Resumo

A presente tese ambiciona apresentar o fenômeno das torcidas organizadas de futebol do Brasil (TOBR) sob a ótica do Estado brasileiro. O objetivo deste estudo é apresentar não somente o protagonismo do Estado no processo que levou à fundação das primeiras TOBR nos anos 1940, mas também a influência de suas instituições para o crescimento e difusão das TOBR, que atingiram seu auge nos estádios de futebol nos anos 1990. Além de analisar a importância do Estado, esta tese também se dedica à compreensão das funções exercidas pela mídia esportiva, pelos clubes de futebol e pelos governing bodies do esporte brasileiro no que diz respeito à mediação da relação entre Estado e torcedores de futebol. Para a produção desse texto foram usadas fontes primárias como jornais de época, revistas de época, entrevistas, relatos e arquivos pessoais e também fontes secundárias como livros, dissertações, teses e artigos produzidos sobre as temáticas pertinentes a este estudo. Concluiu-se que as associações de torcedores no Brasil têm uma existência fortemente vinculada ao que se chamou de regime de Futebol de Estado, um arranjo político-institucional no qual o esporte de um país passa a ser usado como ferramenta política pelo Estado. O regime de Futebol de Estado é uma criação nazifascista que foi importada por Getúlio Vargas para o Brasil no início dos anos 1940. É durante este regime que se formam as primeiras associações de torcedores no Brasil. O expediente do Futebol de Estado foi também utilizado em toda a década de 1970 pelo Regime Militar, durante o qual as TOBR se desenvolveram de forma mais intensa. Foi também durante esse período que a violência entre torcedores se tornou mais frequente, o que contribuiu para que a relação entre Estado brasileiro e as TOBR entrasse em crise, uma consequência do fim do interesse estatal no esporte e da consolidação de um novo regime esportivo no Brasil nos anos 1990, o de Futebol para Mercado

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