Resumo

10/12/2020
A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurodegenerativa, inflamatória e autoimune que afeta a bainha de mielina dos neurônios localizados no sistema nervoso central (SNC). Essa desmielinização sofrida pelos neurônios provocam déficits no andar e na atividade cortical, podendo estar relacionada com uma piora do andar, principalmente em ambientes mais complexos. Entretanto, os fatores neurofisiológicos dos déficits do andar nessa população não serem bem conhecidos, podendo a concentração do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) e menor concentração de vitamina D, estarem correlacionados com os parâmetros motores e neurais do andar. Com isso, o objetivo desta dissertação foi investigar o impacto da presença de um obstáculo durante o andar, da concentração de BDNF e da vitamina D na atividade cortical e nos parâmetros espaçotemporais do andar em pessoas com EM. Para responder aos questionamentos da dissertação, três estudos foram propostos. Para o estudo 1, foram recrutadas 15 pessoas com EM e 15 pessoas neurologicamente saudáveis, que realizaram o andar em duas condições: com e sem a presença de um obstáculo de espuma de 15 cm de altura, correspondente a altura do meio-fio, em seu caminho. Os parâmetros espaço-temporais do andar e da atividade cortical adotados foram os mesmos para ambas as condições, exceto para a condição com obstáculo, onde foram calculados as distancias horizontais e verticais, em relação ao obstáculo, de ambos os pés. Os resultados revelaram que as pessoas com EM possuem déficits no andar em ambas as condições (e.g., menor comprimento do passo e menor velocidade do passo) e maior atividade cortical do que os seus pares sem a doença. Essas alterações ficam mais evidenciadas na presença de um obstáculo, além das pessoas com EM posicionar ambos os pés mais próximos ao obstáculo, sendo considerado uma estratégia mais arriscada. Para o estudo 2, 20 pessoas com EM e 18 controles foram recrutados. Coletas sanguíneas foram realizadas para verificação da concentração sanguínea de BDNF. Os participantes andaram somente sem a presença de um obstáculo, sendo obtidos os mesmos parâmetros do andar e da atividade cortical do estudo 1. Além disso, os participantes realizaram o teste de mobilidade funcional (Timed-up-go- TUG). Os resultados indicaram que o comprimento do passo, a velocidade do passo, o TUG e as bandas de frequência teta e beta da atividade cortical do córtex motor, foram correlacionados com a concentração de BDNF. Ainda, a análise da curva ROC indicou que a velocidade do passo, TUG e a banda beta do córtex motor são bons classificadores da EM. Por fim, no estudo 3, 16 pessoas neurologicamente saudáveis e 20 pessoas com EM foram recrutadas, sendo às pessoas com EM divididas em dois grupos: pessoas que suplementavam vitamina D (EMD- 10 indivíduos) e pessoas sem suplementação (EMsD- 10 indivíduos). O mesmo protocolo do estudo 2 foi empregado, sendo mensurado também a concentração sanguínea de vitamina D. O resultado mostrou que apenas o grupo EMsD apresentou deficiências nos parâmetros espaço-temporais do andar (e.g., menor comprimento do passo e menor velocidade do passo) quando comparado com o grupo controle. Apesar de ambos os grupos apresentarem maior atividade cortical do que o grupo controle, o grupo EMsD apresentou maior atividade em todas as regiões analisadas (frontal, motora, parietal e occipital) comparado ao grupo controle. Esses resultados sugerem que a vitamina D pode estar atuando na melhora dos parâmetros motores e neurais do andar em pessoas com EM.

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