Resumo

Sabe-se que o nível de atividade física (AF) e a adiposidade corporal (AC) são variáveis relacionadas entre si e que também afetam a qualidade do sono. Da mesma forma, desordens do sono têm sido relacionadas a processos inflamatórios, os quais têm papel decisivo no desenvolvimento de doenças. Entretanto, pouco se sabe sobre o papel da AF e AC na relação existente entre qualidade do sono e seus efeitos em processos inflamatórios. OBJETIVO: Analisar se a prática de AF e a AC afetam a relação entre qualidade do sono e inflamação em adultos atendidos pelo SUS. METODOS: Para compor a amostra, participaram do estudo 170 pacientes de ambos os sexos, com idade ≥ 50 anos, atendidos em duas unidades básicas de saúde de Presidente Prudente. A qualidade do sono foi avaliada por meio do Mini-Sleep Questionnaire (10 questões sobre a qualidade do sono, com escore oscilando de 10 a 70), alterações do sono foram identificadas quando o participante atingia escore ≥ 25 pontos. A avaliação da inflamação foi avaliada por valores de proteína C-reativa (PCR), através de coleta e análise sanguínea por laboratório especializado. As variáveis AF e AC foram consideradas como fatores de confusão, sendo que, para informações referentes ao nível de AF, foi utilizado o escore gerado pelo questionário desenvolvido por Baecke e colaboradores e a AC (em valores percentuais de gordura) foi avaliada pela impedância bioelétrica (InBody, modelo 230). A analise estatística foi composta pelo teste t independente e análise de covariância (ANCOVA) ajustada por AF e AC. As análises foram realizadas no programa BioEstat 5.0 (p-valor < 0,05). RESULTADOS: Dos 170 pacientes, 54 eram homens (31,8%) e 116 mulheres (68,2%), com idade media de 61,45 ± 8,71 anos. O valor médio de PCR para toda a amostra foi de 4,27 mg/L (IC95%: 3,30 a 5,25). O grupo sem alteração do sono apresentou PCR médio de 2,82 mg/L (IC95%: 1,86 a 3,79) e o grupo com alteração do sono de 5,07 mg/L (IC95%: 3,67 a 6,47) (p-valor = 0,006). No modelo ajustado (ANCOVA) por fatores de confusão o efeito do sono sobre a inflamação perdeu significância (p-valor = 0,059; explicando 2,3%), ao passo que a AF (p-valor = 0,003; explicando 5,5%) e a AC (p-valor = 0,001; explicando 7,5%) explicaram variância importante nos valores de inflamação. CONCLUSÃO: A relação entre qualidade do sono e inflamação parece significativamente influenciada por AF e AC entre pacientes do SUS

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