Menções de patrocínio nas mídias digitais: O caso dos atletas e paratletas brasileiros
Por Ana Paula Cabral Bonin Maoski (Autor), João Victor Moretti de Souza (Autor), Mayara Torres Ordonhes (Autor), Gabriela da Silva Martins (Autor), Paola Marin Stinghen (Autor).
Em Revista de Gestão e Negócios do Esporte - RGNE v. 10, n 1, 2025.
Resumo
O estudo analisou como atletas e paratletas contemplados pelo Bolsa Atleta, categoria Pódio, mencionam o patrocínio governamental. A coleta de dados foi feita nos perfis públicos dos atletas no Instagram, e as postagens foram avaliadas segundo seis critérios, considerando a divulgação do programa e de outros patrocínios públicos e privados. Foram verificadas menções diretas ao Ministério do Esporte (@esportegovbr) e à hashtag #BolsaAtleta, além da presença da logomarca do programa nas postagens, em uniformes ou materiais esportivos. Também se observou se as publicações eram integralmente dedicadas ao Bolsa Atleta ou a outros patrocinadores. Os dados foram organizados em uma planilha contendo nomes dos atletas, gênero, idade, vínculo com programas olímpicos ou paralímpicos e presença de patrocinadores privados. A análise estatística foi realizada pelo software IBM SPSS Statistics. A amostra final reuniu 183 atletas femininos e 222 masculinos, sendo 148 de modalidades olímpicas e 257 de modalidades paralímpicas. Entre eles, 225 tinham entre 15 e 29 anos, enquanto 180 tinham 30 anos ou mais. A idade média foi de 30 anos. No total, foram analisadas 2.136 postagens em 388 contas pertencentes a 405 atletas. Em 750 postagens, o Bolsa Atleta foi mencionado ou marcado, e em 207, sua logomarca estava presente. Apenas 12 publicações foram exclusivamente dedicadas ao programa. Paratletas utilizaram a logomarca do Bolsa Atleta 5,6 vezes mais do que atletas olímpicos. Além disso, homens atletas tiveram mais seguidores, homens paratletas mais contas e mulheres paratletas mais postagens. Quanto a outros patrocinadores públicos, o CBC foi o mais mencionado por atletas olímpicos, enquanto o Time SP liderou entre paratletas. Os resultados indicam que a presença digital dos atletas está institucionalizada, tornando-os vetores de marcas e valores e compondo seu capital esportivo. A pesquisa destaca a importância do treinamento em marketing esportivo, ajudando atletas a desenvolver competências comunicacionais. Por fim, o estudo revela uma nova configuração do patrocínio esportivo no ambiente digital, reforçando a complexa relação entre financiamento público, desempenho e visibilidade online. Ele também aponta a necessidade de diretrizes éticas e humanizadas para equilibrar interesses institucionais, comerciais e humanos.