Resumo
Este estudo situa-se na linha de pesquisa do Imaginário e Representações Sociais da Educação Física, do Esporte e do Lazer, desenvolvida na área de Educação Física e Cultura do Mestrado em Educação Física da Universidade Gama Filho. Seus Objetivos são: a) conhecer mais profundamente o jogo de bola de gude através do estudo dos seus símbolos principais, da sua linguagem característica e da sua dinâmica interna, buscando identificar os elementos que possibilitam o fascínio e a atração por este jogo por parte dos atuais e adultos ex-jogadores; e b) identificar os sentidos que os atuais e adultos ex-jogadores do jogo de bola de gude imprimem ao jogo, e que os fazem sentir-se atraídos e fascinados por ele. A metodologia deste estudo está centrada em uma pesquisa qualitativa de tipo exploratória (Chizzotti, 1998; Ludke & André, 1996), com abordagem etnográfica interpretativa (MAlinowski, 1990; Foote-Whyte, 1990; Geertz, 1989) e baseada na linha do imaginário social (Tevês, 1992; Teves & Eizirik, 1994; Backzo, 1985), utilizando-se das concepções de sagrado e de profano de Caillois (1963), Eliade (1996) e Otto (1992), de totem coletivo e individual (Durkheim, 1996) e de símbolo (Chevalier & Gheerbrant, 1994; Durant, 1993). As formas de abordagem ao tema se deram por observação dos jogos de bola de gude de crianças e adolescentes e por entrevistas semi-estruturadas com adultos ex-praticantes. Os discursos foram analisados através da técnica de analise do discurso (Maingueneau, 1997; Orlandi, 1987, 1994). Os sentidos de atração e de fascínio com relação ao jogo de bola de gude estão vinculados aos seguintes elementos presentes no jogo: a bola de jogo, as bolas de aposta e a ação do baculejo. Em relação às marcas lingüísticas, podemos citar o aparecimento das idéias de: desafio, disputa e ganhar. Além dessas marcas, a atração e o fascínio pelo jogo estão baseados no seu caráter socializador e desafiador, no sentido de conseguir manter um nível de relacionamento entre os diferentes. É um momento de aprendizagem no que diz respeito ao lidar, ao falar e ao agir em relação a um colega, um irmão, um primo, um vizinho, enfim, pessoas com as quais se mantém um laço de amizade.