na Iniciação Esportiva voltada ao futebol no Estado de São Paulo. Utilizou-se a triangulação de dados para articulação dos resultados colhidos a partir de questionário epistemológico de Silva; Leonardo; Scaglia (2021), entrevistas semi-estruturadas e análises da prática pedagógica reportadas em diário de campo. Resultados: observou-se que tais profissionais transitam entre referenciais híbridos que revelam a permanência estrutural daracionalidade moderna na organização da experiência pedagógica. De um lado, persistem traços neotecnicistas herdeiros da racionalidade técnica, expressos na busca por controle, previsibilidade e eficiência da ação pedagógica, na fragmentação do ensino e na compreensão da aprendizagem como resultado de estímulos comportamentais e correções progressivas. Do outro, a racionalidade prática é evidenciada pela incorporação de elementos associados ao interacionismo pedagógico, tecidas pela descentralização do ensino e tentativa de produzir situações pedagógicas dinâmicas sob a égide do cognitivismo metodológico. O jogo é mobilizado como recurso metodológico direcionado ao "esportear", e não compreendido em sua densidade ontológica, polissêmica e ecológica como fenômeno cultural -evidenciando uma espécie de "interacionismo ingênuo". Conclusão: Tal cenário expressa uma modernização discursiva sem ruptura epistemológica, revelando os limites da racionalidade prática, que sustenta o conceito de Pedagogia do Esporte formulado por Galatti, et al. (2014), sintoma da modernidade reflexiva. Nela, o jogo é reduzido a instrumento didático, obscurecendo sua potência como forma de experiência humana e produção de sentido. A superação desse quadro exige o aprofundamento crítico das epistemologias da práxis que orientam o ensino do futebol -e da própria Pedagogia do Esporte, em favor da reconfiguração de horizontes à luz da racionalidade crítica e da Dimensão Ecológica.