Resumo
Esse trabalho se baseia no conceito de interseccionalidade para analisar como sexualidade, gênero, raça, cor, classe social, dentre outros, produzem exclusão nas aulas de Educação Física. Práticas consideradas socialmente como de homens ou de mulheres, homofobia, racismo, ou até mesmo falta de recursos e estruturas, estão presentes nos espaços escolares e na Educação Física de modo específico. Na escola estudada, as questões de gênero em alguns momentos são bem evidentes nas aulas de Educação Física. A resistência ou a recusa em participar de algumas atividades, seja pela falta de protagonismo de algumas meninas, ou meninos que se distanciam dos padrões normativos de masculinidades, por exemplo, tem gerado inquietações na professora pesquisadora, que para além do que já é sabido sobre essa temática no ambiente escolar de modo geral, pretende investigar e entender um pouco mais sobre a relação entre os marcadores sociais da diferença, com ênfase em gênero, e a (não) participação de estudantes nas aulas de Educação Física. Nesse sentido, esse trabalho busca debater de forma específica como as relações de gênero e demais marcadores sociais da diferença estão relacionados com a (não) participação nas aulas de Educação Física no Ensino Médio. Após a aprovação do comitê de ética, foram aplicados questionários para 110 estudantes matriculados/as na primeira série do Ensino Médio. A partir da análise dos questionários, foram selecionados/as 5 (cinco) estudantes para realizarem as entrevistas de história de vida. Após a coleta de dados, foi possível perceber que as vivências nas aulas de Educação Física marcaram a trajetória escolar dos/as estudantes participantes dessa pesquisa, sobretudo as vivências associadas a situações de exclusão e discriminação. As memórias estão conexas às cenas de (não) participação por questões de gênero e sexualidade, o que provocou sentimentos relacionados a essas vivências no contexto da Educação Física escolar.