Evidências sobre comportamento sedentário em crianças e adolescentes no Brasil: uma síntese sistemática para o Report Card Brasil
Por André de Araújo Pinto (Autor), Kauã Melo Damasceno (Autor), Ana Clara Silva de Jesus (Autor), Arthur Melo de Queiroz (Autor), Luis Gustavo Raposo dos Santos (Autor), Ricardo Alexandre Rodriguez Santa Cruz (Autor).
Em Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano v. 28, 2026.
Resumo
O comportamento sedentário entre crianças e adolescentes é um dos principais desafios à saúde pública, especialmente diante da intensificação do uso de dispositivos móveis e das transformações nos padrões de lazer. Esta revisão sistemática reuniu 47 estudos publicados entre 2020 e 2024 que investigaram a prevalência e os indicadores de comportamento sedentário no Brasil, com vistas a subsidiar o Report Card Brasil. Os resultados apontam que mais da metade dos estudos relatou prevalências iguais ou superiores a 70% para o ponto de corte de ≥ 2 horas diárias, revelando a magnitude do problema em diferentes faixas etárias. Os indicadores mais utilizados foram tempo total de tela e televisão, ainda que o uso de smartphones tenha emergido como componente relevante em cerca de metade das investigações. A produção científica manteve-se concentrada nas regiões Sul e Nordeste, com baixa representatividade do Norte e Centro-Oeste, e baseou-se predominantemente em medidas autorrelatadas, embora acelerômetros tenham sido empregados em 21,3% dos estudos. Observou-se também grande heterogeneidade nos pontos de corte utilizados, dificultando comparações entre as pesquisas. Esses achados reforçam a necessidade de ampliar a cobertura geográfica e temporal das investigações, incorporar medidas objetivas e harmonizar critérios de avaliação, de modo a oferecer estimativas mais consistentes. Em conjunto, as evidências destacam a urgência de políticas públicas e intervenções direcionadas para reduzir o comportamento sedentário, promovendo um ambiente mais favorável à saúde de crianças e adolescentes brasileiros.