Efeito das “doses de exercícios" sobre a aptidão física e a saúde cardiometabólica em indivíduos fisicamente inativos: revisão sistemática e meta-análise
Por Miguel Ángel Rodríguez (Autor), Marcos Quintana-Cepedal (Autor), Boris Cheval (Autor), Cecilie Thøgersen-Ntoumani (Autor), Irene Crespo (Autor), Hugo Olmedillas (Autor).
Resumo
Objetivos: Avaliar os efeitos de breves períodos de exercício distribuídos ao longo do dia, denominados “exercise snacks”, sobre a aptidão cardiorrespiratória e muscular, bem como sobre desfechos de saúde cardiometabólica, em adultos fisicamente inativos e idosos (≥65 anos).
Escopo: Revisão sistemática e meta-análise.
Fontes de dados: Sete bases de dados foram pesquisadas desde o início até abril de 2025.
Critérios de elegibilidade: Ensaios clínicos randomizados (ECRs) com adultos e idosos, comparando exercise snacks com grupos controle sem exercício.
Resultados: Foram incluídos 11 ECRs (n=414; 69,1% mulheres, idade média variando de 18,7±0,8 a 74,2±5,6 anos). Os exercise snacks foram definidos como sessões estruturadas com duração ≤5 minutos, realizadas pelo menos duas vezes ao dia, ≥3 vezes/semana, por ≥2 semanas. As intervenções variaram quanto à duração (4–12 semanas), frequência (3–7 dias/semana) e intensidade (de moderada a vigorosa até próxima do esforço máximo). Os exercise snacks melhoraram significativamente a aptidão cardiorrespiratória em adultos (g=1,37; IC95% 0,58 a 2,17; p<0,005; I²=71,4%; k=6) e a resistência muscular em idosos (g=0,40; IC95% 0,06 a 0,75; p=0,02; I²=0%; k=4), com evidência de certeza moderada e muito baixa, respectivamente. Não foram observados efeitos significativos sobre a força muscular de membros inferiores nem sobre desfechos cardiometabólicos, incluindo composição corporal, pressão arterial e perfil lipídico sanguíneo. Foram observadas altas taxas de conformidade (91,1%) e adesão (82,8%).
Conclusões: Evidência de certeza moderada indica que os exercise snacks melhoram a aptidão cardiorrespiratória em adultos fisicamente inativos. Contudo, as evidências de benefícios sobre a resistência muscular em idosos são limitadas, e os dados atuais não sustentam sua eficácia para melhorar outros marcadores de saúde cardiometabólica.