Resumo
O envelhecimento populacional brasileiro tem gerado um aumento expressivo na prevalência de doenças cardiovasculares, especialmente a hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco para mortalidade global. Nesse contexto, estratégias terapêuticas não farmacológicas como o exercício físico, particularmente o treinamento resistido (TR), têm se mostrado eficazes. Contudo, os efeitos do TR com restrição de fluxo sanguíneo (TR-RFS) sobre os parâmetros cardiovasculares de idosos hipertensos e normotensos ainda são pouco compreendidos. O objetivo deste estudo foi analisar os efeitos crônicos de um protocolo de TR-RFS sobre a pressão arterial (PA) de idosos hipertensos e normotensos, com ênfase na PA clínica e ambulatorial. A amostra foi composta por 32 idosos, divididos em dois grupos: TR-RFS hipertenso (TR-RFS-H), TR-RFS normotenso (TR-RFS-N). O protocolo de intervenção teve duração de 10 semanas, com sessões realizadas duas vezes por semana, utilizando 35% de 1- RM e 70% da pressão total de oclusão. As comparações intra-grupo das variáveis clínicas e ambulatoriais foram realizadas utilizando o teste t para dados pareados normais, ou, alternativamente, o teste de Wilcoxon pareado para distribuições não normais. Os resultados demonstraram que o TR-RFS não alterou a PA clínica no grupo TR-RFS-H, porém, promoveu redução nos valores clínicos da PA sistólica, diastólica e média, além do duplo produto no grupo TR-RFS-N. Em relação à PA ambulatorial, no grupo TR-RFS-H os dados indicaram detectou redução da PA média durante o sono e estabilidade nos demais valores pressóricos. Já no grupo TR-RFS-N houve aumento dos valores da PA ambulatorial sistólica durante os períodos de 24h, vigília e sono bem como da PA ambulatorial média durante 24 horas, porém, tais valores mantiveram-se dentro da faixa de normalidade. Conclui-se que o TR-RFS é uma alternativa segura para a melhora da saúde cardiovascular de idosos que possuam limitações quanto ao uso de cargas mais elevadas, promovendo benefícios sobre a PA mesmo com cargas mais baixas. A diferença entre as respostas clínicas e ambulatoriais sugere a necessidade de mais estudos para compreender a adaptação autonômica ao TR-RFS em diferentes contextos pressóricos. Estes achados têm implicações diretas para a prescrição de exercícios em populações idosas, especialmente na busca por estratégias individualizadas e de baixo risco cardiovascular.