Resumo

 A Educação Física, enquanto área de ensino e pesquisa ocupa um amplo espectro de intervenções, metodologias e perspectivas epistemológicas. Talvez isso seja fruto de uma sistêmica dificuldade na compreensão de seu objeto de pesquisa, para uns a “motricidade humana”, para outros a ação motora e aqueles que identificam como a cinesiologia do movimento humano e ainda, a cultura corporal; usualmente, vários países, adotam um destes possíveis objetos de estudo, não existindo unanimidade em relação a este problema. O objetivo deste artigo foi promover uma discussão sobre a chamada Educação Física 5.0, caracterizada pela presença cada vez mais dominante da Inteligência Artificial (IA) para realização de tarefas do cotidiano do profissional, que vão deste a elaboração de uma anamnese, um programa de treinamento para um sujeito com características específicas até análises biomecânicas complexas. Viva a tecnologia, fruto da capacidade humana em desenvolver algoritmos cada vez mais eficientes, capaz de resolver a maioria dos problemas em qualquer área do conhecimento. A hipótese que levantamos é que o problema não é a nova tecnologia, mas como ela é utilizada; de onde emergem várias dúvidas, exemplos: como desenvolver políticas públicas punitivas para quem a usa de maneira não ética? Quem define qual a ética do uso da IA? Quem legitima e valida o uso da IA? Políticos? Juízes? Professores? Alunos? Todos eles? Nenhum deles? O mercado? Outra IA? Cada uma delas com desafios importantes para quem está nesta caravana de pioneiros, afinal, somos a primeira geração a enfrentar estes novos horizontes, um terreno cheio de belezas tecnológicas que hipnotizam a maioria deslumbrada que trilha o suposto caminho de um mundo mais justo e humano. O desfecho de tal reflexão, provavelmente, ajudará a esclarecer que não é a primeira vez que a humanidade passa por situações semelhantes, com um sútil detalhe: o conhecimento e tecnológico, pode ser nosso anjo protetor, mas também nossos íncubos e súcubos. 

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