Resumo
O presente estudo teve por objetivo avaliar os materiais espuma de poliuretano flexível, espuma de látex de borracha sintética SBR, EVA expandido, empregados na confecção de sobrepalmilhas de calçados de uso diário, utilizando como variáveis independentes as propriedades de densidade aparente e espessura para detectar a influência nas propriedades mecânico-dinâmicas (deformação dinâmica, absorção de energia, resiliência ao impacto, histerese mecânica por tração e coeficiente de restituição) e como dependente as biomecânicas (pico de pressão plantar). Os instrumentos foram: máquina para a deformação por compressão dinâmica, dinamômetro de medir força – carga/deformação para determinar a absorção de energia, resiliômetro de pêndulo Schob, máquina de ensaio mecânico para determinar o coeficiente de restituição, sistema Pedar – X da marca Novell GMBH para aferição da distribuição da pressão plantar. Os procedimentos adotados: a) pesquisa estruturada junto aos modelistas, técnicos de calçados e fabricantes de sobrepalmilhas para definir as espessuras e densidades; b) coletar o material nos fabricantes de sobrepalmilhas; c) caracterizar os materiais através de ensaios de densidade, dureza Asker C, espessura, transições térmicas e análise da estrutura celular através de microscopia eletrônica de varredura; d) determinar as propriedades das variáveis dependentes. Para verificar a consistência da metodologia aplicou-se um teste piloto. Os testes utilizados para avaliar os resultados obtidos foram: testes paramétricos e não paramétricos, o teste de normalidade Shapiro-Wilk. Nas avaliações estatísticas foi utilizado o software SPSS e Excel. Conclui-se que os equipamentos para avaliar a deformação dinâmica, absorção de energia e resiliência ao impacto não são adequados à metodologia proposta e para o coeficiente de restituição deve-se reduzir a massa da ponteira piezelétrica ou a altura de queda. Sob o ponto de vista do material tem-se que a espessura interfere no pico de pressão para o EVA expandido, sendo que a espessura terá maior ou menor impacto à medida que diminui a densidade aparente do expandido. Contudo, para a espuma de látex de SBR, muito embora não se possa determinar correlação entre densidade aparente e pico de pressão, pode-se dizer que a densidade aparente afeta o pico de pressão, bem como para o material PU flexível. A inter-relação entre pressão plantar máxima e o coeficiente de restituição, não deve ser absoluta porque tem-se que controlar melhor as variáveis intervenientes. No entanto, de maneira geral, pode-se dizer que quanto maior o coeficiente de restituição maior o pico de pressão. Quanto ao conforto a espessura de 2 mm é inadequada, principalmente quando em materiais celulares do tipo espuma com densidade aparente na faixa de 0,20 ou materiais expandidos com densidade na faixa acima de 0,30 e com espessuras acima de 5 mm.