Em Gaza, volta do futebol é parte da resposta de um povo diante do genocídio
Por Jamil Chade (Autor).
Resumo
Depois de mais de dois anos, o futebol voltou para Gaza. Sob escombros e com jogadores que admitem não saber o que sentir.
O estádio local foi destruído e transformado num terreno para abrigar centenas de palestinos desabrigados. Para permitir que um torneio voltasse a ser realizado, as autoridades limparam uma área bombardeada e colocaram uma velha grama sintética.
Em campo, o Jabalia enfrentou o time do Al-Sadaqa. Também houve um confronto entre o Beit Hanoun e Al-Shujaiya.
Por paredes perfuradas por disparos e bombas, garotos se amontoavam para acompanhar as partidas. Testemunhavam aquele momento as ruínas de um genocídio.
Youssef Jendiya, do Jabalia, admitiu que vivia um dia de sentimentos confusos. Estava feliz por voltar a campo. Mas alertava que muitos de seus colegas de time estavam mortos.
Amjad Abu Awda, jogador do Beit Hanoun, insistia que, ao sair para disputar um torneio, os palestinos estavam mandando uma mensagem que, mesmo diante da destruição, a vida deveria vencer.