Jogos Escolares no Maranhão

Por: Delzuite Dantas Brito Vaz e .

Atlas do Esporte do Maranhão.

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ORIGENS Século XIX foram encontradas outras formas de atividade física, como as caminhadas: “... as moças e rapazes formavam bandos gárrulos e irrequietos que, desde a madrugada até o cair da tarde, saíam em excursões pela floresta e pelos sítios vizinhos, voltando carregados de cófos com frutas, cachos de jussaras e de buritis, flores silvestres, emfim, tudo que apanhavam pelos caminhos e atalhos.” (DUNSHE DE ABRANCHES, 1970, p 28). Além desses passeios, praticava-se a caça, como o fazia Garcia de Abranches - o Censor -: "e , quando imaginava dar uma batida às pacas, pouco se importava do sol e da chuva: não regressava à casa antes de trazer as vítimas visadas". Seu filho, Frederico Magno de Abranches - o Fidalgote - era “... Atirador emético e adestrado nos jogos atléticos, alto, magro e ágil, trepava como um símio até os galhos mais finos das árvores para apanhar uma fruta cobiçada pelas jovens ali presentes.  Encantava-as também a precisão dos seus tiros ao alvo. E causava-lhes sustos e gritos quando trepava sem peias por um coqueiro acima ou se balançava no tope de uma jussareira para galgar as ramas de uma outra em um salto mortal, confirmando o título que conquistara entre os da terra de campeão da bilharda.”(DUNSHE DE ABRANCHES, 1970, p. 28)

Dunshee de ABRANCHES (1941), lembra em suas memórias que o "Velho Figueiredo, o decano dos fígaros de São Luís" (p. 155), mantinha em sua barbearia - a princípio na rua Formosa e depois mudada para o Largo do Carmo - um bilhar, onde: "... ahí que se reuniam os meninos do Lyceo depois das aulas, e, às vezes,  achavam refúgio quando a polícia os expulsava do pátio do Convento do Carmo por motivos de vaias dadas aos presidentes da Província e outras autoridades civis e militares. Essas vaias era quasi diárias...". (p. 157).

1869 Aluísio Azevedo – ainda estudante do Liceu nos seus 12 anos de idade, costuma "... brincar, estabelecendo-se entre minha divertida pessoa e a pessoa austera de meus professores a mais completa incompatibilidade". Narra as estripulias da época, em companhia dos amigos de infância: "Criado a beira-mar na minha ilha, eu adorava a água. Aos doze anos já era valente nadador, sabia governar um escaler ou uma canoa, amarrava com destreza a vela num temporal, e meu remo não se deixava bater facilmente pelo remo de pá de qualquer jacumariba pescador de piabas." (citado por MÉRIEN, 1988: 47). (Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo, nasceu em 14 de abril de 1857 em São Luís do Maranhão). (Fonte: Atividades físicas femininas no Maranhão imperial (1823-1889), disponível em www.efdeportes.com).

SÉCULO XX - Os "sportsmen" maranhenses tentam implantar mais uma modalidade esportiva - desta vez, voltou-se para o remo, e a utilização dos rios Anil e Bacanga.

1900 é criado o "Clube de Regatas Maranhense", instalado na Rua do Sol, 36. MANOEL MOREIRA NINA, foi seu primeiro presidente. Na Escola de Aprendizes de Marinheiros o remo também era praticado, dispondo de uma guarnição que treinava diariamente. Contava com os vogas Cantuária e Fulgêncio Pinto; como sota-vogas, com Almeida e Abreu; na proa, Belo e Matos; sota-proas, Zinho e Oliveira e o patrão era Fritz.

1907 Nhozinho Santos funda um “club sportivo” nos terrenos da sua Fábrica Santa Isabel – o Fabril Athetic Club -, e introduz várias atividades esportivas. Nos festivais esportivos realizados aos domingos, havia a presença de crianças e jovens estudantes que, do exemplo dos mais velhos, vinham a participar dessas matinées. Assim, no dia 26 de dezembro daquele ano, é registrada uma partida de futebol entre alunos da Escola de Aprendizes Marinheiros, como parte de sua preparação física. O futebol, além de outras modalidades e atividades, principiava a se utilizado como prática de educação física nas escolas: "Aprendizes Marinheiros: Hontem, às 4 horas da tarde, os aprendizes marinheiros, fizeram exercícios de 'foot-ball' na arena do Fabril Athletic Club e um assalto simulado de florete, sob a direção do respectivo instructor da Escola. Os alumnos revelaram-se disciplinados e agiram com muito garbo e desembaraço. Domingo próximo, às 5 horas da manhã, haverá novo exercício no mesmo local". (O MARANHÃO, 26 de dezembro de 1907). (Grifos meus).

1908 A participação de estudantes - da Escola de Aprendizes Marinheiros - e de crianças - filhos dos sócios -, dos diversos clubes constituídos, não só para a prática do "foot-ball association", caso do Fabril e do Maranhense, e mais tarde, do Onze Maranhense, era comum, nas jornadas que se seguiam. Dentre essas práticas, a esgrima estava sempre presente, com a participação dos Aprendizes Marinheiros : "Fabril Club  - Esteve brilhante a partida realizada hontem. Além de inúmeras famílias e cavalheiros, compareceram à festa a Escola de Aprendizes Marinheiros, que sob o comando de seu hábil instructor Sr. David Santos realisou exercícios de fogo e esgrima de baioneta. .... 3.- Exercício de fogo, bayoneta e esgrima pela Escola de Aprendizes Marinheiros. 5.- Match de Foot-Ball infantil havendo resultado negativo, por se acharem organizados os teams com força igual. Tomaram parte as seguintes creanças: team Bladi & Whate: Fausto Seabra, José Seabra, Frederico Perdigão, José Lopes, Celso C. Rodrigues, Sylvio Rego, Ruy C. Rodrigues, Antônio Rego, Antônio Santos, José M. Lobo, Lúcio Bauerfeldt. "Team Red & White: João Peixoto, Braulio Seabra, Luiz Santos, Pedro Paulo R. Araújo, Ivar C. Rodrigues, Acyr Marques, Carlos Perdigão, Gastão Vieira, Justo M. Pereira, Celso Pereira, José Vieira. Servio de Refere M. Shipton". (O MARANHÃO, Segunda-feira, 08 de junho de 1908).

SETEMBRO era apresentado o programa de uma "matineé sportiva" que seria realizada no Domingo seguinte, na sede do F.A.C., reunindo os "Team Riachuello" - "Estrella Preta" - e o "Team Humaitá" - "Estrella Branca"-, ambos da Escola de Aprendizes Marinheiros, marcada para as 3:45 horas, seguida de outros jogos, como o Concurso gaiato infantil seria disputado por: Ivar, Luiz, Celso, Bráulio, Soeiro Filho(O MARANHÃO, sabbado, 26 de setembro de 1908). Na edição da Segunda-feira seguinte - 28 de setembro de 1908 - esse jornal apresenta o resultado dos "matchs" ocorridos: o jogo entre as duas equipes da Escola de Aprendizes Marinheiros terminou empatado em 1 x 1. Ficamos sabendo o que eram aqueles "concursos gaiatos", em que participaram os "sportemen" ludovicences, a elite econômica e intelectual da Atenas brasileira, Aluísio Azevedo, dentre eles: o primeiro deles - para adultos - foi vestir bonecas, saindo vencedor Anthero Novaes e J. Santos Sobrinho; o concurso infantil - enfiar agulha - foi vencido pelo menino Soeiro Filho, enquanto o concurso de agilidade consistiu de abrir garrafas de cola e beber o conteúdo, obtendo o primeiro lugar Manuel Neves.

DÉCADA DE 1910 Miguel Hoerhan começa a prestar à mocidade ludovicence seus serviços como professor de Educação Física da Escola Normal, Escola Modelo, Liceu Maranhense, Instituto Rosa Nina, em diversas escolas estaduais e municipais. Funda o Club Ginástico Maranhense.  É inaugurada a Escola de Aprendizes Artífices – IF-MA, hoje -, instalada na Praça da República (prédio ocupado, hoje, pelo Ministério da Agricultura). Escola profissional, tinha como mestres: Almir Augusto Valente, Vicente Ferreira Maia, Hermelina de Souza Martins, Cesário dos Santos Véras, Alberto Estavam dos Reis, Alexandre Gonçalves Véras, Eduardo Souza Marques e Nestor do Espírito Santo. Como não poderia deixar de ser, entre seus alunos havia grande interesse pelas práticas esportivas, e dentre, elas, pelo futebol.

1915 Graças ao empenho do cônsul inglês, a partir de 1915, houve um que renascimento dos esportes em Maranhão. Os estudantes movimentam-se para reabilitar o futebol: "FOOT-BALL - Um esforçado grupo de rapazes, no intuito de elevar o sport entre nós, resolvel adquirir o campo do Fabril, para as pugnas do elevado jogo britânico, 'foot-ball'. Existe grande animação nos preparativos, entre os sportamen, a idéia do Campeonato Maranhense de Foot-ball o qual será disputado em 15 de nowembro, contando ao 'team' vencedor, 11 medalhas de ouro". (O JORNAL, 31 de julho de 1915). O primeiro encontro desse abnegados "sportistas" aconteceu logo em seguida "FOOT-BALL - No grond da Fabril, jogaram hontem, um match de trenagem. Alguns moços de nosso escol, que cogitam de fundar dois clubs desse sport, afim de diliciar o público maranhense, com algumas de suas partidas" (O ESTADO, 9 de agosto de 1915). Esses estudantes uniram o agradável - reorganizar os "sports" no Maranhão - ao útil, chamando a atenção da sociedade para o movimento que iniciavam. Juntam-se à Maçonaria, oferecendo-se para realizar uma partida de futebol, em benefício dos flagelados da grande seca de 1914/15, pois  as lojas maçônicas desta capital nomearam comissões com o fim de arrecadar fundos para socorrer os flagelados, dentre as atividades programadas - seção de cinema, passeios marítimos - haveria um jogo de futebol, a ser realizado no mês seguinte: "FOOT-BALL - Um grupo de moços de nossa melhor sociedade offerecem ao comité Pró-flagelados, uma partida de foot-ball, entregando-lhe a renda verificada. Essa partida terá lugar no grond da Fabril e será opportunamente anunciada" (O ESTADO, 13 de agosto de 1915). Percebe-se que haviam dois grupos, ou mais, grupos envolvidos no soerguimento das atividades esportivas, pois "o grande match de foot-ball" entre os partidos "Francez" e "Allemão", em benefício dos flagelados da seca, era anunciado para o dia 12 de setembro. (O JORNAL, 02 de setembro de 1915). No Sábado anterior, é anunciado novamente a realização do jogo, no campo do Fabril, "com entrada franca a todas as pessoas que se apresentarem decentemente trajadas". O jogo teria início às 16 horas, devendo os jogadores se apresentarem com meia hora de antecedência, "realizando-se antes exercícios de ginástica por uma turma dos Aprendizes Marinheiros". É apresentada novamente a escalação dos dois times, e designados o "referee" - McDowal; os "Line Man"- Clissold e Fellowe; e o enfermeiro - Garrido. Estavam envolvidos os alunos do Liceu Maranhense, do colégio Marista Maranhense e do Instituto Maranhense (este, inaugurado um ano antes). Segundo MARTINS (1989), “... promoveram sessões, usando as próprias salas de aula, estimulados pelos mestres. Graças a essas reuniões, surgiram os quadros do Brasil F. Club, do S. Luís F. Club, do Maranhão Esporte Club, e do Aliança F. Club. Essas entidades, aos poucos, foram agrupando-se, tornando-se clubes. A cada dia, os estudantes melhor se integravam, e para exercitar-se utilizavam o velho 'field' da Fabril, que tinha sido desativado pela FAC. Estávamos com o campo da rua Grande muito mal, mato tomando conta de todas as dependências, inclusive das arquibancadas." (p. 328). No dia 15 de agosto, Domingo, foi realizado um jogo-treino: "FOOT-BALL - Conforme noticiamos, realizou-se hontem, às 16 horas, o primeiro match de trenagem da série instituída. O público já principia a tomar interesse pelas partidas, tanto que a concorrência foi animadora. " (O ESTADO, 16 de agosto de 1915). Segundo MARTINS (1989), o movimento estudantil havia ganho as ruas, tudo se fazendo para reanimar o futebol. Gentil Silva tinha retornado do Amazonas - onde havia trabalhado pelo esporte amazonense, ajudando ao Manaus Sporting Club - e integra-se ao movimento estudantil, tendo-o acompanhado nessa jornada um caixeiro viajante conhecido como "Zé Italiano", muito estimado pelos estudantes. Dessa união, foi fundado o "GUARANI ESPORTE CLUBE", que recebeu esse nome do proprietário do "Bar Guarani", sr. Gasparinho. É que as reuniões eram realizadas neste bar, situado na esquina da rua Grande com a Godofredo Viana, em frente ao cine Éden. Formaram-se duas onzenas, denominadas "Alemão" e "Francês", formando-se, também, duas torcidas, uma apoiando os "aliados", e a outra, formada pelos "germanófilos". Essa torcida ainda tinha o incentivo dos tripulantes dos navios alemães, abrigados em nosso porto, devido à Primeira Guerra Mundial. Em função desse movimento em prol dos flagelados dos estados vizinhos - Ceará e Piauí - reuniram-se - na Cervejaria Maranhense, localizada na Praça João Lisboa - os idealizadores do Campeonato Maranhense de Foot-ball, para a organização do grande "match" que pretendiam realizar (O JORNAL, 14 de agosto de 1915). Nessa reunião ficou resolvido que "... na impossibilidade de fundação do Clube, se organizem dois 'team' denominados Franco Alemão - que terá de se bater em benefício dos flagelados da seca. Ficam assim compostos os team. - Presidente: Carlos Alberto Moreira. "Thesoureiro: Affonso Guillon Nunes; "Secretário: Hugo Burnett:

"TEAM FRANCEZ

"Forwards - Gastão Vieira; Trajano Lebre, Carlos Moreira, Hugo Burnett, Manoel Borges, Antonio Ferreira;

"Half-backs - Carlos Leite; Antonio Cunha;

"Backs - Affonso Guillon Nunes; João Torres, dr.;

"Goal-keeper - Antonio Carvalho Branco

"Captain - Carlos Moreira

"TEAM ALLEMÃO

"Forwards - Nestor Madureira; Gentil Silva, José Souza; José Cantanhede; Maralteno Travassos;

"Half-backs - João Guedes; Antonio Paiva;

"Backs - Julio Gallas; Raul Andrade

"Goal-keeper - Albino Faria

"Captain - José Souza". (O JORNAL, 14 de agosto de 1915).

1917 o ano enchia-se de esperança para os praticantes dos esportes. No Maranhão, dizia-se, dois esportes marcariam presença definitiva para ficar: o remo e o futebol: "Apesar da guerra, das crises financeiras, do alto custo de vida, etc., a mocidade só pensava no futuro, olhos fixos no dia de amanhã, e, por isso, preparava-se fisicamente. Pensar diferente era ir de encontro à lógica dos fatos que se nos apresentavam diariamente, onde se viam rapazes, que eram incapazes de levantar, como dizia o adágio popular, um gato pelo rabo. Era inadmissível  e errônea a educação do espírito sem a educação dos músculos, como dizia Müller. De tudo o homem devia saber. Um organismo raquítico nada valia. Era o importante para suportar uma moléstia, comentavam os críticos. Pregava-se o exercício do remo, porque esse esporte era de uma real utilidade. Os esforços foram em vão. Era mais uma modalidade esportiva que fenecia por falta de oxigênio ...

OS ANOS 30/40 - PRIMEIRA REFERÊNCIA A JOGOS ESCOLARES 

DECADA DE 1930 - o voleibol era bastante praticado em São Luís, no meio escolar, como lembra o Sr. Glacymar Ribeiro Marques. Chegado na cidade em 1937, passou a jogar voleibol no Colégio de São Luiz, participando das Olimpíadas Intercolegiais, ao lado de Rubem Goulart (professor de educação física da ETFM, já falecido); Alexandre Costa (senador, já falecido); José Carlos Coutinho (coronel do exército); coronel José Paiva, e Raimundinho Vieira da Silva (ex-deputado, suplente de Senador, presidente do grupo de comunicações Vieira da Silva).

As jovens, especialmente as estudantes do Colégio Santa Teresa, costumavam jogar Voleibol na praia da Ponta d´Areia, durante as férias escolares; a rede do primeiro jogo foi arrematada em um leilão realizado na casa do Cel. Anacleto Tavares; nos anos 40, os jogos  das estudantes já eram realizados na quadra do Liceu Maranhense

1932 - criado o GREMIO “8 DE MAIO”, por estudantes  do Liceu Maranhense, liderados por Tarcísio Tupinambá Gomes. Como entidade representativa dos estudantes junto à direção do Liceu, foi um fracasso, por falta de interesse da rapaziada, que só queria se divertir. Mas os outros fundadores, dentre eles Paulino Rodrigues De Carvalho Neto e Dílio Carvalho Lima resolveram levar o Grêmio para o esporte, com o intuito de jogar Voleibol, pois as opções de esportes para os jovens da época eram, além do futebol, o voleibol.  O pessoal do “8 de Maio” também se envolvia com o Basquetebol.

1935 – Nasce, em São Luís, Cláudio Vaz dos Santos – o Cláudio Alemão; depois de se destacar como atleta escolar nos anos 60 e 60, a partir de 1971, já como dirigente, cria os Festival Esportivo da Juventude – FEJ, 1971/72 – precursores dos Jogos Escolares Maranhenses – JEMs, disputados a partir de 1973. 1952 - início de sua carreira esportiva de Cláudio Vaz dos Santos, ao ingressar no Colégio de São Luís, do Prof. Luis Rego; nesse ano, participa dos Jogos Olímpicos Secundaristas, organizado pelo jornalista Mario Frias, como atleta de Basquetebol, Voleibol, Futebol de Campo, Atletismo e Natação.

1953 – Cláudio Alemão, junto com outros atletas da época, de várias escolas, funda a equipe dos “Milionários”, que faz história no esporte maranhense, especialmente no Basquetebol, por mais de 20 anos; a equipe era formada por Gedeão Matos, os irmãos Mauro e Miguel Fecury, Aziz Tajra, Raimundinho Sá, Poé, Denizar, Canhotinho, Fabiano Vieira da Silva, Cleon Furtado, Jaime Santana, os irmãos Zé Reinaldo e  Silvinho Tavares, Wilson Bello, Sá Valle, Joaquim Itapary, Henrique Moreira Lima, Márcio Viana Pereira; com a extinção d´ “Os Milionários”, fundam o “Cometas”, que além de basquete e vôlei, participam dos jogos de Futebol de Salão.

Anos 60 - Alemão vinha se dedicando ao Futebol de Salão desde 1960, jogando (como reserva) no Athenas, Drible e santelmo. Após um acidente e se envolver numa briga, refugia-se no Rio de Janeiro entre 1965 a 1969, quando retorna a São Luís, já como praticante de Judô. No final dos anos 60, se forma em Economia pela UFMA

Anos 70 - em 1971, inicia sua carreira de dirigente esportivo, sendo nomeado Coordenador de Esportes,primeiro do Município de São Luís, depois, do Estado, e Presidente do CRD; sua primeira providência foi colocar em funcionamento as Escolinhas de Esportes: futebol de campo, futebol de salão, Voleibol, Basquetebol, Judô, Boxe, Capoeira, Karatê, Xadrez, Ginástica Olímpica, Atletismo, Natação... alguns desses esportes foram introduzidos por ele, nos meios escolares; os treinos começavam as cinco horas da manhã, estendendo-se pela madrugada.

1937 sua equipe era formada por Zé Rosa, Manolo, Zé Heitor Martins, Reinaldo Nova Costa, Raposo, Rubem Goulart, Paulo Meireles, Zé Carvalho, Zé Meireles. Desses, vamos encontrar Rubem Goulart e Zé Rosa como professores de educação física, formados pela Escola Nacional, nos anos de 1941 e 1942. O grupo representou o Maranhão em um Campeonato Brasileiro de Basquete disputado em Belém do Pará em 1938; viajaram de navio. Paulino largou tudo em 1942, deixando o Grêmio “8 de Maio” para a nova geração, liderada por Rubem Goulart e Zé Rosa...

1939 – Disputa de um Torneio Intercolegial, envolvendo os alunos do Liceu Maranhense e dos Maristas; outras escolas participavam com suas equipes, como o Colégio Cisne, com a equipe do Brasil, formada por Ronald da Silva Carvalho

Década de 40 - Joaquim Itapary Sales de Oliveira – o Diabo Loiro, goleiro de Futsal  - foi um dos maiores árbitros de Basquete que o Maranhão teve; começou a carreira de árbitro no início dos anos 50, aos 18 anos; tendo chegado de São Bento em 1946, quando o pai Joaquim Itapary assumiu o cargo de Secretário de Estado e Chefe de Polícia no governo Saturnino Bello; veio para estudar nos Maristas (aos 10 anos) e logo no ano seguinte estava no São Luís; Joaquim viveu na nova escola a prática da educação física  como saúde; depois dos exercícios físicos, quem tinha alguma aptidão para algum esporte passava à prática e aprimoramento em aulas específicas, como Voleibol, Basquetebol, Atletismo e Boxe; Joaquim optou pelo Basquete, enturmando-se com os atletas da equipe escolar do São Luís e do Liceu: Janjão e Cláudio Alemão, Zé Couto, Eliézer Moreira, Vancrílio Gonçalves, Valoyzinho, Lázaro, Pacheco,Estrelinha, Pará, Luis Alvim, Hugo Fonseca, Murilo Gago ... criaram o time Os Milionários, que mais tarde, como clube, viria a disputar competições estaduais; considerando-se jogador fraco,dedica-se à arbitragem.

1942 o Governo Federal distribui bolsas para a recém criada Escola Nacional de Educação Física e o então prefeito de São Luís, Pedro Neiva de Santana, convidou o jovem médico Alfredo Duailibe para cursar especialização em Medicina Desportiva, juntamente com Rubem Goulart, Mary Santos, Maria Dourado e Lenir Ferreira, estes, para cursarem Educação Física. Um ano antes, o hoje Coronel PM reformado, Eurípedes Bernardino Bezerra fora para a Escola de Educação Física do Exército fazer o Curso de Sargento Monitor de Educação Física. Ao regressar de seu curso de especialização (1943), o Interventor Paulo Ramos nomeou o Dr. Alfredo Duailibe para trabalhar no Departamento Geral de Instrução Pública, propondo ao Prof. Luiz Rêgo, então seu Diretor, a criação do "Serviço de Educação Física". Em abril, dava início a uma nova fase da Educação Física no Maranhão: os alunos da rede pública e privada seriam submetidos a exames periódicos de saúde e a adoção da prática da educação física nas escolas...

1944 O Prof. Dimas – como é mais conhecido Antonio Maria Zacharias Bezerra de Araújo -, chegando do interior a São Luís em 1944, para estudar, lembra-se de como eram organizadas as aulas de educação física, naquela época: "Eu tive a sorte de estar no Liceu e o professor era José Rosa; ele estava com muito entusiasmo, tinha chegado [do curso de educação física] , então ele levava muito a sério e ele teve muito sucesso naquela época ...[As atividades, eram realizadas]  duas vezes por semana, com a duração de um hora, no próprio Liceu; tinha espaço. A minha experiência com ele foi só ginástica e Educação Física, agora ele ia entre Calistenia e paradas, saltos de obstáculos, saltos acrobáticos. Quanto aos esportes nas escolas, Dimas informa que não era praticado: “se fazia naquela época, eu não tive oportunidade de participar, nem via, muito embora houvesse grupos de alunos que se reuniam para praticar esportes, mas isoladamente; então tinha os peladeiros, eu joguei futebol... joguei futebol pelo Liceu; nós tínhamos um time que jogava futebol, era: o goleiro, dois zagueiros, três halfs e cinco atacantes; eu era center-half,  Celso Coutinho era half direito e Raposa era half esquerdo... até hoje eu me lembro disso, era nosso time do Liceu, acho que da segunda série do ginásio ou da terceira mais ou menos....” (DIMAS, entrevista).

DÉCADA DE 1950 Cláudio Vaz dos Santos, o Cláudio Alemão, lembra como era a educação Física nessa época - 1951/53 -, em que era aluno dos Maristas: " ... não tinha professor de Educação Física, nós éramos praticantes de esportes ... foi ter depois, no Colégio Maranhense, já aqui na rua Grande, na Quinta do Barão; mas na minha época de estudante, nós não tínhamos professor de Educação Física...  não tive Educação Física no Marista, a não ser práticas de esportes, comandada sempre pelos irmãos Maristas. Nós não tínhamos professor de Educação Física, nem leigo; nós tínhamos apenas os irmãos Maristas, que nos colocavam para praticar esporte, era: o futebol de campo e o espiribol; o Basquete, o volei não existiam também; nossa prática maior era o futebol de campo, onde é hoje o Vila Rica, ali era o nosso campinho de futebol; pagávamos 500 réis para o Colégio Marista, para participar; depois do almoço arregaçávamos as calças antes de começar as aulas, nós praticávamos esporte de 12:30 até às 13:30h. ... Nós tivemos uma quadra, onde eu pratiquei basquete, foi no "8 de Maio", atrás do Cassino Maranhense; hoje... ali era um matagal,  o 8 de Maio, comandado por Rubem Goulart, era o time dos “ erres”..., Rubem, Ronald, Raul Guterres ...  Rubem Goulart, que foi o líder; praticava o Paulinho Carvalho, Zeca Carvalho, e foi onde eu comecei a praticar vôlei e basquete. Essa quadra era do 8 de Maio, atrás do fundo do Casino Maranhense hoje.. "O Atletismo nós tivemos aqui, eu tive a oportunidade, mais ai de, já eu praticava pelo Colégio São Luís; eu era corredor de 100 metros, eu era corredor de 200 metros, eu corria, nessa época os atletas... o Ari Façanha foi muito antes, o Ari Façanha foi uma fase bem mais antiga ... Já foi em outra época, bem anterior a nossa, a nossa foi uma fase que nós praticávamos, praticávamos é atletismo, 52,53, foi quando eu cheguei no Colégio São Luís, que eu comecei a fazer atletismo, ... 53... Mauro Fecury ... então nós praticávamos atletismo numa pista improvisada no Santa Isabel, onde praticávamos atletismo, corridas, lançamento de peso, lançamento de dardo e lançamento de disco..." (VAZ DOS SANTOS, Cláudio. Entrevista).

1952 – realização dos Jogos Olímpicos Secundaristas,organizado pelo jornalista Mário Frias.

1957 Aldemir Carvalho de Mesquita, outro "menino do Liceu", também lembra do Professor José Rosa, com muito carinho, com quem aprendeu a gostar da educação física: " ... o prof. Zé Rosa, que foi o diretor de Liceu, e uns dos professores de educação física. Esse foi um dos incentivadores. Quando eu era garoto - 9, 10 anos (1957) -, mas eu ouvia falar muito do prof. Zé Rosa - era treinador de basquete daqui dentro de São Luís, no Liceu, Colégio São Luís Então, essas pessoas, essas que têm que ser lembradas, temos que citar os seus nomes de Mary Santos,  Braga, Rubem Goulart ...No basquete, todo mundo sabia, pelo menos quando cheguei do interior (1957), era o Rubem Goulart. Todo mundo sabia a paixão que o prof. Braga tinha pelo boxe. No basquete falava muito bem do prof. Zé Rosa... (MESQUITA, Aldemir Carvalho de. Entrevistas).

OS JOGOS DAS DÉCADAS DE 1950-60: Carlos Vasconcelos x Mary Santos

Nas lembranças de Dimas, lá pelos anos de 1955/56, o Maranhão tinha um Basquete muito bom, com Rubem Goulart, Ronald Carvalho, Fabiano Vieira da Silva, Cláudio Alemão, aquele pessoal do “Oito de Maio”, dos “Milionários”, mas só adulto, a nível de colégio mesmo, não tinha nada, só de adulto, porque vinham terminado o Colégio e continuaram em faculdade, em clubes, em quartéis; muitos serviram o Exército - eram as experiências vindas de fora, não era como hoje que os esportes do Maranhão vem tudo do colégio -, naquela época não, está o inverso hoje... (DIMAS, entrevistas).

Em meados da  década de 1950, o Dr. Carlos Vasconcelos, então delegado do MEC no Maranhão, especializado em Educação Física, começa a promover os “Jogos Intercolegiais” - 1956. Nas lembranças do Prof. Emílio, durante esses jogos, é que o Batista conquistou seu primeiro título - em voleibol -; esses Jogos eram disputado no Cassino Maranhense. O Prof. Emílio lembra de um resultado em Basquete - cujo professor era  Rubens Goulart - 1x 0 -, perdido para o Colégio de São Luís.

(Essa partida de Basquetebol foi realizada no Casino Maranhense, em 1968, para a decisão do Inter-colegial, entre o Colégio Batista x Colégio de São Luís. Jaime Santana e Mário Brazuca eram os árbitros; nos aros, não havia a rede. Os irmãos Leite - Olivar, Adalberto e Alvinho - comandavam o time do São Luís; Luís Fernando Figueiredo, Raul Guterrez, Wagner, Alex e Estevinho defendiam o Batista. Alguns arremessos foram feitos dos dois lados e algumas bolas caíram no aro. Mas os árbitros, na dúvida se a bola era boa ou não, não validavam os pontos. Numa cobrança de lance livre, Olivar Leite acabou convertendo um arremesso e a partida acabou em 1 x 0, para o São Luís. De acordo com Hermínio Nina, o aro do Casino era menor do que o oficial, mais a falta da rede, dificultava aos árbitros a certeza de que a bola tinha entrado, ou não. Antes, foram jogadas duas outras partidas: o primeiro jogo, na Escola Técnica Federal do Maranhão, terminou com a vitória do Batista, por 18 x 14; a segunda partida, realizada no 24º BC,  vitória do São Luís, por 20 x 16; a terceira - a do Casino - naquele 1 x  0, para o São Luís, que sagrou-se campeão daquele Inter-colegial de 1968.)

1958 – o time de Voleibol do Liceu conquista o tri-campeonato dos Jogos Interescolares, organizados pelo Dr. Carlos Vasconcelos; a equipe contava com Zé Augusto e Zé Roberto Lamar. Januário e César Bragança, Troglodita (Jesus Rizzo Cardoso) e Rogério Baima

No final dos anos 60, a o setor de educação física está reorganizado organizado; a profa.  Mary Santos dirigia o Departamento de Educação Física no Estado, e havia um outro no Município, dirigido pela Profa. Dinorá. Já se cumpria a obrigatoriedade da lei, com as três horas semanais, mínimo de 45 minutos, dentro da legislação vigente.

Dimas lembra que a educação física, nessa época, era muito rudimentar, só mesmo na base da ginástica, [de esporte] só mesmo futebol de salão e um voleibolzinho. Se disputava Voleibol, Basquetebol, Futebol de Campo; o currículo já era voltado para o esporte, agora se existia alguma deficiência deveria ser de instalações dos colégios e talvez dos próprios profissionais de Educação Física, mas que já constava do currículo, da grade curricular...”.

O Professor Emílio Mariz, chega em São Luís em 1950, para estudar no Liceu Maranhense e ser professor de Matemática.  Destacou-se como Coordenador de Esportes do Batista - como ele mesmo diz, na época de ouro do esporte maranhense, de início dos JEM's. Dá-nos detalhes de como era a educação física nesse tradicional colégio de São Luís: " ... o colégio [Batista], apesar de ter iniciado em 1957, só em 61 passou a ter o Ginásio; então Rubens Goulart foi o professor fundador do Departamento de Educação Física; depois ele trabalhou até a sua morte; depois veio o Dimas, que trabalhou todo esse período ai; após o Dimas, nós fomos Diretor de Esportes e vários professores trabalharam conosco. No auge do esporte maranhense, no famoso período de inicio, de inicio dos JEM's ... nessa época, além da Escola Técnica [Federal do Maranhão, hoje, CEFET-MA] - sempre foi um concorrente forte -, nós tínhamos Marista, Batista - o Dom Bosco era apenas forte no voleibol; o próprio Ateneu, e Meng ... Diga-se de passagem, que os primeiros JEM’s terminou empatado entre o Batista e o Marista - foi a época também que no Campeonato Paulista houve empate entre a Ponte Preta e outro time, que não me lembro agora - então adotamos o mesmo critério, de considerar dois campeões; e daí para essa época, nós sempre estivemos fazendo um trabalho todo voltado para os JEM’s; Foi a época da implantação da Educação Física voltada parta o esporte; toda a nossa Educação Física era voltada para esportes; havia ai, como ainda hoje há uns poucos colégios que trabalham, têm um bom trabalho de base, ”. (MARIZ, Emílio. In ENTREVISTAS).

Para Geraldo Menezes – coordenador de esportes do Colégio Marista nos anos de 66 a 72, a educação física no final da década de 1950 era voltada para a Ginástica Calistênica, onde se faziam exercícios de corrida, saltos, flexões, agilidade; era puxada para o lado militar: “ ... nós começamos a montar uma equipe de trabalho voltada para a prática desportiva. Então nós começamos a montar as escolinhas das diversas modalidades, e para cada escolinha nós buscamos um professor experiente na área. Esta montagem já para prática esportiva era em função dos Jogos que eram promovidos pelo  Carlos Vasconcelos, ela já tinha o objetivo de preparar os alunos para a disputa, até porque nós estávamos fazendo do esporte um Marketing promocional do Colégio, está certo; fazer com que o Colégio saísse das quatro paredes e marcasse presença na sociedade; era o objetivo maior, era esse. A equipe de professores, nós tínhamos o professor  Furtado – Atletismo; eu coordenava e dava Futebol de Salão -  fui inclusive o 1º campeão de Futebol de Salão masculino, e o 1º campeão de Handebol Feminino - coordenava os esportes e tomava conta do Futebol de Salão e do Handebol feminino, o handebol masculino era o professor Dimas; em 66, tinha o Paulo Macedo que dava Futebol e voleibol. Aí, nós começamos montando as escolinhas, depois nós expandimos, começamos a oferecer bolsas para atletas que se destacavam nas competições, nós levávamos para o Maristas. Esses jogos eram promovidos pela Mary Santos – uns jogos promovidos pelo Departamento de Educação Física do Estado e os do Carlos Vasconcelos, delegado do MEC ... as bolsas já foram no período do  Festival Esportivo da Juventude primeiro, e JEM’s em seguida. Levamos para o Colégio Marista, uma geração de atletas, contribuindo para a formação de treinadores, por exemplo, Carlos Tinoco, Paulão, Gil - Gilmário Pinheiro, do Voleibol -, e eles entraram no Maristas como atletas, Raul Goulart. Nós formamos um time com esses atletas. Depois eles deixaram de ser alunos e viraram treinadores: o Gil ficou como professor de vôlei, o Paulão - já foi em 75, 76  -  treinador de Basquete, Carlos ficou com o Vôlei, levamos Biguá para o Colégio Marista para colaborar no Handebol, e aí completou a equipe, comigo no Futebol de Salão, com o Dimas na Ginástica e Handebol..." (MENDONÇA, José Geraldo de. In Entrevista)..

Cláudio Vaz, criador dos JEM’s, nos esclarece como eram aqueles jogos organizados pelo Dr. Carlos Vasconcelos, delegado do MEC no Maranhão: "... eu conheci Carlos Vasconcelos me convidado para apitar os jogos dele, do MEC; mas eram jogos na quadra do Cassino Maranhense, o nível técnico limitadíssimo voleibol, o basquetebol por incrível que pareça o basquetebol era uma (???). As mulheres jogavam de saia, não existia praticamente nada, o voleibol era um pouquinho mais desenvolvido, mas em termos de jogos era mais uma participação, quase uma obrigação em participar, não tinha aquela dedicação espontânea dos colégios em praticar, não praticavam, não podiam participar nos jogos, então quem não praticava o ano todo, não tinha nada para mostrar. Não tinha Educação Física, não tinha desporto, era muito limitado esse trabalho, eu me lembro como se fosse hoje...". (VAZ DOS SANTOS, Cláudio. Entrevista).

Aldemir Mesquita também se refere àqueles jogos, desde a época em que chegou a São Luís, para estudar (1959), até se tornar professor de educação física e técnico esportivo: “os jogos que eram feitos pela Mary Santos, eu realmente não me recordo se era o Município ou o Estado que fazia, mas acontece que esses jogos eram nos principais colégios da capital, outros colégios também participavam, colégios de menos expressão, não tinha realmente, não participavam. Marista, Liceu, Colégio São Luis, Ateneu, Rosa Castro, era do doutor Carlos Vasconcelos...” (MESQUITA, Aldemir Carvalho de. Entrevistas).

Geraldo Meneses, coordenador de esportes do Maristas na época, lembra desses jogos, que participou já em seu final. O Carlos Vasconcelos era um medico de educação física e era o delegado do MEC, unia os grandes colégios da capital, mais Escola Técnica, e fazia uma competição com esses colégios; nessa época não havia limite de idade, então todos os alunos poderiam participar. Então o que acontecia os jogos escolares era assim uma espécie de vitrine do esporte maranhense, por exemplo, os times de futebol selecionavam atletas estudantes para o profissionalismo dessas competições. De onde saiam a grande maioria desses atletas: Escola Técnica, Liceu Maranhense, e alguns do Colégio Marista, muito pouco do Colégio Maristas. Do Colégio Marista saiu: Canhotinho, saiu Adalpe que hoje é juiz em Imperatriz, saiu um que chamavam, um escurinho que chamavam Pula-Pula, a da Escola Técnica saiu Gojoba, Alípio, Alencar, Chamorro, Milson do Liceu Maranhense... Houve época em que o Sampaio Correia era presidido pelo Prof. Ronald Carvalho e os atletas eram ex-alunos ou alunos da Escola Técnica, Liceu Maranhense, Colégio de São Luís e Colégio Maristas; não havia jogador de fora, era a base estudantil.". (MENDONÇA, José Geraldo Menezes de. In Entrevista). Para Geraldo, foi cometida uma grande injustiça com esse pioneiro da Educação Física, pois Carlos Vasconcelos era um grande batalhador, era um guerreiro, lutava para conseguir dinheiro, lutava para conseguir os espaços para realização dos jogos; "e cometemos uma injustiça muito grande, porque o Ginásio Costa Rodrigues foi iniciado pelo Dr. Carlos Vasconcelos. Pedindo dinheiro daqui da escola, primeiro ele fez uma quadra coberta, e ai ele foi levando, tirando um pedaço ... ali era o fundo do Liceu Maranhense ... ele conseguiu ... construiu a quadra, depois ele cobriu a quadra, e aí foi que no governo de Pedro Neiva, sei lá qual foi, terminaram o Ginásio e deram o nome do Costa Rodrigues, quando poderia ser Ginásio Carlos Vasconcelos.".

É o Prof. Emílio Mariz quem nos dá notícia dos “Jogos Escolares das Escolas Públicas”, promovidos pelo Departamento de Educação Física do Estado, chefiado pela Profa. Mary Santos quando se refere a um eterno problemas dos Jogos Escolares – de qualquer época - : os "gatos"; quando foi diretor do Liceu Maranhense: “O Liceu tinha um problema, que era o uso de jogadores irregulares;  eu tive de agir com a autoridade do diretor, e assinar as fichas de inscrição, conferir. No ultimo ano em que estive no Liceu, nós fomos campeões da  uma olimpíada estadual, que o Estado promovia, os Jogos Escolares das Escolas Públicas]. (MARIZ, Emílio, in ENTREVISTA).

 

DÉCADA DE 1970 - INÍCIO DOS JEM”s ?

1970 – É realizado o 3º. Campeonato Intercolegial, organizado pelo Serviço de Educação Física, Recreação e Esportes, sob a direção de Mary Santos. A cerimônia de encerramento aconteceu no Ginásio Costa Rodrigues, com a entrega de medalhas e troféus aos vencedores das diferentes modalidades esportivas. Foram campeões: Liceu Maranhense (Basquetebol e Futebol de Salão); Batista (Handebol);São Luís (Voleibol Masculino) e a Escola Normal (Voleibol Feminino). Os municípios cujas equipes foram campeãs de suas chaves, são: Pedreiras, Esperantinópolis, Timon, Chapadinha, Itapecuru, Guimarães, Cururupu, Pinheiro, Peri-Mirim, Codó, Zé Doca, Colinas, Paço do Lumiar, Primeira Cruz, e Humberto de Campos. A cerimônia de encerramento contou com uma belíssima demonstração de ginástica feminina moderna, sob a direção da professora Marise Brito. (Fonte: SANTOS, Mary. Educação (crônicas). São Luís:  SIOGE, 1988,p. 11-112)

1971 - o Maranhão já tinha um Basquetebol de nível, na classe  juvenil masculina; naquele ano, foi disputado o Campeonato Brasileiro de Juvenil, em Brasília; os jogadores, eram aqueles meninos que jogavam tudo: volei, futebol, basquetebol :  Gafanhoto, Paulão, Carlos, Phil, os Ninas. Nessa mesma época, estavam acontecendo os III Jogos Escolares Brasileiros - JEB's - em Belo Horizonte. Dimas, que fora como técnico daquela seleção de Basquete, após a competição, dirige-se a Belo Horizonte para ver o que eram aqueles “JEB’s”, que tanto Mary Santos falava e cobrava a participação do Maranhão. Lá, encontra o maranhense Ari Façanha de Sá, coordenador geral dos Jogos, que lhe dá todo o apoio. Dimas volta entusiasmado com o que vira. O Maranhão precisava participar dos JEB’s ! Cláudio Vaz dos Santos, por essa época, já assumira o cargo de chefe do DEFER, no lugar de Mary Santos. É a ele que Dimas apresenta seu relatório, sobre os JEB's. Cláudio Alemão já tinha idéia de fazer uma espécie de jogos estudantis, então com o relatório de Dimas, fez  os FEJ.

Segundo Dimas, quando Cláudio assumiu o DEFER, não encontrou nenhuma estrutura montada. O Maranhão não tinha participado ainda dos JEB's, e já se estava realizando os III  Jogos e o Maranhão já os  perdidos, sem condições de participar. (DIMAS, entrevistas). Naquele mesmo ano aconteceu o I FEJ - Festival Esportivo da Juventude. É o próprio Cláudio Vaz quem nos conta como: “...  em 1970, nós precisamos da quadra do Costa Rodrigues para treinar nossa seleção de Basquete, para irmos para Porto Alegre, mais precisamente, Santa Cruz do Sul; e nós precisamos do Ginásio, o técnico era o Chico Cunha -  Cearense -, era mineiro mas trabalhava no Ceará, e veio trabalhar com a gente aqui, na época do governo Sarney; nós fomos pedir; não podia ceder o Ginásio para nós treinarmos nossa seleção porque estava tendo jogral; aí depois do jogral, não podia porque ia ter um reunião - não vou declinar o nome da pessoa que dirigia, não interessa, só interessa o fato -, não podia porque tinha que fazer silêncio, porque ia ter uma reunião, e o Ginásio não podia ser ocupado para treino porque ia ter uma reunião na sala de reunião, e o barulho ia prejudicar... então nós ficamos do lado de fora do Costa Rodrigues sem poder treinar... - Mas isso vai acabar, Alemão, te prepara que isso vai acabar, dizia Jaime Santana Quando em 1970, Neiva Santana assumiu o Governo, Jaime me chama:  - olha, tu vai ser Coordenador de Esporte da Prefeitura; o prefeito era Haroldo Tavares, e nesse época, nomeado pelo Governador. Nós começamos primeiro na Prefeitura, foi nosso primeiro passo; foi na Coordenação de Esportes; então foi criada a Coordenação de Esporte da Prefeitura; procurei Carlos Vasconcelos - era da Coordenação de Educação Física -, aí foi criada a Coordenação de Esporte, na área estudantil ... na área do esporte aberto sem limites, foi a Coordenação de Esportes; nós tivemos o direito de agir com a Ildenê, a gente fez esse trabalho, trabalhava só com esporte escolar.  Por sinal, era o mesmo problema, era muito limitado, ele, o esporte escolar no Maranhão...  fomos funcionar onde é o Parque do Bom Menino; tem um açougue ali em baixo, ali que era a coordenação, alugamos de Antônio o prédio e fomos fazer a explanação, primeira medida, eu fiz uma equipe muito boa, foi Geografia, Fernando Sousa, Jaime Sampaio e Fernando Sousa, jornalista, Diretor Técnico; bom, foi minha diretoria, ai eu convoquei os professores; fiz o levantamento de quem é que podia ser útil, quem é que eu tenho para trabalhar, porque eu tinha o direito de formar escolinhas, que não tínhamos nada nesse sentido, de formação de atleta. Então veio o Dimas, veio o Major Alves, professoras... as duas professoras ... Maria José e Tarcinho; Odinéia;  Maria José, Ildenê Menezes, Dinorah e Celeste Pacheco... Tinha uma que era funcionária do Ipem, era, eu não sei o nome dela na memória, faz 31 anos, a professora eu não me lembro, mas eu sei que é de nome conhecido ... Graça Helluy, voleibol; viajou comigo para o primeiro JEB's em 72, ela foi a técnica; nós já fomos para os JEB's em Maceió, em 1972; em 71 foi que nós fizemos a escolinha com esse trabalho e criamos o primeiro FEJ. FEJ foi Prefeitura, a Coordenação de Esporte da Prefeitura de São Luís, em 1970. O primeiro FEJ (Festival Esportivo da Juventude). A Mary Santos fazia Jogos Intercolegiais do interior, ela nunca fez uns jogos na capital; ela fazia Jogos Intercolegiais; Carlos Vasconcelos era do MEC, tinha uma rivalidade com ela e fazia os jogos dele, ele fazia o dela, eram jogos isolados. Com o pessoal da capital, e a gente trazia o pessoal do interior. A Mary Santos era do Estado, da Secretaria de Educação e Cultura, onde tinha uma Secretaria de Esporte, Secretaria de Educação Física do Estado, era serviço de Educação Física do Estado. Carlos Vasconcelos que pertencia ao MEC; A Mary estava no Estado, a Ildenê, no Município. A Ildenê era Secretaria de Educação e a Mary era de Educação Física, era diretora do Serviço de Educação Física. Foi ai que eu entrei, fui dirigir pela primeira vez em 71, nós entramos no Governo, se não me engano, foi em março ou por aí; em setembro, nós tivemos o primeiro FEJ (Festival Esportivo da Juventude) - Semana da Pátria, onde o Colégio de São Luiz foi o primeiro campeão do FEJ. Em 71, eu estava só na Coordenação de Esporte na Prefeitura, e nós fizemos o primeiro FEJ; aí teve o segundo FEJ, foi quando o Jaime criou o Departamento de Educação Física e Desportos; Pedro Neiva me nomeou no lugar da Mary Santos; já foi no governo de Pedro Neiva, com Haroldo Tavares; eu entrei primeiro na Prefeitura; então para que eu pudesse assumir o Estado, criaram o Departamento de Educação Física e Deporto do Estado; saiu de Serviço para Departamento; acumulei Coordenador de Esporte da Prefeitura e Diretor do Departamento de Educação Física e Desportos do Estado, ligado à Secretaria de Educação, do professor Luis Rego - era o Secretario na época. Já em 72, fui nomeado Diretor do Departamento, lá no Costa Rodrigues.  Transferi a Coordenação, acumulei no Costa Rodrigues, eu levei tudo para lá, ficou a Coordenação... Eu era Coordenador e Diretor do Departamento de Educação Física do Estado, e Presidente do C.R.D.  Eu fiz a minha equipe, aí foi que o Dimas entra com a parte principal, quando nós estávamos para fazer o segundo FEJ em 72, seria em setembro, Dimas foi a Belo Horizonte... ai Dimas trouxe toda a informação, e o Maranhão podia participar dos JEB's em 72; ele trouxe em 71, ele foi no JEB's em julho e trouxe... Dimas me trouxe, eu organizei a primeira equipe com o Dimas, era do Handebol, primeira equipe que nós viajamos para o JEB's; Ginástica Olímpica e Handebol, o Dimas; Coronel Alves, basquete; voleibol, Graça Hiluy;  Coronel Alves - antes era Major -, foi isso para dar coletivo; que eu levei foram 52 pessoas; não levamos atletismo, natação, não levamos nada. E uma de nossas iniciativas foi justamente essa, de criar esse jogos escolares; foi o primeiro e o segundo, e depois nós o transformamos em JEM's. O primeiro JEM's foi em 73 - sempre tem essa dúvida; o pessoal não guarda isso mas, o primeiro FEJ foi em 71. o segundo FEJ, em 72; e o primeiro JEM's, em 73, porque?Nós participamos do JEB's e a sigla pesava, mas por bem  achamos melhor mudar para JEM's - Jogos Estudantis Maranhenses -, nós já tínhamos passado o primeiro e o segundo FEJ com sucesso...". (VAZ DOS SANTOS, Cláudio. Entrevista).

1972 – I JEMS

- III JEBS

1973 – II JEMS

1974 – III JEMS

1975 – Criada a Olimpíada Colegial de Imperatriz – OCOI – por Alberto Milléo Filho, professor de Educação Física da UFPr, então diretor do Campus Avançado de Imperatriz, durante a Interventoria do Cel. Carlos Alberto Barateiro da Costa – Cel. Bebeto.

1975 – IV JEMS

1976 – IV JEMS

1977 – V JEMS

1978 – VI JEMS

1979 – Criação da Secretaria de Desportos e Lazer – SEDEL -, sendo seu primeiro secretário o Industrial Elir de Jesus Gomes e governador de Estado, João Castelo.

- VII JEMS

1980 – VIII JEMS

1981 – IX JEMS -

1982 – X JEMS

1983 – em 14 de outubro, é realizada a abertura dos XI Jogos Escolares Maranhenses – Governo Luis Rocha e Secretário de Esportes e Lazer, Nan Souza -.

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