Resumo

O presente estudo avaliou os efeitos crônicos da corrida e da caminhada no controle autonômico cardiovascular e em parâmetros metabólicos de um modelo experimental de síndrome metabólica. Ratos machos Wistar foram utilizados, divididos em 4 grupos: Controle (C, n= 8), Frutose (F, n= 8), Corrida Frutose (COF, n= 8) e Caminhada Frutose (CAF, n= 8). A indução da síndrome metabólica foi realizada com D-frutose em água de beber durante 18 semanas. O treinamento físico (TF) foi iniciado após a 9a semana do tratamento com frutose e foi realizado por 8 semanas (60 minutos/dia, 5 vezes/semana). Os animais do grupo COF foram submetidos à corrida com intensidade controlada (50-60 % da velocidade máxima alcançada no teste de esforço). Os animais do grupo CAF foram submetidos à caminhada com carga constante de 0,3 Km/h até o final do protocolo (20-10 % da velocidade máxima alcançada no teste de esforço). Ao final do protocolo foram avaliados: glicemia; triglicérides, resistência à insulina, tecido adiposo, pressão arterial, frequência cardíaca, sensibilidade dos pressorreceptores, tônus simpático e parassimpático, efeito simpático e parassimpático e variabilidade da frequência cardíaca. Foi observado que após o consumo crônico de frutose, o grupo F apresentou aumento no peso do tecido adiposo, no nível de triglicerídeos, da pressão arterial, diminuição na capacidade física, na sensibilidade dos pressorreceptores, na variabilidade da frequência cardíaca e prejuízo no controle autonômico cardiovascular. O treinamento físico, realizado através da corrida, foi eficaz em normalizar a maioria destas alterações. Foi observado no grupo COF diminuição no peso do tecido adiposo, diminuição dos níveis de triglicerídeos, da pressão arterial, bradicardia de repouso, melhora da capacidade física, restauração dos pressorreceptores, além de melhora na variabilidade da frequência cardíaca e no controle autonômico cardiovascular. Os benefícios do treinamento físico não foram tão expressivos no grupo CAF. Foi observado no grupo CAF apenas manutenção do peso do tecido adiposo visceral e peso corporal, além de melhora em sua capacidade física. Resultados obtidos demonstrando que a caminhada, uma prática comum que vem sendo adotada na clínica médica, pode não trazer os mesmos benefícios que um treinamento físico com controle e ajuste de intensidade para o tratamento das disfunções cardiovasculares e metabólicas encontradas na síndrome metabólica.

Acessar Arquivo