Efeitos comparativos de um programa de Treino de Força e de Condição Física em alunos do ensino secundário
Por Carlos Carvalho (Autor), Maria João Lagoa (Autor), Mariana Cunha (Autor), Gustavo Silva (Autor), Luísa Vieira (Autor).
Em XIX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
O aumento do sedentarismo, associado ao escasso tempo de atividade física na escola está a repercutir- se na saúde e na aptidão física (ApF) dos alunos. Sabemos também que as crianças e adolescentes são cada vez menos ativos com a evolução do seu percurso escolar e isto é particularmente notório entre as raparigas. O objetivo principal deste estudo foi determinar se um programa de treino integrado neuromuscular induz melhoria aos níveis da ApF e comparar os resultados obtidos por ambos os sexos. Material e Métodos: O nosso estudo foi realizado com 60 alunos de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos (11º e 12º anos de escolaridade). A amostra foi dividida em dois grupos: um grupo experimental (GE) (n=18 ♂ e 26 ♀) e um grupo controle (GC) (n=7 ♂ e 9 ♀). Para a avaliação utilizou-se a bateria FITescola (https://fitescola.dge.mec.pt/home.aspx). O programa de treino integrado neuromuscular (20’ no início da aula) incluía: 1) uma ativação geral com um esquema coreografado; 2) treino em circuito com 12 estações (30``atividade / 30`` intervalo) (arremesso de BM, burpees, escada horizontal, serrote unilateral, remada invertida TRX, abdominais, corda naval, impulsão vertical, prensa elástica, lombares estáticos, kettlebell e aberturas c/halteres); e 3) exercícios pliométricos e explosivos. Este programa foi desenvolvido no 2º trimestre, durante cerca de 11 semanas. Resultados: Após o programa, ambos os GEs, i.e., tanto os rapazes como as raparigas apresentaram ganhos estatisticamente significativos entre o primeiro e o segundo momentos de avaliação de todos os testes do FitEscola aplicados. Ganhos %: vaivém (15,6 ♂ vs 18,3 ♀); abominais (16 ♂ vs 53,4 ♀); flexão de braços (19,1 ♂ vs 47,4 ♀); impulsão horizontal (7,9 ♂ vs 14 ♀); senta e alcança direito (11 ♂ vs 13 ♀) e senta e alcança esquerdo (10,6 ♂ vs 10,8 ♀). Este estudo apresenta 2 interessantes constatações: as raparigas evidenciam valores médios de ApF bastante baixos, em especial ao nível da força, mas por outro lado, quando submetidas a um programa de treino integrado neuromuscular, conseguem alcançar ganhos de magnitude assinalável. Os rapazes apresentam o mesmo quadro de resultados, mas sem tão evidente expressão. Conclusões: Podemos concluir que para ambos o sexo é absolutamente recomendável a aplicação de programas de treino de força e da condição física no contexto das aulas de EF para o incremento da ApF tão necessário ao crescimento e maturação das nossas crianças e jovens.