Resumo

Este estudo problematiza as relações entre corpo, gênero, estética e maternidade no mercado fitness, compreendendo esse campo como espaço de produção de subjetividades e regulação dos corpos. Parte-se da compreensão de que o fitness opera como dispositivo sociocultural que transforma o corpo em capital econômico e simbólico, instituindo regimes de verdade que associam legitimidade profissional à performance, à juventude e à disponibilidade contínua (Foucault, 2008; Landa, 2012). Nesse cenário, a maternidade emerge como marcador crítico que evidencia desigualdades estruturais, sobretudo diante da centralidade do corpo como instrumento e vitrine de trabalho (Lüdorf; Ortega, 2013; Guimarães Filho; Moura; Antunes, 2011). O objetivo foi analisar como mulheres profissionais de Educação Física negociam suas trajetórias diante dessas normativas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto (CEP-HUPE/UERJ), com registro na Plataforma Brasil (CAAE: 62630122.2.0000.5259). Trata-se de um estudo qualitativo, baseado em Bauer e Gaskell (2004), que busca compreender experiências individuais considerando subjetividade, contexto e complexidade social. Participaram seis profissionais atuantes no mercado fitness, selecionadas por amostragem intencional e técnica snowball. A produção dos dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, gravadas e transcritas integralmente. A análise foi conduzida a partir da análise do discurso de inspiração foucaultiana, compreendendo os enunciados como práticas que produzem efeitos de verdade, regulam os corpos e delimitam possibilidades de existência no campo profissional (Foucault, 1996).

Acessar