Resumo

O lazer, enquanto campo de estudo e prática social, tem se constituído historicamente por perspectivas que invisibilizam as experiências das mulheres, especialmente suas formas de ocupar e disputar a cidade. A partir desse pressuposto o objetivo deste artigo é compreender como o lazer pode operar como resistência urbana e prática decolonial, a partir das vivências corporais e culturais de mulheres na cidade. O método utilizado foi a autoetnografia feminista, realizada entre 2021 e 2023, com observação participante em rodas de conversa, cafés, feiras, aulas de dança e yoga, registradas em diário de campo, priorizando as vozes das mulheres como saberes situados. Alguns resultados foram: fortalecimento da autoestima, reconexão com o corpo, ampliação da circulação no espaço urbano e ocupação de lugares de lazer antes interditados, construindo autonomia e presença feminina na cidade. A patir do exposto foi possível concluir que o lazer se apresenta como linguagem estética e política, que desestabiliza normas de gênero e colonialidades cotidianas, permitindo que as mulheres afirmem seu direito à cidade.

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