Resumo

A crescente presença feminina no exercício destaca a importância de compreender como o ciclo menstrual influencia as respostas fisiológicas agudas. As oscilações hormonais típicas de cada fase podem modular a regulação autonômica cardíaca, frequentemente avaliada pela variabilidade da frequência cardíaca (VFC) durante a recuperação pós-esforço. Devido à inconsistência de dados sobre essa influência no exercício aeróbio moderado, este estudo investigou a modulação autonômica pósexercício nas fases folicular inicial e lútea média em mulheres eumenorreicas. Participaram 14 mulheres saudáveis (≥18 anos), com ciclos menstruais regulares (25–34 dias), não usuárias de contraceptivos hormonais e não fumantes, avaliadas em duas condições experimentais: fase folicular inicial (1º–5º dia após o início da menstruação) e fase lútea média (22º–26º dia do ciclo). Em cada sessão experimental, as participantes realizaram um protocolo padronizado de exercício aeróbio em cicloergômetro com duração total de 60 minutos, composto por aquecimento (5 min <65% da frequência cardíaca de reserva), fase principal (50 min entre 65–75% da frequência cardíaca de reserva) e recuperação ativa (5 min <65% da frequência cardíaca de reserva), com monitorização contínua da frequência cardíaca. A pressão arterial foi aferida de modo seriado, e a recuperação pósexercício foi acompanhada por 60 minutos com registros autonômicos e hemodinâmicos em repouso e em múltiplos momentos subsequentes. A VFC foi analisada por índices no domínio do tempo (LnSDNN e LnRMSSD) e no domínio da frequência (LnHF). A análise estatística foi realizada por ANOVA de modelo misto (fase × tempo), com pós-testes e correções apropriadas, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados indicaram que as características antropométricas e parâmetros hemodinâmicos basais não diferiram entre as fases do ciclo menstrual, assegurando comparabilidade entre condições. A recuperação autonômica foi predominantemente determinada pelo tempo pós- exercício, com ausência de diferenças globais relevantes entre fases para frequência cardíaca, pressão arterial e a maioria dos índices de VFC ao longo do período de recuperação. Contudo, observou-se um padrão de reativação vagal inicial mais eficiente na fase lútea média, evidenciado principalmente pelo comportamento do LnRMSSD nos minutos iniciais após o esforço, indicando maior modulação parassimpática nessa fase, sem repercussões sustentadas no perfil global de recuperação ao longo dos 60 minutos. Conclui-se que, em mulheres eumenorreicas submetidas a exercício aeróbio de intensidade moderada, as fases folicular inicial e lútea média não promovem alterações globais relevantes na recuperação autonômica cardíaca; entretanto, a fase lútea média pode influenciar de forma sutil a cinética vagal precoce, sugerindo que os marcadores dos primeiros minutos de recuperação são mais sensíveis às variações hormonais do ciclo menstrual.

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