Jogo mapuche e motricidade humana: Gütxamkan
Por Carolina kürüf Poblete Gálvez (Autor).
Resumo
Este ensaio propõe uma conversa/reflexão (Gütxamkan) sobre o ensino do jogo mapuche a partir da lógica formativa do kimeltuwün, como expressão pedagógica situada que confronta a colonialidade no currículo escolar chileno e os discursos da motricidade humana como episteme questionadora das hegemonias da educação física. Através de uma apresentação crítica-reflexiva de saberes ancestrais e contemporâneos, analisam-se por um lado os encontros epistêmicos, as tensões e possibilidades entre as práticas corporais mapuche e a motricidade humana, e por outro lado, as formas de compreender o corporal a partir da perspectiva mapuche na educação escolar. Propõe-se que o jogo mapuche, longe de ser um simples recurso recreativo, é uma prática cultural e política que incorpora valores como o respeito, o cuidado, o conselho e a pertença territorial, entre outros. Por fim, argumenta-se que ensinar a partir do kimeltuwün fortalece processos de revitalização cultural, identidade e resistência pedagógica, e que existe um diálogo interessante entre as ideias de motricidade humana e as formas culturais próprias do jogo mapuche.