Resumo
Por meio deste estudo pretendeu-se avaliar a precisão e a variabilidade de movimentos que ocorreram no desempenho de uma habilidade motora rítmica, nos modos de coordenação em fase e antifase. A freqüência de movimentos foi indicada através de informação visual, enquanto que a retirada dos sinais visuais e a introdução de ruído auditivo, em diferentes freqüências, foram usados para testar a estabilidade do padrão motor. Participaram desta investigação estudantes universitários (n= 20) com idades diferentesentr17 e 26 anos. Os sujeitos foram designados para um de dois grupos, os quais diferenciavam-se pelo modo de coordenação: em fase ou antifase. A tarefa experimental constitui em produzir movimentos rítmicos de flexão e extensão dos punhos de forma sincronizada com sinais visuais, emitidos no monitor de um micro computador em uma freqüência de 2,4 Hz.A seqüência experimental constitui-se ema) realizar os movimentos manuais em freqüência individualmente confortável;(b) pratica na freqüência indicada pelos sinais visuais;(c) desempenho na ausência de informação visual, e (d) desempenho com informação visual disponível e inserção de ruído sonoro rítmico, tendo sua freqüência variada entre 0,4 e 4,0 Hz. O registro do deslocamento das mãos foi feito com um sistema OPTOTRAK, a partir do qual foram analisados: freqüência de movimentos, relação de fase entre as mãos, asa respectivas medidas de variabilidade individual e a freqüência de ocorrências de transição de fase. Os resultados na fase de ritmo próprio mostraram que o modo de coordenação em fase induziu a uma freqüência de movimentos mais alta do que o modo antifase, com raros registros de transição de fase do modo antifase para o modo em fase. Na etapa de pratica, a presença do estimulo visual induziu a aumento da freqüência de movimentos, da variabilidade da freqüência de movimentos e da variabilidade da relação de fase. Foram ainda observados valores de erro e de variabilidade mais baixos no modo de coordenação em fase do que no modo contrario. No modo de coordenação antifase foi observado acréscimo na freqüência de transições de fase. A retirada da informação visual não induziu a declínio de desempenho em ambos os grupos, o que revelou a capacidade do sistema sensório motor de gerar sinais para sincronização a partir de um temporizador intrínseco. Na ultima fase, com inserção de ruído sonoro, foi observado o maior numero de ocorrências de transição de fase na condição de coordenação antifase, enquanto que no modo de coordenação em fase nenhuma transição foi observada. A analise não indicou qualquer diferença significativa entre as diversas freqüências de sinal de ruído em ambas as condições experimentais. Em conjunto, os resultados aqui apresentados indicaram que uma freqüência de movimentos diferente da freqüência preferida produziu aumento de instabilidade do sistema sensório-motor seletivamente para o modo de coordenação antifase, o que foi particularmente evidente quando o sinal de ruído foi introduzido.