Educação Física, Motricidade Humana e Suas Dimensões Sócio-culturais
Por Edison Riuitiro (Autor).
Em Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (até 2003 Revista Paulista de Educação Física) v. 9, n 1, 1995. Da página 75 a 85
Integra
EDUCAÇÃO FÍSICA, MOTRICIDADE HUMANA E SUAS DIMENSÕES SÓCIO-CULTURAIS
Edison Riuitiro OYAMA*
RESUMO
Um dos desdobramentos da chamada "crise de identidade" da Educação Física aparece sob a forma de uma discussão sobre sua "área do conhecimento", a qual elege o movimento humano/motricidade humana como seu objeto de estudo. Porém, tal fenômeno comporta-se de maneira complexa e abrangente, fato que nos motivou a estudar especificamente sua dimensão sócio-cultural. Em relação a tal tema, supomos ser o movimento humano/motricidade humana uma das categorias responsáveis pela construção da sociedade. Justificamos tal afirmação, tratando do "advento" do homo sapiens, através da categoria trabalho, segundo uma abordagem filosófica. Ao final, estabelecemos relações entre o trabalho e a motricidade humana.
UNITERMOS: Educação Física: "crise de identidade"; Educação Física: dimensão sócio-cultural; Motricidade Humana: dimensão sócio-cultural.
INTRODUÇÃO
O conhecimento humano abarca um sentido existencial, pois nele está implicada uma incursão pelos estratos da sobrevivência e da vida. Ao desabrocharem novas perspectivas para compreensão do homem, não é infreqüente tal fato ser acompanhado de dificuldades, angústias, convulsões, conquistas, resistências, desafios, retrocessos, avanços, esperanças.
Ocorre um processo de superposição entre o passado e o presente, que se amalgamam, construindo o futuro. Sob uma perspectiva abrangente, tal episódio pode se chamar "crise", "transição", "caos". Ou, dependendo de sua universalidade e radicalidade, podemos até chamá-lo "revolução".
Vemos que essa é a situação vivida pela Educação Física1 na atualidade (caos, crise, transição, revolução), a qual abrange os aspectos acadêmico e profissional, bem como as relações da Educação Física com a sociedade como um todo.
Podemos, à guisa de um esforço, apontar os sintomas mais significativos desse caos:
1. a existência de uma confusão generalizada, na forma de uma multiplicidade infindável de acepções e interpretações diversas sobre o que é Educação Física;
2. problemas na área acadêmica, tais como a não definição e o não estabelecimento de uma área do conhecimento pertinente à Educação Física, assim como seu objeto de estudo, além dos critérios epistemológicos, científicos e filosóficos que dêem sustentação a essa área de estudos;
3. problemas na área profissional, tais como a "intromissão" e atuação de outros profissionais em esferas de competência da Educação Física, a indefinição dos conteúdos acadêmicos que sustentem a preparação profissional e o baixo reconhecimento social do profissional de Educação Física, entre outros percalços.
A crise, ou o caos da Educação Física foram gestados e emergem, grosso modo, quando da mudança de uma Educação Física vinculada à Pedagogia, ou à formação de professores de 1o. e 2o. Graus, para uma ciência e uma profissão. Em síntese, a proposta de uma área de estudos, relativa à Educação Física, supõe a existência de uma "ciência", de uma "área temática", de uma "disciplina acadêmica", entre outras, cujo objeto de estudo é a "Motricidade Humana", "movimento humano" etc... O estabelecimento dessa área de conhecimento definiria os critérios científicos, epistemológicos, filosóficos da "ciência da motricidade humana", assim como os critérios para a definição e a preparação dos profissionais, solucionando uma parte significativa de tal crise.
Em verdade, foge ao escopo deste trabalho a análise e o estudo acurados de todas as propostas acerca da área de conhecimento da Educação Física. Acreditamos, porém, que graças a essa "crise", o homem vive a descoberta de uma nova dimensão de sua existência: de sua motricidade e das implicações que esta mantém com todas as manifestações e níveis da vida.
Porém, a motricidade é um fenômeno complexo, que toca todas as dimensões da existência humana: desde o nível microscópico até o macroscópico (biológico, neuro-comportamental, sociológico, filosófico, entre outros). Em vista da complexidade e abrangência de tal fenômeno, nosso objetivo é tratar especificamente da dimensão sócio-cultural da Motricidade Humana, o que, em última análise, é estudar seus aspectos sociológicos e culturais, os quais ela engendra. Em relação a tal assunto, há estudos oriundos das áreas denominadas "Sociologia do Esporte", "Antropologia do Esporte", "Psicologia do Esporte", evidências na literatura americana relacionadas ao tema "socialização e Educação Física" e também no Brasil, com as análises da chamada tendência "crítico-superadora", entre outras.
Mesmo considerando a importância de tais estudos, nosso ensaio apontará noutra direção.
A partir de uma leitura ontológica da Motricidade Humana, exporemos uma de suas possíveis dimensões sócioculturais: participar da construção da sociedade humana. Para tanto, recorreremos a elementos da Antropologia Pré-Histórica, resgatando os primórdios da formação do homo sapiens, da cultura e da sociedade e o papel essencial que a Motricidade Humana, no e pelo elemento trabalho, teve nessa construção.
Assim, sumariamos nosso ensaio da seguinte forma:
a) em primeiro lugar, resgataremos os componentes históricos da "crise de identidade" da Educação Física e uma breve discussão acerca da área do conhecimento da Educação Física;
b) num segundo momento, a discussão sobre questões específicas a respeito da Dimensão Sócio-cultural da Motricidade Humana;
c) em seguida, abordaremos uma especialidade da Antropologia, a saber, a Antropologia Pré-Histórica, onde nos interessa o período chamado de processo de hominização;
d) após isso, trataremos do trabalho, segundo uma perspectiva filosófica e ontológica, apontando sua importância essencial no processo de hominização. Em outras palavras: tentaremos entender a importância do trabalho na "transformação do macaco em homem" e na construção da sociedade;
e) por último, analisaremos as relações entre a Motricidade Humana e o trabalho, apresentando o domínio sócio-cultural da motricidade humana, como também "construtora" da sociedade, enquanto um dos elementos essenciais da categoria ontológica trabalho;
DESENVOLVIMENTO
Aspectos históricos da crise de identidade da Educação Física
A compreensão da crise de identidade da Educação Física requer uma recapitulação histórica dos principais acontecimentos que forjaram a emergência da discussão sobre a área do conhecimento da Educação Física. Para tanto, basear-nos-emos essencialmente em duas fontes de informação: a) a primeira fonte é de Sérgio (s.d.), que situa o despontar da Ciência da Motricidade Humana em dois níveis de análise - uma "problemática geral" e uma "problemática disciplinar"- nas palavras do autor. A primeira relaciona acontecimentos macro estruturais da sociedade e sua interferência na constituição da ciência. A segunda trata da especificidade da constituição das disciplinas científicas, no caso, a Ciência da Motricidade Humana; b) a segunda fonte de informação localiza cronologicamente o problema da constituição da área do conhecimento da Educação Física a partir da segunda metade do século XIX, nos Estados Unidos da América, traçando o desenvolvimento histórico da Educação Física, até a emergência, em 1964, da proposta da "Disciplina Acadêmica".
A problemática geral e a problemática disciplinar
Sérgio (s.d, p.139-40), inspirando-se em Althusser, retoma o conceito de corte epistemológico, relacionando o advento da Ciência da Motricidade Humana à imbricação de dois níveis da realidade, que interdependem, relacionam e determinam-se: a problemática geral e a problemática disciplinar.
No seio da malha e da trama social, especialmente em relação às estruturas econômicas, sociais, políticas, filosóficas, problemas são forjados e o homem se vê obrigado a resolvê-los. Especificamente nos dois últimos séculos, acontecimentos como as "duas grandes revoluções" (Industrial e Francesa), a cultura de massas, o aumento da longevidade, a melhora da qualidade de vida, e no campo do conhecimento, a revolução freudiana, nitzscheana, entre outros (Sérgio, s.d, p.140-1). Tais acontecimentos suscitaram a ampliação dos horizontes do conhecimento, especialmente da ciência, e a necessidade de se criar uma nova ciência - a Ciência da Motricidade Humana, com o objetivo de entender a Motricidade Humana, enquanto seu objeto legítimo.
Quanto à problemática disciplinar, o autor cita os elementos intrínsecos à Ciência da Motricidade Humana, no tocante ao seu processo de construção teórica. Para o autor, a Motricidade Humana deve ser estudada segundo suas características particulares. Para tanto, essa ciência deve estabelecer critérios de cientificidade para construção dessa "nova Antropologia".
A emergência da disciplina acadêmica da Educação Física
Numa citação quase nostálgica, Newell (1990, p.127) nos diz que:
Havia um tempo em que a Educação Física era Educação Física. Ou seja: a Educação Física era reconhecida dentro do Ensino Superior, sistemas escolares e sociedade como um todo, como a educação da e através da atividade física que os indivíduos recebiam em seus anos de formação escolar, principalmente em ambientes institucionais
Ou seja: a Educação Física era reconhecida no meio acadêmico e profissional, assim como na sociedade, na forma de prática de atividades motoras, em instituições escolares de 1o., 2o. e 3o. Graus (Sage, 1984). Acrescente-se que o ingresso e a prática da Educação Física no sistema de escolarização formal, manteve íntimas relações com objetivos médicos e militares, além de educacionais, tornando-se mais um meio da Educação, a despeito da formação de um corpo de conhecimentos (Felshin, 1972; Newell, 1990). Ou, como afirma Sage (1984) "(...) não havia crise de identidade da Educação Física(...)"(p. 117), pois a Educação Física tinha claramente definidos seus aspectos de preparação (Academias Militares) e atuação profissional (processo de escolarização), além de suas relações com a sociedade. Os problemas aparecem quando começa a haver indefinições entre os aspectos acadêmico e profissional, além das múltiplas interferências entre estes e o fenômeno Esporte. Tais fatos ocorrem quando, em nível de terceiro grau, a Educação Física não irá ocupar apenas o espaço da prática de atividades motoras, integrando o processo de escolarização, mas será incorporada como mais um curso de preparação profissional, em nível universitário. Ou seja: iniciava-se um processo de preparação dos professores de Educação Física que aconteceria também na Universidade, além das Instituições Militares, estas em nível de segundo grau. Naqueles cursos de preparação profissional, iriam se formar os futuros professores de Educação Física, bem como os profissionais ligados ao Esporte. Uma das implicações de tal fato é que a qualidade do ensino da Educação Física escolarizada ficou cada vez mais comprometida, já que muitos de seus profissionais não tinham interesse nessa área de atuação.Outro problema que vale ressaltar é que, em função dos componentes históricos e pela sua própria tradição, a Educação Física esteve sempre atrelada à Licenciatura, ou seja, à preparação de professores, não constituindo um corpo de conhecimentos próprio. Assim, o objetivo precípuo dos cursos de preparação profissional de Educação Física, em nível superior ainda continuava a ser a Licenciatura. Porém, sua existência na Universidade não estava ainda respaldada por um corpo de conhecimentos que estruturasse tal prática profissional, nem a Educação Física poderia ser considerada uma ciência, em sua acepção clássica, devido à natureza e característica de seus cursos universitários. Essa situação perdurou nos Estados Unidos, sem mudanças significativas até 1963, quando nesta data, Conant publica o estudo The Education of American Teachers, tecendo sérias e contundentes críticas à preparação dos professores de Educação Física, bem como questionando sua existência no Ensino Superior. Para Conant, alguns conteúdos da Educação Física são uma "lástima", sofrendo seus profissionais de um "complexo de inferioridade" em relação a outras áreas acadêmicas (citado por Lawson, 1980).
Nas palavras do autor:
Eu estou muito impressionado pelo que tenho escutado e ouvido sobre a pós-graduação no campo da Educação Física. Se eu fosse retratar a educação de professores nos piores termos eu o faria descrevendo alguns cursos de pós-graduação em Educação Física. Para mim, a Universidade deveria cancelar os programas de pós-graduação nesta área (Conant, 1963, citado por Lawson, 1984, p.42.).
As declarações de Conant provocaram violentas e calorosas reações na Educação Física como um todo: currículos foram reestruturados, conteúdos necessários à preparação profissional buscaram fundamento nas chamadas "disciplinas mães", entre outras atitudes, que, fundamentalmente, visavam obter status acadêmico junto à Universidade. Mas a reação mais importante partiu de Henry (1982), em seu artigo "Physical Education - An Academic Discipline". Neste trabalho, o autor rebate as críticas de Conant, quanto à legitimidade acadêmica da Educação Física, afirmando ter esta um cunho científico. Ao finalizar, Henry (1982) afirma que "(...) se a Disciplina Acadêmica da Educação Física não existe, ela precisa ser inventada (...)" (p.15). O trabalho de Henry fomentou a produção de uma gama inumerável de artigos, pronunciamentos, reflexões, que essencialmente, têm procurado contribuir para a constituição de uma área do conhecimento humano, relacionada à Educação Física. Vemos, porém, que ainda não houve provas cabais da existência de uma "Disciplina Acadêmica", nos moldes propostos por Henry, a despeito do esforço despendido por muitos especialistas da área. Tentando sintetizar os problemas com que se depararam os autores, diríamos que essencialmente procuram responder sobre a natureza do objeto de estudo dessa área de conhecimento, a estrutura científica, filosófica e epistemológica, bem como dos conhecimentos que embasam a prática profissional da Educação Física. Além da questão acadêmica, imbrica-se a esta a questão profissional, cuja relação e dependência é indissociável daquela. Problemas como relegar a profissão a "segundo plano", em detrimento da área acadêmica, a qualidade da formação e atuação dos profissionais, seu baixo reconhecimento social, a relação da profissão com o mercado de trabalho, bem como a estrutura dos conhecimentos acadêmicos que a sustente, entre outros, são muitas questões ainda não respondidas satisfatoriamente. Concluímos que o desenrolar dos acontecimentos desemboca na situação de "caos", citada por Newell. Queiramos ou não, ainda são recorrentes perguntas como "(...) Quem somos nós? Para onde estamos indo? e Qual o Futuro da Educação Física?" (Newell, 1990, p.228). Vemos que a Educação Física ainda tem um longo caminho a percorrer, no tocante à resolução de seus problemas. E quanto às perspectivas apresentadas, quer sejam de Sérgio, ou de Henry e os caudatários de ambos, ainda são incipientes as respostas em relação à crise da Educação Física. Asseveramos, porém, que em essência, ambas as posturas tratam de um mesmo problema: a constituição de uma área do conhecimento humano. Mesmo partindo de referenciais teóricos distintos, o objetivo dos autores é envidar esforços para o alargamento das fronteiras do conhecimento. Nesse sentido, solidarizamo-nos com a possibilidade do "nascimento" de uma nova área de estudos. Acreditamos que, numa perspectiva abrangente, o homem descobre novos horizontes do saber. Descobre que a motricidade é um dos seus elementos constituintes essenciais e que esta pode ser o objeto legítimo de uma nova área de estudos. Descobre que a motricidade encerra infinitos, múltiplos e complexos níveis e dimensões do real. Fugiria aos objetivos deste trabalho estudar todos os níveis da motricidade humana. Assim, na esteira da discussão acerca da constituição da Ciência da Motricidade Humana, a seguir trataremos da dimensão sócio-cultural da Motricidade Humana.
A dimensão sócio-cultural da Motricidade Humana
A emergência, tanto da "crise de identidade", quanto da "área do conhecimento" da Educação Física, tem levado o homem a refletir e a descobrir novos horizontes, em relação ao conhecimento e à sua existência. Por mais óbvio que seja, talvez nunca tenhamos nos conscientizado plenamente de um fato evidente: nós nos movemos. E mais do que isso, a percepção de que o movimento é um atributo da vida e vice-versa. Tal fato nos permitiu assumir a Motricidade Humana (ou o movimento humano) como um objeto legítimo de estudo, estudando-o em suas múltiplas dimensões e níveis implicados no fenômeno vida. Muito mais que um elemento biológico ou físico, a motricidade é essencial aos domínios psicológico, sociológico, político, antropológico, entre muitos outros. Porém, foge ao escopo deste trabalho o estudo de todas essas dimensões. Limitamo-nos assim, à dimensão sócio-cultural da Motricidade Humana.
Em relação a tal assunto, abundam estudos em nossa área:
Há pesquisas provenientes das chamadas "subdisciplinas" Sociologia do Esporte, Antropologia do Esporte, Psicologia do Esporte, que se caracterizam pela análise do fenômeno Esporte à luz das "disciplinas mães". Existem também evidências na literatura americana, relacionadas ao tema "socialização e Educação Física", o qual estuda o potencial de socialização que a Educação Física encerra, no tocante à integração ou mediação das relações sociais. E finalmente, podemos localizar estudos de cunho sociológico no Brasil, por exemplo, na chamada linha "crítico-superadora". Inferimos que tais trabalhos (além de outros existentes), primam ora pelo estudo sociológico, político ou antropológico dos fenômenos Educação Física, Esporte, ou outros. E ora pelo estudo desses fenômenos, ou da Motricidade Humana, enquanto elementos integradores ou mediadores das relações sociais. De fato, essas são algumas das dimensões sócio-culturais da Educação Física e da Motricidade Humana, porém, nossa hipótese é que, muito mais do que ser um elemento de integração e de interação entre indivíduos, a Motricidade Humana é um dos elementos essenciais na construção da sociedade. Para comprovar nosso raciocínio, recorremos aos estudos de Antropologia Pré-Histórica, situando-nos no período em que ocorreu a formação do homo sapiens, da sociedade e da cultura humanas. Vemos que no processo de hominização, um elemento essencial para o advento do homem e da sociedade foi a categoria trabalho, tomada em sua acepção filosófica e ontológica. Em relação à Motricidade Humana, a vemos como um dos elementos essencias da categoria trabalho - ela está presente nele, participa dele, imbrica-se a ele - a ponto de afirmarmos que a motricidade assume também a dimensão de uma categoria ontológica. Dessa forma, assim como o trabalho, a motricidade participa e é um dos elementos essenciais na construção do homem e da sociedade.
Buscamos assim, expor uma das possíveis dimensões sócio culturais da Motricidade Humana.
O processo de hominização
O processo de hominização foi uma verdadeira revolução, que demorou milhões de anos, atingindo absolutamente todas as esferas da existência humana, em todos os sentidos, graus, profundidade, expressões e dimensões. É ao final de tal processo que aparece o homo sapiens. Nele, dizemos que aconteceu a "transformação do macaco em homem". Porém, tal ocorrência não tem somente o caráter biológico, mas um significado, abrangência, profundidade e importância, que ainda estamos longe de avaliar completamente.
Como afirma Morin (1979), "(...) o homo sapiens é o resultado de um muito complexo e longo processo de hominização (...)" (p.60)
Para termos uma idéia da duração de tal processo, recorremos à cadeia da evolução da vida:
Estima-se que a vida iniciou no Período Primário, entre as Eras Azóica e Arqueozóica, entre 2.000 e 1.500 milhões de anos. O aparecimento dos mamíferos primitivos ocorreu no Período Secundário, no Cretáceo, há 135 milhões de anos. O processo de hominização ocorreu entre o Período Terciário e Quaternário, entre 12 e 2 milhões de anos, quando do aparecimento dos primeiros Australopitecos. E o homo sapiens apareceu há cerca de 20.000 anos a.C. (Melo, 1987). O "substrato" da hominização foi o conjunto de todas as capacidades, potencialidades e habilidades adquiridas ao longo da evolução da vida e todas sujeitas às leis desta última. Segundo a Paleontologia Funcional, houve sucessivas etapas evolutivas, cronológicas e sistemáticas, e que gradativamente houve uma "ascensão", do ponto de vista da evolução, iniciada com os peixes, até atingir os seres antropomorfos2. A classificação de tais etapas fundamenta-se nas diferenças funcionais adquiridas em cada nova "linha evolutiva", relacionadas basicamente à estrutura do eixo de sustentação (coluna vertebral), à cerebralização à suspensão craniana, à dentição e à capacidade de preensão dos membros superiores.
Segundo a "(...) ordem cronológica e sistemática das Ciência Naturais (...)", Leroi-Gourhan (s.d., p.44) examina:
o ictiomorfismo - equilíbrio no meio aquático - (peixes)
o anfibiomorfismo - primeira libertação em relação à água - (anfíbios)
o sauromorfismo - vida em terra, "libertação" da cabeça, suspensão craniana - (répteis)
teromorfismo - aquisição da locomoção quadrúpede elevada - (mamíferos)
pitecomorfismo - aquisição da posição sentada - (macacos)
antropomorfismo - características funcionais essenciais: posição bípede, cerebralização, preensão manual.
Assim, até o aparecimento dos primeiros seres antropomorfos, certas classes de animais evoluem, diferenciam-se e desenvolvem características funcionais que desembocam no "advento" dos antepassados do homem. Dessa forma, a hominização só foi possível graças ao "substrato biológico" - as estruturas anatômicas, funcionais e outras - adquiridas, transformadas e aperfeiçoadas ao longo de bilhões de anos. Porém, se até agora traçamos em linhas gerais a evolução e chegamos nos pré-requisitos biológicos essenciais e necessários ao aparecimento do homem, ao tratarmos da hominização propriamente dita, situamo-nos efetivamente no "Enigma do Homem", como diz Morin. Nossa "longa infância" foi o resultado da interação, transformação, complexificação de todos os elementos intrínsecos e extrínsecos aos seres antropomorfos. Não foi um processo linear, mas provavelmente um incansável movimento de conquistas e retrocessos, de extinção e criação de espécies, aperfeiçoamento e desenvolvimento.
Para Morin:
(...) são as múltiplas relações mútuas, interações, interferências entre os fatores genéticos, ecológicos, práxicos (...), cerebrais, sociais e, depois, culturais que vão permitir conceber o processo multidimensional da hominização, o qual vai provocar, finalmente, o aparecimento do homo sapiens.
Isso nos indica que a hominização não poderia ser concebida somente como uma evolução biológica, nem somente domo uma evolução espiritual, nem somente como uma evolução sociológica, mas sim como uma morfogênese complexa e multidimensional, resultado das interferências genéticas, ecológicas, cerebrais, sociais e culturais (1979, p.61).
Esquematicamente:
São transformações e processos absolutamente imbricados, que não podem ser reduzidos ou sintetizados num único eixo, mas devem ser considerados numa interdependência múltipla, complexa, diversificada. A rigor, nesse período ainda não existe a raça homo sapiens. Seu aparecimento data aproximadamente de 25.000 anos a.C. e dos primeiros Australopitecos de dois milhões de anos Melo (1987, p.135). Presume-se, assim, um intervalo de pelo menos 1,5 milhões de anos, até o aparecimento do homem propriamente dito. Neste momento, cabe-nos a análise de um elemento essencial nessa transformação - o trabalho. A aquisição, desenvolvimento, aperfeiçoamento, transformação de múltiplas habilidades e capacidades, em todas as esferas da existência, teve como um dos componentes essenciais o trabalho. Para entendê-lo em sua acepção universalizante, no tocante às suas relações com a vida e a sobrevivência, faremos algumas analogias: Há um conjunto de condições biológicas que caracterizam a vida e sua perpetuação, em sentido lato, como por exemplo, todas as funções biológicas vitais. Porém, a satisfação dessas necessidades essenciais necessariamente acontecem, no caso dos animais, através de sua interação direta com a natureza. O que acontece, especificamente, com os seres antropomorfos, é que, através dos processos evolutivos antes descritos, aqueles adquirem uma bagagem biológica, anatômica e funcional diferenciada (capacidade de preensão, bipedia, dentição, cerebralização). Na sua simbiose com a natureza, com o objetivo de sobreviverem, passam em algum momento a interagir de forma diferenciada com a natureza, não mais simplesmente extraindo diretamente os elementos para a perpetuação da vida, mas começam a "(...) produzir os meios de sua própria existência (...)"3(Severino, 1993, p.19). Em outras palavras, os seres antropomorfos começam a trabalhar. Assim, o trabalho enquanto parte da simbiose, da relação, da fusão homem-natureza, tornou-se a forma mais significativa de apropriação e controle do real, abrindo perspectivas e horizontes inimagináveis aos nossos antepassados. O trabalho operou uma revolução em todas as esferas da existência humana, a ponto de afirmarmos que o trabalho criou o homem, a sociedade, a cultura e a civilização. Do ponto de vista da continuidade do desenvolvimento e da evolução das características biológicas, o trabalho as aperfeiçoou e desenvolveu. Por exemplo, foi através dele que o homem progressivamente refinou sua capacidade de preensão manual, ao elaborar e necessitar cada vez mais de instrumentos mais refinados e complexos. Quanto ao cérebro, este desenvolveu-se, e além de seu "aumento" quantitativo, o trabalho possibilitou a aquisição e o desenvolvimento de capacidades simbólicas e racionais, tais como a generalização, abstração, dedução, memorização, orientação, planificação, entre outras. Modifica-se a estrutura biológica e corpórea do homem, além de suas estruturas mentais e de representação, em função da incorporação da atividade laboral em sua existência. E além das modificações orgânicas, anatômicas e funcionais que o trabalho engendra, ele é a "fonte da civilização", na medida em que a socialidade começa a acontecer, pari passu à criação da cultura, graças ao desenvolvimento da capacidade de produção material da riqueza e imbricada a esta a socialização dos instrumentos, meios e produtos do trabalho. Dessa forma, devido à sua importância no advento do homo sapiens, o trabalho será objeto de análises mais específicas4.
Trabalho e ontologia5
A compreensão do papel do trabalho no processo de hominização, vista no tópico anterior, ficaria comprometida, se não discorrermos sobre o trabalho, segundo uma perspectiva filosófica, tratando-o como uma categoria ontológica. Assim fazendo, podemos apreender como o trabalho transforma e revoluciona todas as esferas da existência humana. Para tal empreendimento, recorremos a Marx, além de outros autores, que à luz da abordagem materialista-histórico-dialética, vão analisá-lo enquanto uma categoria ontológica. Para Gould, Marx é um filósofo do porte de Hegel e Kant, na medida em que transforma a filosofia do século XIX, ao criticar toda a filosofia pregressa, sintetizando-a com uma teoria sociológica (Gould, 1983, p.7). Para a autora, o empreendimento de Marx, qual seja, a crítica da sociedade capitalista, fundamentou-se numa ontologia social, sendo que um dos elementos essenciais de tal estudo foi a categoria trabalho. Segundo Savtchenko (1987, p.9-14), o trabalho apresenta três elementos:
a) instrumentos de trabalho, ou seja, todos os elementos que o homem utiliza para execução da atividade de trabalho. Por exemplo, as ferramentas e máquinas;
b) meios de trabalho, que são os elementos que, durante o processo de trabalho, sofrerão transformação. Por exemplo, as matérias primas;
c) força de trabalho, fruto do dispêndio de nervos, músculos, energia do trabalhador, que transforma os meios de trabalho, em objetos úteis à sobrevivência.
Os instrumentos de trabalho, juntamente com os meios de trabalho, são chamados de meios de produção e os meios de produção, mais a força de trabalho, compõem as forças produtivas da sociedade. Porém, mais do que esses elementos pontuais, o trabalho toca em todas as esferas da existência humana, quer se trate do trabalho individual ou da sociedade como um todo. É um elemento que transforma, revoluciona, sintetiza e cria o homem, a natureza e a sociedade. É o elemento que dá ao homem, sua característica de ser histórico, construtor de sua existência. É o eterno metabolismo, simbiose, interação, mediação entre o homem e a natureza, cuja essência é a sobrevivência. De fato, o trabalho compreende uma "... síntese de múltiplas determinações, logo, a unidade da diversidade."6 (Marx, ed. 1977) , pois nele estão presentes a objetivação, a teleologia, a historicidade e o devir. Ao trabalhar, o homem "(...) põe em movimento as forças naturais pertencentes à sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mãos a fim de apropriar-se da matéria natural na forma útil para sua própria vida" (Marx, ed. 1985, p.149). Assim, o homem se coloca corporalmente, fisicamente, mas também existencialmente, racionalmente. Ao agir no objeto de trabalho, objetiva sua existência naquele. Objetiva-se, assim, positivamente. O agente personifica-se no objeto e este sofre tanto a objetivação quanto a personificação do agente. Além disso, simultaneamente e imbricado a esse processo, ambos se transformam - objeto e agente. O primeiro que transforma o objeto e igualmente o segundo, que transforma o agente. Encerra-se uma dupla positividade. Porém, ambos se negam simultaneamente. A ação do trabalho nega todas as outras possibilidades de ação, bem como o objeto nega todas as outras possibilidades de uso de outros objetos. Em suma: o trabalho sintetiza uma positividade e negatividade, dúplices e simultâneas, uma "contradição em ato", em todos os pólos de sua expressão (negatividade/positividade), que se complementam e só operam dessa forma justamente por sua paradoxalidade. Além da objetivação, a atividade apresenta um conteúdo teleológico, pois o agente planeja, racionaliza e transforma o objeto, visando apropriar-se dele para seus fins e propósitos. Estes se objetivam no objeto, na medida em que o agente se personifica intencionalmente nele. Por seu turno, o objeto se realiza, ao ser apropriado pelo agente. Há uma dupla realização: do agente e do objeto, que se objetivam mutuamente na apropriação final do objeto pelo agente. Nessa "síntese de múltiplas determinações", o agente realiza, conscientiza, transforma, objetiva a si mesmo e descobre novas capacidades e habilidades na relação com o real, ao atuar no e com o objeto. É uma auto-realização, que transcende o sujeito e apreende o objeto, na medida em que vai descobrindo as infinitas possibilidades e potencialidades da concretude material adormecidas tanto na natureza quanto no sujeito. Nesse sentido, o trabalho também constrói a historicidade, já que esse eterno devir é uma constante descoberta e ao mesmo tempo construção da existência humana. Nossa exposição pode ser enganosa, ao dar margem a uma abstração que localiza os conteúdos ontológicos do trabalho na relação dicotômica sujeito/objeto. Em verdade, estes se sintetizam. Seria duplamente enganosa se não ressaltasse que o trabalho é uma das essências da socialidade. Ou seja: todos os elementos expostos (objetivação, teleologia, historicidade), não acontecem no âmbito individual apenas, mas universalizam-se em todas as dimensões do indivíduo e do corpo social. O trabalho é, assim, uma categoria social.
Relações entre Motricidade Humana e trabalho
Conceber a Motricidade Humana como um dos elementos de "construção" da sociedade, requer que nos situemos temporalmente no processo de hominização antes citado, bem como no embasamento sobre a análise do papel do trabalho no "advento" do homem, da sociedade e da cultura. Vimos que o trabalho, numa concepção filosófica e ontológica, é um elemento essencial à sobrevivência, pelo fato de ser responsável pelo provimento das necessidades de perpetuação da vida. Porém, muito mais do que isso, o trabalho atinge todas as esferas e dimensões do ser, transcendendo o indivíduo, atingindo o corpo social. Além disso, o trabalho implica num processo de construção histórica do homem, na objetivação, racionalização, planejamento e devir. Assim, repetimos: à luz da análise histórico-dialética-materialista, o trabalho é o "construtor" do homem e da civilização. Sintetizam-se a dimensão abstrata e idealizada da existência do homem - o conhecimento, a "idéia", o "espírito" - e a dimensão material - a concretude no provimento da sobrevivência. Apontamos que a Motricidade Humana é um elemento presente, intrínseco a tal processo. Assim como o trabalho, aquela parece ser uma categoria ontológica, também assumindo as características de historicidade, teleologia, devir, objetivação, racionalidade e planejamento. Nesse sentido, ambos - a motricidade e o trabalho - são um e só elemento. Ambos contêm ao mesmo tempo as dimensões idealizada e material do homem. A motricidade é uma expressão concreta e fatual, é a síntese da objetivação, teleologia, historicidade e devir. Nela, o homem objetiva-se ideal e materialmente, num ato racionalizado e planejado, com fim teleológico. Tal objetivação constrói a historicidade, num devir de criação/destruição eternos. O homem, na sua simbiose, interação com o meio ambiente, cujo intuito é sua perpetuação (em síntese, o trabalho), além de pôr em ação suas forças corporais presentes em tal ato, impõe-se não apenas corporalmente, mas em pensamento e "espírito". Ou seja: além de todos os mecanismos físicos, biológicos e comportamentais, tal ação pressupõe e impõe o raciocínio, a ação planejada e consciente. Além disso, o processo universaliza-se no âmbito cultural e social. E, simultaneamente, num processo complexo e dinâmico, a motricidade sofre incessantes e inexoráveis transformações, tanto a nível do indivíduo, quanto da sociedade, onde ambos, em mútua interdependência, simultaneidade e duplicidade, transformam e constroem a existência humana nas suas múltiplas dimensões. Nesse sentido, a motricidade cria e é criada pela cultura e pela sociedade. Finalmente, ressaltamos que o estudo de tal processo limitou-se aos primórdios da criação do homem e dos grupos humanos. Em verdade, o trabalho e a motricidade, intrínsecos ao processo de transformação, desenvolvimento e complexificação da humanidade, continuam a ser os elementos de construção da sociedade e da cultura. Porém, um estudo que objetivasse explicar e acompanhar tal processo imporia a inclusão de outros conteúdos, empreendimento que não nos cabe no momento.
CONCLUSÃO
Iniciamos este ensaio falando sobre desafios. O desafio de viver um momento de crise e transição e as perspectivas suscitadas por tal situação. Esse parece ser o papel da Educação Física hoje: interpretar, refletir e agir, na tentativa de ascender a níveis quanti e qualitativamente superiores na existência humana.
Nesse sentido, entender o "homem em movimento", as múltiplas dimensões e implicações de tal fato torna-se imperioso, necessário e premente. Mesmo conscientes de tal dificuldade, propusemo-nos a estudar uma de suas dimensões: a sócio-cultural. Se, em tal tarefa, nos foi possível trazer alguma reflexão ou contribuição à Educação Física, é para nós uma gratificação.
ANEXO 1
"EDUCAÇÃO FÍSICA" (CINESIOLOGIA) - significado do termo (José Guilmar Mariz de Oliveira, São Paulo, 1994 - comunicação pessoal).
1. NÍVEL INDIVIDUAL/PESSOAL OU ENTENDIMENTO SOCIAL
domínio (acúmulo, sistematização) de conhecimentos teóricos e práticos sobre a motricidade humana (movimento humano), os quais possibilitam o ser humano a (a) otimizar suas possibilidades e potencialidades para mover-se genericamente ou especificamente, de forma harmoniosa e eficaz, e (b) capacitar-se para, em relação ao meio em que vive, adaptar-se, interagir, e transformá-lo, sempre na busca de uma melhor qualidade de vida.
2. NÍVEL ACADÊMICO/UNIVERSITÁRIO/PESQUISA / PREPARAÇÃO PROFISSIONAL
área (temática) do conhecimento caracterizada pelo estudo (entendimento, explicação, implicações ...) da motricidade humana (movimento humano), com o objetivo de produzir e disseminar conhecimentos que possibilitem o ser humano a (a) e (b)...
3. NÍVEL DE EDUCAÇÃO ESCOLARIZADA
componente educacional/curricular com o objetivo de disseminar conhecimentos (sistematizados e acumulados) teóricos e práticos sobre a motricidade humana (movimento humano), que possibilitem o ser humano a (a) e (b)...
4. NÍVEL DE EDUCAÇÃO NÃO ESCOLARIZADA
componente educacional/cultural relacionado com a disseminação de conhecimentos (sitematizados e acumulados) teóricos e práticos sobre a motricidade humana (movimento Humano), que possibilitem o ser humano a (a) e (b)...
5. NÍVEL DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL
5.1. Atuação junto a segmento da Educação Escolarizada
Primeiro Grau, Segundo Grau = (HABILITAÇÃO, LICENCIADO)
Universidade = (MESTRE, DOUTOR)
5.2. Atuação junto a segmentos da Educação Não-Escolarizada
Instituições e empreendimentos (públicos, particulares), empresas, mídia (jornal, revista, rádio, televisão) = (BACHAREL).
ABSTRACT PHYSICAL EDUCATION, HUMAN MOVEMENT AND THEIR SOCIAL AND CULTURAL DIMENSIONS
One aspect of the so called "identity crisis" of Physical Education concerns to the scope of its "field of knowledge". The problem is how to structure such field regarding the subject matter human movement, which is complex, hence presenting multiple dimensions. In regard to this issue our aim is to focus carefully on movement’s social and cultural dimensions. We propose from a philosophical stand point that human movement played a major part in the construction of society. In this sense, the role of labor is discussed in the origins of homo sapiens. Finally, the relationships between labor and human movement are considered.
UNITERMS: Physical education: social and cultural dimensions; Human movement: social and cultural dimensions; Physical education: identity crisis
NOTAS
1. Ver ANEXO 1.
2. Antropomorfo: segundo André Leroi-Gourhan, O gesto e a palavra, p.218, antropomorfismo quer dizer "com a forma de homem", em sentido anatômico e funcional, diferentemente dos macacos.
3. Infelizmente, o momento exato, onde, como e porquê isso aconteceu, ainda é uma incógnita.
4. Quanto a obras relacionadas ao presente tópico, consultar também:
Friedrich Engels, Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem. In: Karl Marx & Friedrich Engels, Textos, São Paulo, Edições Sociais, 1977. v.1. Alexis Leontiev, L’homme et la culture. In: Jacques Rouyer; Alexis Leontiev et alii, Sport et developpement humain, Paris, Éditions Sociales, 1977. Vítor da Fonseca, Da filogênese à ontogênese da motricidade, Porto Alegre, Artes Médicas, 1988. cap. 5. 5. Ontologia: "(...) parte da Filosofia que trata do ser enquanto ser, isto é, do ser concebido como uma natureza com que é inerente a todos e a cada um dos seres (...)". In: Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, p.999. 6. Originalmente, este trabalho consta dos Manuscritos Econômico-Filosóficos, mas nesta tradução foi inserido na Contribuição para a Crítica da Economia Política.
Referências Bibliográficas
Felshin, J. More than movement: an introduction to physical education. Philadelphia, Lea & Febiger, 1972.
FERREIRA, A.B.H. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s.d. p.999.
Gould, C.G. Ontologia social de Marx. México, Fondo de Cultura Econômica, 1983.
Henry, F.M. Physical education: an academic discipline. In: BROOKS, G.A., ed. Perspectives on the academic discipline of physical education. Champaign, Human Kinetics, 1982.
Lawson, H.A. Invitation to physical education. Champaign, Human Kinetics, 1984.
Leroi-Gourhan, A. O gesto e a palavra. Lisboa, Edições 70/São Paulo, Martins Fontes, s.d.
Marx, K. Contribuição para a crítica da economia política. Trad. de Maria Helena Barreiro Alves. Lisboa, Ed. Estampa, 1977/ São Paulo, Mandacaru, 1989.
_____ O capital: crítica da economia política. Trad. de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 2.ed. São Paulo, Nova Cultural, 1985. (Os Economistas).
Melo, L.G. Antropologia cultural: iniciação, teoria e temas. Rio de Janeiro, Vozes, 1987.
Morin, E. Enigma do homem. Rio de Janeiro, Zahar, 1979.
Newell, K.M. Physical education in higher education: chaos out of order. Quest, v.42, 1990.
Sage, G.H. The quest for identity in college physical education. Quest, v.36, 1984.
Savtchenko, P. O que é o trabalho? Moscou, Progresso, 1987.
Sergio, M. Para uma epistemologia da motricidade humana. Lisboa, Compendium, s.d.
Severino, A.J. Filosofia. São Paulo, Cortez, 1993.
Agradecimentos: à preciosa colaboração prestada pela Srta. Deise, do Laboratório de Comportamento Motor, da EEF-USP; aos acadêmicos Mônica Yuri Takito e Rui de Souza Jr. e aos Professores Alexandro Luiz França, José Roberto Rosa Jr. e Marcos Roberto Noggerini, todos do Grupo de Estudos de Dimensões Sociológicas da Motricidade Humana, da EEF-USP, pelas críticas e sugestões; aos Professores Edison de Jesus Manoel, José Guilmar Mariz de Oliveira, Michael Warnke e Vitor Henrique Paro, pelas críticas e sugestões.
ENDEREÇO: Edison Riuitiro Oyama Av. Prof. Mello Moraes, 65 05508-900 - São Paulo - SP - BRASIL