Efeitos de aulas fisicamente ativas nas funções executivas e nível de atividade física de crianças do ensino fundamental: uma revisão sistemática
Por Alan Pantoja-Cardoso (Autor), Danyella Costa Lima (Autor), Olivian David Straus Pessoa (Autor), Fernando Henrique de Souza Rodrigues (Autor), Douglas Alencar Vieira (Autor), Gileno Edu Lameira de Melo (Autor), Claudio Joaquim Borba Pinheiro (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
Aulas fisicamente ativas, que integram movimento ao conteúdo curricular, têm sido propostas como estratégia para ampliar a prática corporal no ambiente escolar e favorecer o desempenho cognitivo infantil e aumentar o nível de atividade física. Entretanto, os efeitos sobre funções executivas permanecem inconclusivos na literatura. Objetivo: Analisar os efeitos de aulas fisicamente ativas sobre funções executivas e nível de atividade física em crianças de 8 a 14 anos do ensino fundamental. Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA, com buscas nas bases PubMed, Web of Science, SciELO, ERIC, Scopus e Google Acadêmico, no período de 2010 a 2024 e aprovado na PROSPERO (CRD420261343933). Foram incluídos ensaios clínicos com intervenções de aulas fisicamente ativas e avaliação de funções executivas e/ou nível de atividade física. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala PEDro. Ao final da triagem e elegibilidade, 10 estudos compuseram a síntese qualitativa, contemplando diferentes formatos de intervenção, como aulas ativas integradas ao currículo, pausas ativas em sala e programas prévios ao início das aulas. Resultados: Adotando critério estrito de efeito positivo apenas quando houve diferença significativa entre grupos, dos 10 artigos incluídos, três mostraram benefício nas funções executivas ou cognição diretamente relacionada a elas, um apresentou efeito misto sobre memória de trabalho, e seis não observaram efeito significativo. Para nível de atividade física, dois estudos demonstraram resultadosfavoráveis, com redução de comportamento estacionário/sedentário e aumento de caminhada, atividade física leve a moderada. No conjunto, a evidência foi promissora, porém heterogênea e metodologicamente inconsistente entre as intervenções analisadas em crianças e adolescentes do ensino fundamental incluídas nesta revisão sistemática. Conclusão: As aulas fisicamente ativas apresentam potencial para qualificar o ambiente escolar e favorecer desfechos acadêmicos, cognitivos e do nível de atividade física. Entretanto, seus efeitos sobre funções executivas são inconsistentes e não sustentam benefício cognitivo generalizado.