Resumo

Nossa proposta consiste na partilha das notas de tradução e dos comentários tecidos por nós no decorrer do processo de tradução da obra de Germaine Acogny, Danse Africaine, publicada em 1994, nos idiomas Francês, Alemão e Inglês. Ressaltamos que esta será a primeira tradução da obra para a língua portuguesa e que recebemos a autorização da autora para essa realização. Entendemos a importância dessa artista da dança no combate ao cenário crítico de apagamento e racismo epistemológico, demonstrando que a dança é um campo legítimo de conhecimento e agente de mudança social. Ancoradas na complexidade do paradoxo “traduttore traditore” e de acordo com SILVEIRA (2008, p.07), na Nota do tradutor do livro Pele Negra, Máscaras brancas, a tradução trai para ser mais fiel: “Ao pé da letra, o provérbio italiano, pretende que a verdadeira natureza da tradução é a traição, mas quero crer que há uma pitada de ironia nesse jogo de palavras”. Nosso intuito nesse compartilhamento é o de ampliar o alcance de saberes não hegemônicos e visibilizar potências no contexto da dança africana. Enquanto metodologia compartilhamos partes da obra nas reuniões do Grupo de Pesquisa Umbigada (CNPq), coordenado pela Professora Daniela Maria Amoroso como ignição dos sentidos que as palavras de Germaine Acogny provocava nos corpos participantes. De acordo com a etnocenologia brasileira é no corpo (skéné) que o entendimento estético acontece (AMOROSO, 2021) e nesse sentido, pudemos dançar alguns princípios da Técnica Acogny, através da vivência “O Movimento dos Baobás” no Teatro experimental da Escola de Dança, em 2019. Além disso, temos nessa relação de orientação um processo dialógico de ensino aprendizagem a partir da leitura da obra. Entendemos que seja importante dizer que Roberta Roldão vem desenvolvendo uma pesquisa de Doutorado a partir de sua prática, na École des Sables desde 2011, no Estágio de Formação Profissional “Croisement des Chemins” (Cruzando Caminhos) e que já qualificou sua tese de doutorado, tendo o pesquisador Doutor Patrick Acogny como membro da banca. Deste modo, trazemos a etnoimplicação (MACEDO, 2013), o compartilhamento coletivo das reflexões da tradução, como diálogos transatlânticos (RATTS, 2006) e principalmente a interlocução com a própria autora da obra enquanto procedimentos metodológicos da tradução. Neste artigo, relataremos algumas passagens deste processo, prezando também pela ressignificação da obra na contemporaneidade

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