Resumo

O aumento do sedentarismo, associado ao escasso tempo de atividade física na escola está a repercutir- se na saúde e na aptidão física (ApF) dos alunos. Sabemos também que as crianças e adolescentes são cada vez menos ativos com a evolução do seu percurso escolar e isto é particularmente notório entre as raparigas. O objetivo principal deste estudo foi determinar se um programa de treino integrado neuromuscular induz melhoria aos níveis da ApF e comparar os resultados obtidos por ambos os sexos. Material e Métodos: O nosso estudo foi realizado com 60 alunos de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos (11º e 12º anos de escolaridade). A amostra foi dividida em dois grupos: um grupo experimental (GE) (n=18 ♂ e 26 ♀) e um grupo controle (GC) (n=7 ♂ e 9 ♀). Para a avaliação utilizou-se a bateria FITescola (https://fitescola.dge.mec.pt/home.aspx). O programa de treino integrado neuromuscular (20’ no início da aula) incluía: 1) uma ativação geral com um esquema coreografado; 2) treino em circuito com 12 estações (30``atividade / 30`` intervalo) (arremesso de BM, burpees, escada horizontal, serrote unilateral, remada invertida TRX, abdominais, corda naval, impulsão vertical, prensa elástica, lombares estáticos, kettlebell e aberturas c/halteres); e 3) exercícios pliométricos e explosivos. Este programa foi desenvolvido no 2º trimestre, durante cerca de 11 semanas. Resultados: Após o programa, ambos os GEs, i.e., tanto os rapazes como as raparigas apresentaram ganhos estatisticamente significativos entre o primeiro e o segundo momentos de avaliação de todos os testes do FitEscola aplicados. Ganhos %: vaivém (15,6 ♂ vs 18,3 ♀); abominais (16 ♂ vs 53,4 ♀); flexão de braços (19,1 ♂ vs 47,4 ♀); impulsão horizontal (7,9 ♂ vs 14 ♀); senta e alcança direito (11 ♂ vs 13 ♀) e senta e alcança esquerdo (10,6 ♂ vs 10,8 ♀). Este estudo apresenta 2 interessantes constatações: as raparigas evidenciam valores médios de ApF bastante baixos, em especial ao nível da força, mas por outro lado, quando submetidas a um programa de treino integrado neuromuscular, conseguem alcançar ganhos de magnitude assinalável. Os rapazes apresentam o mesmo quadro de resultados, mas sem tão evidente expressão. Conclusões: Podemos concluir que para ambos o sexo é absolutamente recomendável a aplicação de programas de treino de força e da condição física no contexto das aulas de EF para o incremento da ApF tão necessário ao crescimento e maturação das nossas crianças e jovens.

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