Esporte, Lazer e Tempo: Diálogos Históricos e Socioculturais na Construção da Modernidade
Resumo
Há um debate em curso nos estudos do lazer na América do Sul acerca das origens desse fenômeno social. Por um lado, alguns estudiosos defendem que o lazer teve origem nas sociedades antigas Por outro, há aqueles que sustentam que a Revolução Industrial foi um elemento fundamental para compreender o surgimento do lazer.
Ao examinar a história do esporte em busca de elementos relacionados à construção da modernidade, torna-se evidente que sua manifestação ocorre no contexto do lazer, consolidando-se como um elemento da cultura popular na sociedade moderna.
O objetivo deste estudo é analisar os possíveis diálogos entre esporte e lazer em relação à categoria tempo, entendida como um marcador histórico que diferencia as sociedades.
Metodologicamente, o estudo baseia-se em pesquisa bibliográfica, recorrendo a autores clássicos e contemporâneos dos campos da história do esporte e do lazer.
No contexto da Idade Média e do Renascimento, por exemplo, o carnaval ocorria no tempo permitido pelo Estado e pela Igreja, e não no tempo que sobrava das obrigações sociais, como o trabalho — situação que caracteriza a modernidade em relação às diversas formas de lazer, incluindo o esporte.
A história do esporte pode se beneficiar dessa discussão ao reconhecer os elementos fundamentais que distinguem as sociedades, como exemplificado aqui pela divisão do tempo
Notes
1 This paper is part of a research project entitled ‘Lazer e educação: sentidos da colônia de férias/UFPR para estudantes de escolas públicas de Curitiba/PR’ (‘Leisure and education: senses of camp event/UFPR to students of public school in Curitiba/PR), developed in Universidade Federal do Paraná (UFPR), Brazil. The classical and contemporary authors discussed and studied in this work were analyzed within the Study and Research Group on Body, Language, and Leisure (CORLILAZ)/CNPq/Brazil. A condensed version of this article was presented at the ISHPES Congress 2024 in Curitiba, Paraná, Brazil, entitled ‘On Time and Festivity: Possible Contributions of Mikhail Bakhtin to Leisure Studies’.
2 According to the database of the National Council for Scientific and Technological Development (CNPq), there are 114 research groups in Brazil studying the theme of leisure, whether associated with other topics such as sports, Physical Education, teacher training, tourism, etc., or not.
3 OTIUM (Ibero-American Association for Leisure Studies), based in Portugal, is an organization currently composed of twenty-six universities from eight countries across South America, North America, and Europe. It is dedicated to developing research, innovation, training, and dissemination initiatives in leisure studies and related topics, such as free time, culture, tourism, sports, and recreation. For more information, visit: https://www.asociacionotium.org.pt (accessed on March 5, 2025).
4 ANPEL (Brazilian Association for Research and Graduate Studies in Leisure Studies), based in Brazil, is an interdisciplinary scientific organization that brings together researchers from various fields of knowledge. It is dedicated to investigating ‘leisure’ and related topics from diverse theoretical and disciplinary perspectives. For more information, visit: https://www.anpel.org.br (accessed on March 5, 2025).
5 Ricardo L. Crisorio, ‘Homero y Platón: Dos Paradigmas de la Educación Corporal’ (PhD diss., Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación (FaHCE), Universidad Nacional de La Plata, 2010).
6 Gonzalo Perez Monkas, La (Des)aparición de las Prácticas Corporales Sometidas: uma Arqueología en el Uruguay del Siglo XIX (1861 - 1871) (Montevideo: Ucur. Ediciones Universitarias, 2019).
7 Johan Huizinga, Homo Ludens: o Jogo como Elemento daCcultura (São Paulo: Perspectiva, 2019).
8 Allen Guttmann, From Ritual to Record: The Nature of Modern Sports (New York: Columbia University Press, 1978).
9 John Hargreaves, Sport, Power, and Culture: a Social and Historical Analysis of Popular Sports in Britain (Cambridge, UK: Polity Press in association with Basil Blackwell, Oxford, 1986).
10 Victor Melo and Edmundo Alves, Introdução ao Lazer (São Paulo: Manole, 2003).
11 Christianne L. Gomes, ‘Verbete Lazer – Ocorrência histórica’, in Dicionário crítico do lazer, org. Christianne L. Gomes (Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2004), 133–41.
12 Brett Smith, ‘Generalizability in Qualitative Research: Misunderstandings, Opportunities and Recommendations for the Sport and Exercise Sciences’, Qualitative Research in Sport, Exercise and Health, 10, no 1 (2017): 137–49.
13 Nelson C. Marcellino, ‘Contribuições de Autores Clássicos Modernos e Contemporâneos para os Estudos do Lazer’, LICERE - Revista do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer 13, no 4 (2010): 1–42.
14 Paul Lafargue, O Direito à Preguiça (São Paulo: Hucitec, 1999).
15 Joffre Dumazedier, Sociologia Empírica do Lazer (São Paulo: Perspectiva, 1979).
16 Norbert Elias and Eric Dunning, A Busca da Excitação (Lisboa: Difel, 1992).
17 Sebastian De Grazia, Tiempo, Trabajo y Ocio (Madrid: Tecnos, 1966).
18 Mikhail M. Bakthin, A cultura Popular na Idade Média e Renascimento: o Contexto de François Rabelais (São Paulo: Hucitec; Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1987).
19 Ethel B. Medeiros, Lazer: Necessidade ou Novidade? (Rio de Janeiro: Sesc, 1975).
20 Ibid, 13.
21 Helder F. Isayama and Victor A. de Melo, ‘Licere uma Revista Brasileira de Lazer’, Rev Bras Ciênc Esporte, 36, no 4 (2014):773–9.
22 Giselle Helena Tavares and Gisele Maria Schwartz, ‘Políticas Públicas de Esporte e Lazer no Brasil e em Portugal: A gestão do Conhecimento em Foco’, Rev. educ. fis. UEM 25, no. 4 (2014): 555–65.
23 Rodrigo D. Ferrari and Giovani L. Pires, ‘Cultura Colaborativa e Gestão do Conhecimento em Esporte e Lazer’, Motriz: Revista de Educação Física 19, no. 2 (2013): 288–97.
24 Ferrari and Pires, ‘Cultura Colaborativa e Gestão do Conhecimento em Esporte e Lazer’.
25 Created during Fernando Henrique’s government in 1995, however, at the beginning of President Luiz Inácio Lula da Silva’s term, the ministry underwent reforms, marking a productive period of investments in public policies for sport and leisure (2003–2011), particularly with the establishment of the CEDES Network – Centers for the Development of Recreational Sport and Leisure. The Ministry of Sports in Brazil was abolished in 2019 and reinstated in 2023.
26 Ibid, 10, p.6.
27 Ibid, 11, p. 139.
28 Valter Bracht, Sociologia Crítica do Esporte: uma Introdução, 3ed. (Ijuí: Editora Unijuí, 2005), 13–14.
29 Rodrigo T. Navarro, Michaël Attali, and Marcelo M. e Silva. ‘Sport for All in Brazil in the 1970s: The Institutionalisation of a Government Policy for Mass Sport’, International Journal of the History of Sport, (2024): 1–16; Daniele C. C. Medeiros and Marcelo M. e Silva. ‘Pela Difusão do Esporte Paulistano: a Corrida de São Silvestre nas Páginas de A Gazeta (1925-1932)’, Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-graduados de História 80, (2024): 245–73; Moraes e Silva, Marcelo, Daniele C. C. de Medeiros, and Evelise Amgarten Quitzau. ‘Apresentação Dossiê: As Diversas Facetas Da Cultura física: Histórias De Um Processo De educação Do Corpo’, Revista Da ALESDE 14, no. 2 (2022): 1–10.
30 Joffre Dumazedier, Valores e Conteúdos Culturais do Lazer: Planejamento de Lazer no Brasil (São Paulo: SESC, 1980).
31 Ibid, 14.
32 Heloísa H. B. dos Reis, Hooliganismo e Copa de 2014 (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2014). Neste livro, a autora descreve sobre os atos de violência nos estádios no período da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Hooliganismo é o termo utilizado para designar comportamentos violentos e destrutivos relacionados a eventos esportivos. O termo foi historicamente cunhado desta forma em decorrência do comportamento violento dos Hooligans na Inglaterra, nos anos de 1960.
33 Ibid, 22 and 23.
34 Ibid, 10.
35 Ibid, 13.
36 Ibid, 18.
37 Ibid, 18, p.3-4.
38 Ibid, 19.
39 Ibid, 11, p.133. A autora destaca neste trecho a posição de Sebastian De Grazia, Tiempo, Trabajo y Ocio (Madrid: Tecnos, 1966).
40 Sandro Carnicelli and Ricardo R. Uvinha, ‘Leisure, Inequalities, and the Global South’, Leisure Studies, (42), 2023: 1–10.
41 Nelson C. Marcellino, Estudos do lazer: uma introdução (Campinas, SP: Autores Associados, 1996).