Resumo

Aulas fisicamente ativas, que integram movimento ao conteúdo curricular, têm sido propostas como estratégia para ampliar a prática corporal no ambiente escolar e favorecer o desempenho cognitivo infantil e aumentar o nível de atividade física. Entretanto, os efeitos sobre funções executivas permanecem inconclusivos na literatura. Objetivo: Analisar os efeitos de aulas fisicamente ativas sobre funções executivas e nível de atividade física em crianças de 8 a 14 anos do ensino fundamental. Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA, com buscas nas bases PubMed, Web of Science, SciELO, ERIC, Scopus e Google Acadêmico, no período de 2010 a 2024 e aprovado na PROSPERO (CRD420261343933). Foram incluídos ensaios clínicos com intervenções de aulas fisicamente ativas e avaliação de funções executivas e/ou nível de atividade física. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala PEDro. Ao final da triagem e elegibilidade, 10 estudos compuseram a síntese qualitativa, contemplando diferentes formatos de intervenção, como aulas ativas integradas ao currículo, pausas ativas em sala e programas prévios ao início das aulas. Resultados: Adotando critério estrito de efeito positivo apenas quando houve diferença significativa entre grupos, dos 10 artigos incluídos, três mostraram benefício nas funções executivas ou cognição diretamente relacionada a elas, um apresentou efeito misto sobre memória de trabalho, e seis não observaram efeito significativo. Para nível de atividade física, dois estudos demonstraram resultadosfavoráveis, com redução de comportamento estacionário/sedentário e aumento de caminhada, atividade física leve a moderada. No conjunto, a evidência foi promissora, porém heterogênea e metodologicamente inconsistente entre as intervenções analisadas em crianças e adolescentes do ensino fundamental incluídas nesta revisão sistemática. Conclusão: As aulas fisicamente ativas apresentam potencial para qualificar o ambiente escolar e favorecer desfechos acadêmicos, cognitivos e do nível de atividade física. Entretanto, seus efeitos sobre funções executivas são inconsistentes e não sustentam benefício cognitivo generalizado.

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