Resumo

Esta tese aborda a implementação das Recomendações para o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de Atividade Física (AF) na Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de entender como essas estratégias podem ser operacionalizadas e otimizadas em contextos variados, considerando os processos de planejamento, execução e avaliação. O estudo parte do reconhecimento de que a APS é um espaço central para a promoção da saúde, particularmente em um país como o Brasil, marcado por desigualdades regionais e demandas diversificadas. As Recomendações surgem como um guia para potencializar as ações de AF, integrando práticas baseadas em evidências ao cotidiano das equipes multiprofissionais. Participaram do período de implementação nove ações de AF, de todas as regiões do Brasil, durante seis meses. Os dados foram coletados ao longo de um período contínuo por meio de formulários mensais aplicados a facilitadores e locais das ações, que identificaram barreiras, facilitadores e percepções sobre o impacto das ações. Os resultados evidenciaram avanços significativos no fortalecimento das práticas multiprofissionais, com destaque para o papel central dos agentes comunitários de saúde (ACS) na mobilização da comunidade, além da utilização de ferramentas padronizadas de avaliação e do suporte técnico intersetorial. Observou-se que todas as ações de AF que implementaram as Recomendações tornaram-se mais exitosas quando comparadas a si mesmas antes do período de implementação. Entre as práticas predominantes estavam grupos regulares de AF, visitas domiciliares para divulgação e avaliações sistemáticas dos participantes, evidenciando organização e comprometimento. No entanto, desafios persistiram, incluindo limitações de infraestrutura, barreiras orçamentárias e desigualdades regionais que impactaram a equidade e a replicabilidade das ações. Regiões com maior suporte técnico e estabilidade administrativa demonstraram melhores resultados, indicando a importância de uma gestão comprometida e contínua. A discussão abordou a relevância de estratégias adaptativas para superar desafios estruturais, destacando que a implementação das Recomendações foi mais eficaz em contextos onde o planejamento era participativo e integrado às demandas locais. A análise dos dados também revelou a necessidade de fortalecer as políticas públicas de suporte, como incentivos financeiros e capacitação contínua das equipes. A integração interprofissional, central na proposta do SUS, mostrou-se uma ferramenta essencial para o sucesso das ações, especialmente quando combinada a práticas inovadoras de mobilização comunitária, como o uso de redes sociais e grupos de WhatsApp para engajamento. O modelo i-PARIHS foi eficaz para mapear barreiras e facilitadores, permitindo ajustes contínuos e maior adaptação às diferentes realidades locais, reforçando a importância de uma abordagem contextualizada. A conclusão destaca que o estudo oferece subsídios valiosos para a qualificação das práticas de promoção de atividade física na APS, enfatizando a importância da equidade, da inovação e da sustentabilidade. A experiência acumulada permitiu identificar elementos críticos para o sucesso das estratégias, incluindo a necessidade de políticas intersetoriais, apoio técnico consistente e maior integração entre as esferas de gestão e prática local. Além disso, a tese aponta que a replicabilidade das Recomendações depende de sua flexibilidade para responder às realidades regionais, destacando o potencial transformador da APS como espaço para a promoção da saúde. Este trabalho contribui não apenas para a implementação das Recomendações, mas também para o fortalecimento da Ciência da Implementação no Brasil, oferecendo um referencial prático e teórico para gestores, profissionais e pesquisadores interessados na melhoria contínua do SUS.

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