Histórias de vida de docentes principiantes: vulnerabilidade social, formação experiêncial e autoridade docente
Por Jose Angelo Gariglio (Autor).
Resumo
O presente artigo relata achados de uma pesquisa1 que teve como objetivo central conhecer e analisar a percepção que professores iniciantes de Educação Física (EF) constroem acerca das relações entre as experiências formativas incorporadas no transcorrer de suas trajetórias de vida e no enfrentamento dos desafios colocados pelo início da carreira docente, no contexto de escolas das redes de ensino pública e privada no Brasil. De forma mais específica, a pesquisa nutre-se de estudos do campo da formação de professores que tem buscado analisar os conteúdos da formação docente que são forjados em situações e contextos diversos à formação acadêmica e que podem atuar de maneira silenciosa em ações de julgamento e deliberação em contextos de atuação profissional (TARDIF e RAYMOND, 2000). Tendo esse debate em perspectiva, partimos da premissa de que a pluralidade das experiências formativas (informais e formais), incorporadas no decurso das trajetórias de vida, podem vir a se constituir em um reservatório de saberes (disposições sociais, conhecimentos, saber-fazer), os quais os docentes iniciantes mobilizariam em situações de enfrentamento dos desafios da iniciação à docência. Ciclo da carreira docente marcado, em geral, por sentimentos extremos de desamparo, solidão, estranheza, alienação, insegurança, obscuridade, ambiguidade e intensos processos de aprendizagem profissional (NONO, 2011; PAPI e MARTINS, 2010).