Entre o fazer e o formar: reflexões sobre ginástica de condicionamento físico e atividades de academia no ensino superior
Por Marília Del Ponte de Assis (Autor), Amanda Azevedo Flores (Autor).
Resumo
A ginástica de condicionamento físico (GCF) está frequentemente associada à busca pela estética corporal, vinculada aos padrões de beleza difundidos pela sociedade de consumo. Essas práticas ocorrem predominantemente em academias, mas também estão presentes em clubes, associações, escolas e universidades. Segundo Barbosa-Rinaldi (2004), são ainda incorporadas ao treinamento de equipes esportivas e, por vezes, tratadas apenas como aquecimento em aulas de esportes coletivos, em vez de reconhecidas como um conteúdo de conhecimento específico. Ao refletirmos sobre os saberes essenciais na formação profissional, partimos de Ayoub (2004) ao defender a importância de que os(as) estudantes conheçam as múltiplas interpretações da ginástica, ampliando possibilidades de expressão e intervenção pedagógica. O presente estudo configura-se como um relato de experiência, fundamentado em reflexões oriundas da prática docente no ensino superior, com foco na disciplina “Atividades de Academia”. Ao longo do percurso formativo, buscou-se problematizar, junto aos(às) estudantes, as diferentes práticas desenvolvidas no contexto das academias e suas implicações para a formação e atuação profissional. A partir de um diagnóstico inicial, evidenciou-se uma compreensão limitada desse campo, frequentemente restrita ao treinamento resistido em salas de musculação. Essa visão reducionista também se estende às manifestações da ginástica, pouco reconhecidas em sua diversidade, abrangendo as ginásticas de conscientização corporal, de demonstração e de competição, além da GCF.