Efeito do consumo agudo da erva-mate (Ilex paraguariensis) no desempenho anaeróbio de atletas com deficiência física: um ensaio clínico randomizado
Por Adriano Cañete Avalos (Autor), Guilherme de Lucas Barbosa (Autor), Raquel Medeiros Kaizer Rossignoli Barizon (Autor), Cassio Pinho dos Reis (Autor), Christianne de Faria Coelho-Ravagnani (Autor).
Em Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano v. 28, 2026.
Resumo
O aumento do nível competitivo em esportes paralímpicos tem aumentado o consumo de suplementos entre atletas com deficiência, visando vantagem competitiva. A erva-mate, principal ingrediente do tereré, apresenta potencial ergogênico, devido à cafeína em sua composição. Contudo, até o momento, seus efeitos não foram testados em atletas com deficiência física. Portanto, este estudo teve como objetivo investigar os efeitos agudos da ingestão do tereré (erva-mate infusionada em água gelada) no desempenho anaeróbio de atletas com deficiência física. Foram selecionados cinco atletas do sexo masculino (31,3 ±13,7 anos), com variadas deficiências físicas, de diferentes modalidades esportivas, que participavam ativamente de competições (≥1 ano). O protocolo incluiu três visitas à academia. Na primeira visita, foram aplicadas anamnese e orientações gerais. Nas duas últimas visitas, os atletas foram randomicamente alocados para a condição TrrEX (erva-mate tradicional) ou TrrPL (erva-mate descafeinada), e ingeriram as respectivas bebidas 60 minutos antes do teste. A ingestão dietética e de cafeína foi avaliada por meio de questionários específicos. Após 60 minutos, foi realizado o teste de medicine ball em três tentativas, seguido do teste de Wingate adaptado de 30 segundos em um cicloergômetro de braço. A ingestão do TrrEX não promoveu alteração estatisticamente significante nas variáveis potência máxima (p= 0,96), potência média (p= 0,97), potência mínima (p= 0,78), índice de fadiga (p= 0,27) e na distância arremessada pelos membros superiores no teste de medicine ball (p= 0,98) em comparação com o TrrPL. Conclui-se que a ingestão aguda de tereré não apresentou efeitos ergogênicos sobre o desempenho anaeróbio de atletas com deficiência física.