Resumo

A indisciplina em contexto escolar é o problema a nível do processo educativo que mais resiste ao passar dos tempos, mantendo-se cada vez mais atual e sobre o qual todos têm uma palavra a dizer, mesmo quando não estão a falar do mesmo e sem terem disso consciência. O professor, na sua carreira, cada vez mais longa, vai-se deparando com inúmeras e distintas situações de indisciplina dos seus alunos, as quais vai resolvendo de acordo com a forma como as vê e se posiciona em relação a elas. Este estudo exploratório pretendeu perceber se aquele posicionamento face à Disciplina/Indisciplina em contexto escolar sofre alterações ao longo da carreira docente. Construímos um questionário designado de Questionário Sobre Indisciplina em Contexto Escolar – professores (QICEp), constituído, essencialmente, por questões fechadas e em escalas de Likert, às quais aplicámos técnicas de estatística descritiva (média, desvio padrão e frequências relativas) através do SPSS 27. Foram inquiridos 40 professores do ensino secundário, com carreiras docentes de dimensões distintas, divididos em três subgrupos: até 15 anos de serviço docente, de 16 a 25 anos e mais de 26 anos. Os professores com menos tempo de serviço parecem revelar uma maior intransigência relativamente aos episódios de indisciplina em comparação com professores numa fase intermédia da carreira, os quais revelam uma maior seletividade na relevância que dão aos acontecimentos/ episódios de indisciplina. Os professores em fase final de carreira revelam grande sensibilidade aos comportamentos de agressividade e à linguagem inapropriada da parte dos alunos, o que parece dever-se, em grande parte, ao significativo distanciamento geracional professor-aluno

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