Resumo

A situação de saúde de populações indígenas que migram para centros urbanos no Brasil é tradicionalmente invisibilizada nos inquéritos e estatísticas oficiais. O presente trabalho teve como objetivo verificar a prevalência da atividade física insuficiente no tempo livre numa população indígena urbana na Amazônia brasileira e as associações com variáveis. Método: População Sateré-Mawé na cidade de Parintins, maior de 18 anos (n=174), teve sua atividade física insuficiente mensurada em minutos por semana. Foram coletadas variáveis sobre domicílio, vínculo sociocultural indígena, situação socioeconômica, comportamental e biológica. Utilizou-se o modelo logístico hierarquizado, calculando-se a razão de chances e intervalo de confiança (95 %). Resultados: Atividade física insuficiente em todos os domínios encontrou-se superior a 60 %, exceto no trabalho (46,6 %). No domínio lazer, associaram-se as variáveis de nível domiciliar, comportamental e biológico. Conclusão: A maioria da população estava insuficientemente ativa no domínio do lazer. Os laços socioculturais indígenas perderam a associação com o resultado no modelo final. São necessários mais estudos para visibilidade da situação de saúde das populações indígenas em áreas urbanas.

Referências

Antiporta, D.A., Smeeth L., Gilman, R.H., e Miranda, J.J. (2016). Length of urban residence and obesity among within-country rural-to-urban Andean migrants. Public Health Nutr, 19, 1270-1278. https://doi.org/10.1017/S1368980015002578

Bernabe-Ortiz, A., Gilman, R.H., Smeeth, L., e Miranda, J.J. (2010). Migration surrogates and their association with obesity among within-country migrants. Obesity, 18(11), 2199-2203. https://doi.org/10.1038/oby.2010.92

Brasil (2020). Vigitel Brasil 2019. Estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2019. Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde.

Chee, VA, Teran, E., Hernandez, I., Wright, L., Izurieta, R., Reina-Ortiz, M., Flores, M., Bejarano, S., Dào, LU, Baldwin, J., e Martinez-Tyson, D. (2019). ‘Desculturización,’ urbanization, and nutrition transition among urban Kichwas Indigenous communities residing in the Andes highlands of Ecuador. Public Health, 176, 21-28. https://doi.org/10.1016/j.puhe.2019.07.015

Coimbra Jr., CEA, Santos, RV, Welch, JR, Cardoso, AM, Souza, MC, Garnelo, L., Rassi, E., Follér, ML, e Horta, BL (2013). The First National Survey of Indigenous People's Health and Nutrition in Brazil: rationale, methodology, and overview of results. BMC Public Health, 13, 52. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-52

Del Popolo, F., Jaspers, D., e Cepal, N. (2014). Los pueblos indígenas en América Latina. Avances en el último decenio y retos pendientes para la garantía de sus derechos. Síntesis. Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL). https://www.cepal.org/es/publicaciones/37050-pueblos-indigenas-america-latina-avances-ultimo-decenio-retos-pendientes-la

Ekelund, U., Tarp, J., Steene-Johannessen, J., Hansen, BH, Jefferis, B., Fagerland, MW, Whincup, P., Diaz, KM, Hooker, SP, Chernofsky, A., Larson, MG, Spartano, N., Vasan, RS, Dohrn, IM, Hagströmer, M., Edwardson, C., Yates, T., Shiroma, E., Anderssen, SA, e Lee, IM (2019). Dose-response associations between accelerometry measured physical activity and sedentary time and all cause mortality: systematic review and harmonised meta-analysis. BMJ, 366, l4570. https://doi.org/10.1136/bmj.l4570

Hallal, PC, Gómez, LF, Parra, DC, Lobelo, F., Mosquera, J., Florindo, AA, Reis, RS, Pratt, M., e Sarmiento, OL (2010). Lessons Learned After 10 Years of IPAQ Use in Brazil and Colombia. J Phys Act Health, 7(Suppl 2), S259-64. https://doi.org/10.1123/jpah.7.s2.s259

Horta, BL, Santos, RV, Welch, JR, Cardoso, AM, Santos, JV, Assis, AMO, Lira, PC, e Coimbra Jr, CEA (2013). Nutritional status of indigenous children: findings from the First National Survey of Indigenous People’s Health and Nutrition in Brazil. Int J Equity Health, 12(1), 23. https://doi.org/10.1186/1475-9276-12-23

Ide, P.H., Martins, M.S.A.S., Segri, N.J. (2020). Tendência dos diferentes domínios da atividade física em adultos brasileiros: dados do Vigitel de 2006-2016. Cad Saúde Pública, 36, e00142919. https://doi.org/10.1590/0102-311X00142919

IBGE (2012). Censo Demográfico 2010: Características dos Indígenas. Resultados do universo. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

IBGE (2020). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: Percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal. Brasil e grandes regiões. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

IBGE (2023). Censo Demográfico 2022: Indígenas: Primeiros resultados do universo. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Jaeschke, L., Steinbrecher, A., Luzak, A., Puggina, A., Aleksovska, K., Buck, C., Burns, C., Cardon, G., Carlin, A., Chantal, S., Ciarapica, D., Condello, G., Coppinger, T., Cortis, C., De Craemer, M., D’Haese, S., Di Blasio, A., Hansen, S., Iacoviello, L., Issartel, J., Izzicupo, P., Kanning, M., Kennedy, A., Chun Man Ling, F., on behalf of the DEDIPAC consortium (2017). Socio-cultural determinants of physical activity across the life course: a ‘Determinants of Diet and Physical Activity’ (DEDIPAC) umbrella systematic literature review. Int J Behav Nutr Phys Act, 14, 173. https://doi.org/10.1186/s12966-017-0627-3

Malta, DC, Bernal, RTI, Carvalho, QH, Pell, JP, Dundas, R., Leyland, A., Vasconcelos, LLC, Cardoso, LSM, Stopa, SR, e Barreto, ML. (2020). Mulheres e avaliação das desigualdades na distribuição de fatores de risco de doenças crônicas, Vigitel 2016-2017. Rev Bras Epidemiol, 23, e200058. https://doi.org/10.1590/1980-549720200058

Melo, TPN, Andrade, PRN, Santos, GAR, Amorim Jr, LR, Silva, AKO, Rodrigues, MGO, Magalhães, PR, Magalhães, LR, Vouga, CR, Nascimento, AL, e Souza, LM (2024). Avaliação dos efeitos da atividade física na prevenção de doenças cardiovasculares. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE, 10(6), 2596-2604. https://doi.org/10.51891/rease.v10i6.13879

Mendoza-Caamal, EC, Barajas-Olmos, F., García-Ortiz, H., Cicerón-Arellano, I., Martínez-Hernández, A., Córdova, EJ, Esparza-Aguilar, M., Contreras-Cubas, C., Centeno-Cruz, F., Cid-Soto, M., Morales-Marín, ME, Reséndiz-Rodríguez, A., Jiménez-Ruiz, JL, Salas-Martínez, MG, Saldaña-Alvarez, Y., Mirzaeicheshmeh, E., Rojas-Martínez, MR, e Orozco, L. (2020). Metabolic syndrome in indigenous communities in Mexico: a descriptive and cross-sectional study. BMC Public Health, 20, 339. https://doi.org/10.1186/s12889-020-8378-5

Mielke, G.I., Hallal, P.C., Rodrigues, G.B.A., Szwarcwald, C.L., Santos, F.V., e Malta, D.C. (2015a) Prática de atividade física e hábito de assistir à televisão entre adultos no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Epidemiol e Serviços Saúde, 24(2), 277-286. https://doi.org/10.5123/S1679-49742015000200010

Mielke, G.I., Malta, D.C., Sá, G.B.A.R., Reis, R.S., e Hallal, P.C. (2015b) Diferenças regionais e fatores associados à prática de atividade física no lazer no Brasil: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde-2013. Rev Bras Epidemiol, 18, 158-169. https://doi.org/10.1590/1980-5497201500060014

Oliveira, A.B., Katzmarzyk, P.T., Dantas, W.S., Benseñor, I.J.M., Goulart, A.C., e Ekelund, U. (2023). Perfil de atividade física no tempo livre e tempo sedentário em adultos no Brasil: inquérito nacional, 2019. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 32(2), e2023168. https://doi.org/10.1590/S2237-96222023000200016

Olko, J., Galbarczyk, A., Maryniak, J., Krzych-Miłkowska, K., Tepec, HI, de la Cruz, E., Dexter-Sobkowiak, E., e Jasienska, G. (2023). The spiral of disadvantage: Ethnolinguistic discrimination, acculturative stress and health in Nahua indigenous communities in Mexico. American Journal of Biological Anthropology, 181(3), 364-378. https://doi.org/10.1002/ajpa.24745

Acessar

Apoio