Resumo
O presente estudo está baseado na teoria de que as aferências proprioceptivas provenientes dos músculos e articulações contribuem na estruturação da Imagem Corporal (IC) e Esquema Corporal (EC). A construção mental do próprio corpo a partir de impressões subjetivas (juízo de valores) e do aporte de aferências multimodais (visão, tato, propriocepção) é denominada Percepção Corporal (PC) (EC e IC). Estudos recentes sugerem que esses mapas corporais podem ser modificados a partir das alterações dos estímulos sensoriais. Assim, o objetivo deste estudo foi analisar a influência de estímulos proprioceptivos sobre a PC de indivíduos adultos participantes de um projeto social da rede Municipal da cidade de Juiz de Fora (MG). Foram analisados, durante três meses, 34 indivíduos de sexo feminino, sendo 17 pertencentes ao grupo experimental (GE) e 17 ao grupo controle (GC). Para tanto, foram utilizados como instrumentos de avaliação desta pesquisa a Escala de Silhuetas para Adultos para avaliar a IC e o Image Marking Procedure para avaliar o EC. Além destes, de modo a caracterizar os indivíduos participantes desse estudo foram também utilizados o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAq) e o Critério de Classificação Econômica do Brasil. Para análise destas variáveis foi utilizados o programa estatístico GraphPad Instat (versão 3.0), através do qual foram calculados medidas estatísticas descritivas, e os testes estatísticos considerados adequados para esta pesquisa. Os resultados obtidos mostraram que ambos os grupos apresentaram insatisfação corporal (no momento inicial e final da pesquisa), pois a silhueta ideal foi diferente da silhueta atual (t=4.747; p=0.0004). O EC foi avaliado com base em dois parâmetros o IPCg e o IPC por segmento corporal. Os indivíduos que apresentaram um IPCg superior a 131,0% foram classificados como hiperesquemáticos; abaixo de 98,2% hipoesquemáticos; e entre esses dois valores, EC adequado. Ao avaliarmos o IPCg de ambos os grupos nos momentos inicial (momento 1) e final (momento 3) verificamos diferença estaticamente significante (p<0,05). Desta forma, no momento 1 o GE apresentou um IPCg em média de 106,2% e passou para 100,6% ao final do protocolo.