Resumo

O comportamento sedentário entre crianças e adolescentes é um dos principais desafios à saúde pública, especialmente diante da intensificação do uso de dispositivos móveis e das transformações nos padrões de lazer. Esta revisão sistemática reuniu 47 estudos publicados entre 2020 e 2024 que investigaram a prevalência e os indicadores de comportamento sedentário no Brasil, com vistas a subsidiar o Report Card Brasil. Os resultados apontam que mais da metade dos estudos relatou prevalências iguais ou superiores a 70% para o ponto de corte de ≥ 2 horas diárias, revelando a magnitude do problema em diferentes faixas etárias. Os indicadores mais utilizados foram tempo total de tela e televisão, ainda que o uso de smartphones tenha emergido como componente relevante em cerca de metade das investigações. A produção científica manteve-se concentrada nas regiões Sul e Nordeste, com baixa representatividade do Norte e Centro-Oeste, e baseou-se predominantemente em medidas autorrelatadas, embora acelerômetros tenham sido empregados em 21,3% dos estudos. Observou-se também grande heterogeneidade nos pontos de corte utilizados, dificultando comparações entre as pesquisas. Esses achados reforçam a necessidade de ampliar a cobertura geográfica e temporal das investigações, incorporar medidas objetivas e harmonizar critérios de avaliação, de modo a oferecer estimativas mais consistentes. Em conjunto, as evidências destacam a urgência de políticas públicas e intervenções direcionadas para reduzir o comportamento sedentário, promovendo um ambiente mais favorável à saúde de crianças e adolescentes brasileiros.

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