Ecofeminismo na formação docente: corpos, gênero, cuidado e justiça socioambiental na educação escolar
Por Angelita Belo (Autor).
Resumo
Este artigo apresenta uma reflexão narrativa e autobiográfica sobre os impactos da formação ecofeminista na prática docente, com base na experiência vivenciada no Mestrado Profissional em Rede Nacional para o Ensino das Ciências Ambientais (PROFCIAMB/UFPR), especialmente na disciplina Ecofeminismo: Mulher, Meio Ambiente e Ética do Cuidado. O objetivo é compreender como esses princípios influenciaram a construção de práticas pedagógicas mais críticas, inclusivas e decoloniais na educação básica. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com ênfase na escrita de si como método formativo e investigativo. Os resultados apontam para a ressignificação da prática docente, evidenciada na valorização do cuidado, da escuta sensível, dos saberes não hegemônicos e da atenção às múltiplas opressões que atravessam o cotidiano escolar. A experiência contribuiu para o fortalecimento de uma postura ética e política na atuação docente, comprometida com a justiça socioambiental e com a transformação das relações de poder na escola, apontando que formações ecofeministas transformam a prática docente e produzem impactos éticos, políticos e pedagógicos. Conclui-se que a formação ecofeminista é uma ferramenta potente para o desenvolvimento profissional docente, articulando teoria e prática em processos capazes de gerar mudanças significativas no modo de ensinar, aprender e se relacionar com o mundo.