Esclarecendo o verdadeiro desafio: a adesão, e não a eficácia, é a barreira para o exercício
Por Christopher MacDonald (Autor), Mia Bennekou (Autor), Julie Midtgaard (Autor), Henning Langberg (Autor), Daniel E. Lieberman (Autor).
Resumo
Em nossa recente revisão, ¹ aplicamos uma perspectiva evolucionária para explorar por que o exercício pode nunca ser um medicamento eficaz na prática, e apreciamos as questões levantadas por Zagury e Braga em apoio ao exercício para o tratamento de pacientes com diabetes.²
Para sermos claros, não estamos sugerindo que o exercício seja o "patinho feio" do tratamento do diabetes. Pelo contrário, argumentamos que ele possui alta eficácia como uma das ferramentas preventivas e terapêuticas mais poderosas disponíveis para o diabetes tipo 2 (DM2). Como observamos em nossa revisão, o exercício previne e trata o DM2 por meio de múltiplas vias fisiológicas e foi identificado como uma medida preventiva eficaz para mais de 35 doenças crônicas.<sup> 3 </sup> Há evidências robustas que comprovam sua eficácia como terapia clínica para pelo menos 26 doenças,<sup> 4</sup> e estudos clínicos demonstraram que intervenções ambiciosas no estilo de vida, baseadas em exercícios, podem igualar o controle glicêmico obtido com o tratamento farmacológico, reduzindo simultaneamente a necessidade de medicamentos hipoglicemiantes.<sup> 5</sup>
O exercício físico é um remédio eficaz, mas apenas se for praticado. O principal problema não é a eficácia, mas a efetividade, que é prejudicada pela constante dificuldade em manter a adesão a longo prazo. Apesar de décadas de pesquisa em ciências comportamentais e intervenções cada vez mais ambiciosas, nenhum estudo, até onde sabemos, demonstrou adesão efetiva a longo prazo a programas de exercícios em nível populacional entre indivíduos com diabetes tipo 2.
Portanto, a questão não é se o exercício é eficaz — ele é. O desafio é como alcançar a adesão a longo prazo e traduzir essa eficácia em efetividade no mundo real. Para melhorar sua eficácia, precisamos explorar esses desafios e as barreiras que continuam a limitar o potencial do uso do exercício como medicamento.