Implicações do exercício físico na regulação do estresse: uma revisão narrativa
Por Ana Carolina Farias Lopes (Autor), Ana Laura Martins de Andrade (Autor), Camila da Silva Barbosa Ramos (Autor), Rita de Cássia Martins de Andrade Maquiaveli (Autor), Anderson Luis Redressi (Autor), Raphael Oliveira Ramos Franco Netto (Autor), Felipe Lovaglio Belozo (Autor), Carla Assis Lacorte (Autor), Marcelo Conte (Autor), Marcelo Rodrigues da Cunha (Autor), Amanda da Silva Macedo Santos (Autor), Letícia Ranucci Mendes (Autor), André Alves Bezerra (Autor), Victor Augusto Ramos Fernandes (Autor).
Em Revista CPACQV - Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida v. 18, n 1, 2026.
Resumo
O estresse psicológico é um fator relevante para o adoecimento mental, especialmente entre universitários, devido à sobrecarga acadêmica e instabilidade emocional. A exposição prolongada a estressores pode desregular o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HPA), aumentando sintomas de ansiedade, depressão e prejuízos cognitivos. Nesse contexto, o exercício físico tem sido investigado como estratégia não farmacológica para regulação do estresse e promoção da saúde mental. Esta revisão narrativa (2021–2026), realizada na PubMed, analisou 51 estudos de um total inicial de 116. Os estudos clínicos e transversais somaram 2.507 participantes, enquanto meta-análises incluíram 68.214 indivíduos. As intervenções variaram em modalidade, intensidade e duração. Os resultados indicam que o exercício físico modula o eixo HPA, reduzindo o cortisol basal e promovendo melhora nos sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Exercícios aeróbios e resistidos apresentam efeitos distintos e complementares: os aeróbios aumentam o cortisol agudamente, mas promovem adaptações crônicas com menor reatividade ao estresse; já o treino resistido e o HIIT geram respostas endócrinas mais intensas durante a prática. A intensidade mostrou-se determinante, sendo exercícios leves a moderados (3–6 METs) os mais eficazes na redução do cortisol. A prática regular (≥3 vezes/semana) e o volume mínimo de 600 MET-min/semana foram associados a melhores desfechos. Conclui-se que o exercício físico contribui para a regulação do estresse e melhora da saúde mental, por meio da modulação do cortisol, do eixo HPA e do aumento de BDNF, neurogênese e neuroplasticidade. Modalidades combinadas parecem potencializar benefícios metabólicos e psicológicos.