Resumo
Esta dissertação apresenta uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva e exploratória, fundamentada na metodologia da pesquisa-ação, cujo objetivo foi compreender os sentidos atribuídos por estudantes de matrizes indígenas aos jogos e brincadeiras vivenciados durante as aulas de Educação Física, em uma escola da rede pública estadual de Pernambuco. A questão norteadora que orienta este estudo é: - quais os sentidos atribuídos pelos estudantes de matrizes indígenas aos jogos e brincadeiras praticados na escola durante as aulas de Educação Física? Participaram da pesquisa 20 estudantes de ambos os gêneros com idades compreendidas entre 11 e 15 anos, matriculados do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, na Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio São Francisco, localizada no município de Petrolândia, Estado de Pernambuco. Os estudantes pertencem a cinco etnias indígenas: Pankararu, Kapinawá, Atikum, Kambiwá e Xukuru do Ororubá. Os instrumentos de coleta de dados empregados foram: a entrevista semiestruturada e a observação direta com registros no diário de campo. A análise dos dados foi conduzida por meio da técnica de análise de conteúdo, adotando como critério a categorização emergente, construída a partir das falas dos estudantes agrupando-as em categorias levantadas a posteriori. Os resultados revelaram que, embora muitos estudantes apresentem dificuldade em definir conceitualmente os termos jogo e brincadeira, reconhecem, praticam e atribuem valor às experiências lúdicas próprias de suas comunidades, concluiu-se que a utilização dessas práticas no contexto educativo não apenas favorece o desenvolvimento de competências motoras e formações sociais, mas também se consolida como uma potente estratégia metodológica de inclusão, diálogo intercultural, valorização da diversidade e construção de uma educação mais justa, plural e representativa.